‘Mulher branca, bonita e rica incomoda’, diz vereadora do Partido Novo vaiada em sessão

Reajuste de servidores era discutido, mas sessão foi suspensa

Durante uma sessão marcada por protestos na Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora Cris Monteiro, do partido Novo, foi acusada de racismo após fazer declarações que geraram forte reação do público nas galerias. A sessão tratava do reajuste salarial dos servidores municipais, tema que provocou mobilização de professores e trabalhadores em greve.

Cris Monteiro Crédito: Reprodução

No momento em que se dirigia aos manifestantes presentes, a vereadora iniciou sua fala com a frase: “Quando vem uma mulher branca, bonita e rica falar aqui, vocês vaiam”, o que provocou gritos imediatos de “racista” por parte dos sindicalistas e manifestantes.

A situação gerou tumulto, e Cris Monteiro chegou a discutir com um representante do sindicato, solicitando que ele se retirasse do local. Ela manteve o tom confrontador e repetiu: “Eles estão me enfrentando (…). Eu escutei todos vocês calada. Enquanto vocês falavam, ninguém se manifestou. Agora, quando vem uma mulher branca aqui falar a verdade para vocês, ficam todos nervosos, porque uma mulher branca, bonita e rica incomoda todos vocês”.

A sessão foi interrompida por mais de 20 minutos devido à confusão. Ao retomar os trabalhos, a parlamentar voltou à tribuna e pediu desculpas, afirmando: “Gostaria de lamentar profundamente as minhas falas. Não foi a minha intenção, como parlamentar. Lamento profundamente e espero que as pessoas que se sentiram ofendidas entendam que não foi a minha intenção ofender ninguém — nem na galeria, nem meus colegas parlamentares”.

Em nota divulgada após o episódio, a vereadora reforçou que sua intenção não era ofender e que sua atuação sempre se pautou pelo respeito e pelo diálogo. Segundo o comunicado, Cris Monteiro “lamenta a repercussão de sua fala e reforça que em nenhum momento teve a intenção de ofender qualquer pessoa”.

A vereadora Luana Alves, do PSOL, anunciou que vai levar o caso à Corregedoria da Câmara nesta quarta-feira (30).

A discussão que motivou o tumulto girava em torno do projeto de reajuste dos salários dos servidores municipais, que prevê aumento em duas etapas: 2,60% em maio deste ano e 2,55% em maio de 2025. O reajuste acumulado é de 5,15%, percentual abaixo do pleiteado pelas categorias em greve.

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Outro caso

O episódio se soma a outro momento polêmico da trajetória de Cris Monteiro. Em 2021, ela se envolveu em uma briga com outra parlamentar no banheiro da Câmara, e o caso também foi encaminhado para a Corregedoria na época.

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