“Nunca tive muita simpatia pelo IOF sobre remessas”, diz Galípolo

Por MetrĂłpoles 23/05/2025 Ă s 13:32

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel GalĂ­polo, disse, nesta sexta-feira (23/5), que nunca teve “muita simpatia” por mudanças no Imposto sobre OperaçÔes Financeiras (IOF), tributo que incide sobre operaçÔes de crĂ©dito, cĂąmbio e seguro.

As medidas anunciadas pelo MinistĂ©rio da Fazenda nessa quinta-feira (23/5) provocaram repercussĂŁo negativa no mercado financeiro e, por causa dessa repercussĂŁo, o governo decidiu revogar parte das mudanças apenas poucas horas apĂłs o anĂșncio. As mudanças foram anunciadas pelo ministro Fernando Haddad na noite de quinta e detalhadas pelo prĂłprio titular na manhĂŁ desta sexta, antes da abertura do mercado.

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“Tomei conhecimento do tema especĂ­fico que nĂŁo foi bem recebido, o IOF sobre remessas, assim como todo mundo na entrevista coletiva. Tomei conhecimento sobre esse detalhe no anĂșncio”, disse GalĂ­polo no XI SeminĂĄrio Anual de PolĂ­tica MonetĂĄria, organizado pelo Centro de Estudos MonetĂĄrios do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), no Rio de Janeiro.

“Em debates anteriores, há um tempo atrás, em qualquer momento em que se discutia a alternativa do IOF como alternativa para a persecução da meta, eu, pessoalmente — para usar um eufemismo — nunca tive muita simpatia sobre a ideia, para não dizer que eu não gostava da ideia”, completou Galípolo.

Ele, porĂ©m, frisou que suas visĂ”es nĂŁo sĂŁo determinantes para as decisĂ”es de polĂ­tica fiscal. “NĂŁo implica nenhum tipo de ingerĂȘncia ou reflexo sobre o que a Fazenda deve fazer”.

Em seguida, Galípolo, que foi secretário-executivo de Haddad nos primeiros meses de 2023, disse que o ministro foi “gentil e honesto” ao esclarecer esses pontos tanto nesta sexta quanto no tuíte dele.

Por fim, GalĂ­polo ressaltou ter ficado “claro” que objetivo da Fazenda era perseguir e atender a meta fiscal, de dĂ©ficit zero em 2025.

“Nunca tive muita simpatia pelo IOF sobre remessas”, diz GalĂ­polo3 imagensPresidentes do Senado e da CĂąmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, alĂ©m dos Ministros de Estado Fernando Haddad e Simone Tebet participam de solenidade de comemoração dos 60 anos do Banco Central ao lado do presidente da instituição Gabriel GalĂ­polo 
Presidentes do Senado e da Cùmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, além dos Ministros de Estado Fernando Haddad e Simone Tebet participam de solenidade de comemoração dos 60 anos do Banco Central ao lado do presidente da instituição Gabriel Galípolo 
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Presidentes do Senado e da Cùmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, além dos Ministros de Estado Fernando Haddad e Simone Tebet participam de solenidade de comemoração dos 60 anos do Banco Central ao lado do presidente da instituição Gabriel Galípolo

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Presidentes do Senado e da Cùmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, além dos Ministros de Estado Fernando Haddad e Simone Tebet participam de solenidade de comemoração dos 60 anos do Banco Central ao lado do presidente da instituição Gabriel Galípolo

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Presidentes do Senado e da Cùmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, além dos Ministros de Estado Fernando Haddad e Simone Tebet participam de solenidade de comemoração dos 60 anos do Banco Central ao lado do presidente da instituição Gabriel Galípolo

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

GalĂ­polo foi ouvido pelo Planalto

O MetrĂłpoles, na coluna de Igor Gadelha, apurou que o PalĂĄcio do Planalto ouviu o presidente do Banco Central antes do anĂșncio do recuo. Fora da agenda, GalĂ­polo se reuniu na sede do Planalto com Rui Costa. Na conversa, o presidente do BC deixou claro ao ministro ser contrĂĄrio ao decreto.

Sem mencionar essa reuniĂŁo, GalĂ­polo disse que nĂŁo foi presencialmente ao Rio e participa do evento por videoconferĂȘncia porque avaliou que “era pouco adequado para minha agenda conseguir o deslocamento”.

Os recuos

O primeiro recuo do Ministério da Fazenda diz respeito às aplicaçÔes de investimentos de fundos nacionais no exterior. Originalmente, a alíquota para tal movimentação era zero. Com as mudanças anunciadas nessa quinta, foi implementada a taxação equivalente a 3,5%. Com o recuo divulgado, o IOF volta, portanto, a não incidir sobre esse tipo de transação.

O segundo ponto refere-se Ă  cobrança de IOF sobre remessas ao exterior por parte de pessoas fĂ­sicas. O MinistĂ©rio da Fazenda esclareceu que as remessas destinadas a investimentos continuarĂŁo sujeitas Ă  alĂ­quota atualmente vigente de 1,1% – ou seja, sem alteraçÔes.

“Este Ă© um ajuste na medida — feito com equilĂ­brio, ouvindo o paĂ­s, e corrigindo rumos sempre que necessĂĄrio”, explixou a pasta, em publicação no X.

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