O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) afirmou que possĂveis sançÔes do governo dos Estados Unidos (EUA) contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes configuram grave afronta Ă soberania do Brasil.

Em audiĂȘncia no Congresso estadunidense na semana passada, o secretĂĄrio de Estado, Marco Rubio (foto), informou que o governo de Donald Trump estuda medidas nesse sentido.
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âTais estudos e anĂĄlise por parte de instĂąncias e instituiçÔes estadunidenses constituem grave afronta Ă soberania do Estado brasileiro, usando uma via transversa e ilegal no campo das relaçÔes internacionais, ameaçando e atacando uma autoridade da Suprema Corte Constitucional no Brasil, sem precedente na histĂłria moderna das civilizaçÔesâ, disse o CNDH em nota publicada nessa segunda-feira (26).
Rubio citou as sançÔes ao responder a uma provocação do senador republicano Cory Lee Mills. O parlamentar reproduzia a tese divulgada pelos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro de que existe uma perseguição judicial no Brasil no contexto do julgamento por tentativa de golpe de Estado que culminou no 8 de janeiro de 2023.
O Conselho de Direitos Humanos no Brasil argumenta que a motivação para tal medida dos EUA revela uma manobra realizada pelos investigados no STF para se blindar das puniçÔes, evidenciando uma “tentativa de promover pressĂŁo polĂtica contra a soberania brasileira, em benefĂcio de interesses privados de pessoas que promoveram a tentativa de um golpe de Estado no Brasilâ.
Para analistas consultados pela AgĂȘncia Brasil, a extrema direita no Brasil e nos EUA tem distorcido a realidade do julgamento no STF para tentar livrar da cadeia os investigados. Â
O CNDH lembrou que o Brasil vive um processo histĂłrico de responsabilização de agentes pĂșblicos que atentaram contra a democracia e que o julgamento ocorre de forma civilizada e fundado nas regras de um Estado DemocrĂĄtico de Direito.
âInstamos as autoridades dos EUA, respeitando sua autonomia e soberania, que encerrem imediatamente os estudos institucionais para aplicação das abusivas medidas contra o ministro Alexandre de Moraesâ, conclui o ĂłrgĂŁo formado por representantes do Estado e da sociedade civil do Brasil.
Inquérito contra deputado
Atendendo ao pedido da Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR), o ministro Alexandre de Moraes abriu inquĂ©rito, nessa segunda-feira (26), para investigar a participação do deputado licenciado do cargo Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na articulação com autoridades estadunidenses para promover sançÔes contra o STF.
O filho do ex-presidente Bolsonaro serå investigado pelos crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação por supostamente incitar o governo dos EUA contra Moraes.
Em postagem nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro considerou que o pedido de investigação Ă© uma medida “injusta e desesperada”.Â
Desde março, apĂłs o pai virar rĂ©u acusado de liderar a trama golpista, Eduardo se mudou para os EUA, onde passou a denunciar o que chama de perseguição contra seu grupo polĂtico.
O ministro do STF pediu ainda depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro que seria âdiretamente beneficiadoâ pelas açÔes do filho, por ser rĂ©u no julgamento da trama golpista. Diplomatas brasileiros tambĂ©m devem ser ouvidos.
Golpe de Estado
A denĂșncia de tentativa de golpe de Estado feita pela Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR) diz que o objetivo da trama era anular as eleiçÔes presidenciais de 2022 e que estava incluĂda a previsĂŁo de assassinatos do presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moraes.
A denĂșncia afirma que a trama golpista liderada pelo ex-presidente Bolsonaro buscou apoio das Forças Armadas para a decretação de Estado de SĂtio, que funcionaria para promover uma ruptura democrĂĄtica no Brasil. Os investigados negam as acusaçÔes.
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