O show desta noite de sexta-feira (16), no teatro de Arena do Sesc, na Avenida Brasil, centro de Rio Branco, meio acanhadinho e com lugares apenas para cerca de 130 pessoas, será, na verdade, um acerto de contas, no bom sentido, com o passado, do público e daquele grupo de artistas, que compõe a banda “The Bubuias”, trazendo de volta de uma época em que Rio Branco, embora ainda com seus ares provinciano e com a maioria das ruas em terra batida, era quase como uma cidade cosmopolita e fervilhava em movimentos culturais e de festividade boemia.

Show nesta sexta-feira é um encontro com o passado de uma Rio Branco que exalava boemia e cultura. Foto: Reprodução
Por isso, o grupo referência à época em que pessoas precisavam sair da cidade com o motor dos barcos desligados, ao saber da correnteza, para o barulho do motor não denunciar a fuga pelo rio Acre, vai ser um mergulho no passado. Um passado não muito distante nem tão perto, o ano de 1988, quando já se falava, inclusive no meio artístico, das necessidades de preservação da floresta.
O show será uma reprodução, portanto, do Famp (Festival da Música Popular) daquele ano o único dos festivais que foi gravado em disco de vinil. Por isso, no show de hoje o que os músicos do “The Bubuia” farão é reproduzir o que foi cantado e gravado na época.
O grupo é composto por João Veras (flauta e percussão), Carlos Estevão (violão, teclado e voz), Sílvio Margarido (bateria e percussão), Rafael de Castela (baixo e voz) e Ketlen Bona (violão, guitarra e voz).
Sílvio Margarido conta como será o show. “Esse projeto é uma ideia do João Veras, que é flautista e percussionista. A ideia era pegar, fazer um passeio na música acreana dos anos 80, a partir dos festivais que haviam aqui nos anos 80”, disse.
“E o Famp de 1988 foi o que marcou bastante, tanto pela temática, que era uma temática ambiental, canto em defesa da floresta, como também foi o primeiro festival que foi gravado um LP ao vivo”, acrescentou.
A apresentação é composta de todas as músicas que foram gravadas nesse LP, que são as músicas que foram pra final, as que se classificaram até em segundo lugar, que foram gravadas nesse disco.

Artistas vão reproduzir a música acreana que era apresentada nos festivais de canção popular que marcaram os anos de 1980. Foto: Reprodução
João Veras, idealizador do evento, disse que a importância de uma realização como esta para população acreana é mostrar o poder da arte.
“O poder da nossa cultura e a importância da música para o nosso estado”. Eu sou acreano – acrescentou – de nascimento e de vivência também, e eu sou aquela figura que se pode chamar de artista acreano. Eu desenvolvo atividade artística desde muito cedo, mas não só como instrumentista, mas também como criador. Sou compositor, também poeta e etc. Então a minha trajetória é de muita atividade artística intensa, revelou.
O artista disse que, no Acre, não há quem consiga viver de música. “Mas, a gente consegue sobreviver tendo a música como um elemento fundamental”, pela dedicação de seus artistas.
“É uma história um pouco parecida com dos outros artistas, que não conseguem viver da sua criação, mas consegue ser feliz com ela. É uma diferença”, acrescentou.
Segundo ele, no show de logo mais a noite, haverá repertório de Tião Natureza, Francisco Nunes Bacurau, Teixeirinha do Acre – estes já falecidos, e ainda de César Escócio, Fernandes Escócio, Sônia Mubarac, Jonas Filho, Gracinha Gomes, Heloy de Castro e músicos como Jenatas Fernandes, Francisco Bararu, Chiquinho Chagas e outros. Enfim, um show no presente, com a cara de um passado saudoso.
