Durante sua participação no seminário Encontro Preparatório para a COP30 (EPPAM), realizado nesta quarta-feira (23), o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), defendeu o protagonismo dos municípios e a importância de um olhar mais cuidadoso e humano para as questões ambientais. O evento reuniu prefeitos de cidades amazônicas para debater a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém (PA), em novembro deste ano.
Bocalom, que também preside a Associação dos Municípios do Acre (Amac), participou do painel “COP30 no Radar: Como inserir a pauta da Amazônia urbana na agenda?”, e destacou o papel fundamental dos governos locais na construção de soluções sustentáveis.
“Na Amazônia, temos animais, temos floresta, mas a nossa maior riqueza são as pessoas”, afirmou.
Segundo o prefeito, as políticas ambientais precisam considerar o tripé ambiental, econômico e social, e reconhecer a realidade vivida nas comunidades amazônicas. Ele ressaltou que prefeitos e vereadores, que estão na base da gestão pública, muitas vezes enfrentam dificuldades por falta de orientação e apoio.
“O meio ambiente começa dentro de casa. Quem está na ponta muitas vezes não sabe o que fazer. Não adianta pensar só em repressão”, defendeu.
Bocalom também criticou abordagens punitivistas que penalizam populações vulneráveis, e destacou ações realizadas em sua gestão em Rio Branco, como a promoção da educação ambiental, o incentivo à agricultura familiar, e a implementação de políticas públicas inclusivas.
“Na Prefeitura de Rio Branco, fiscal não anda com polícia. Ele vai à rua para educar, toma café com o mais pobre. Essas pessoas muitas vezes interferem no meio ambiente para sobreviver. O que muda essa realidade é a educação — e oferecer meios de sobrevivência, como por meio da agricultura familiar”, explicou.
Entre as iniciativas citadas, o prefeito mencionou projetos de recuperação de solo, aplicação de calcário, mecanização agrícola e assistência técnica aos produtores.
Ao encerrar sua fala, Bocalom reforçou a importância de respeitar a autonomia dos municípios:
“Não dá para os governos federal e estadual dizerem o que temos que fazer. Nós sabemos o que precisa ser feito. Só precisamos de apoio e condições”, concluiu.
A perspectiva defendida pelo prefeito, de que a gestão pública deve priorizar o bem-estar das pessoas, vem ganhando apoio entre outros gestores e autoridades da região. O evento também destacou que cerca de 70% da população amazônica vive em áreas urbanas — um dado ainda pouco considerado nas negociações climáticas internacionais. A inclusão das especificidades da Amazônia urbana nas metas globais de mitigação e adaptação foi apontada como um desafio urgente.

