O presidente Lula ainda não sabe — ou ainda não quis dizer — quem vai apoiar para governador em pelo menos cinco estados nas eleições de 2026, segundo revelou levantamento publicado pelo Estadão.
Um desses estados é o Acre, que pode parecer periférico no tabuleiro nacional, mas nos bastidores do Planalto o tema vem sendo tratado com mais cautela do que o silêncio público sugere.
No mapa eleitoral petista, o Acre representa uma equação complicada. O governador Gladson Cameli (PP) está em segundo mandato, fora do páreo pela reeleição, mas a disputa já se insinua — e Lula ainda não colocou sua digital em nenhum nome local. Segundo fontes do PT, há uma disputa surda entre alas do partido, que veem no Acre tanto um ponto de reconstrução quanto um campo minado.
Hoje, o PT acriano não tem um nome claro para encabeçar a chapa. Há quem acredite que o Planalto só baterá o martelo mais adiante, de olho nas movimentações de forças locais como o MDB e o PSD. O recado — ainda que não dito — é que Lula quer evitar divisões prematuras.
A leitura feita por aliados é de que Lula pretende manter a governabilidade no Congresso com alianças pragmáticas — e isso inclui manter canais abertos com partidos que podem disputar contra o PT nos estados. No Acre, o MDB e o PSD ainda são peças soltas nesse tabuleiro.
No fundo, o Acre é um exemplo de como 2026 será mais sobre composição nacional do que sobre redutos históricos. Lula joga no tempo. E no silêncio.
Defende abertamente!
Enquanto o presidente Lula ainda evita cravar um nome para apoiar no Acre em 2026, uma nova geração petista no estado começa a se movimentar com mais clareza — e sem rodeios.
O vereador André Kamai, considerado uma das principais apostas do PT no estado e voz em ascensão no campo progressista, tem dito a aliados que não há mais espaço para a esquerda ficar à margem do protagonismo local.
Em entrevista ao ContilNet, ele disse abertamente que a esquerda deve lançar candidatura própria ao governo do Acre em 2026, apostando na fragmentação da direita como uma oportunidade para reconstruir o campo progressista no estado.
Kamai tem defendido que a esquerda local deve construir esse nome desde já, com base em propostas e uma campanha que dialogue diretamente com as demandas sociais e ambientais da região. Ele mesmo não se coloca como pré-candidato — pelo menos por enquanto —, mas tem sido ouvido com atenção dentro do partido.
Sacramentado
Em meio à indefinição do Palácio do Planalto sobre quem apoiar para o governo do Acre em 2026, uma peça já está posicionada no tabuleiro — e é do time de Lula. O ex-governador Jorge Viana será, mais uma vez, candidato ao Senado pelo PT. A informação circula com naturalidade entre petistas locais e já é tratada como “certa” até por adversários.
Só venha a nós!
Não caiu bem no Planalto — nem no Ministério do Meio Ambiente — o voto do senador Sérgio Petecão (PSD-AC) a favor do projeto que muda as regras do licenciamento ambiental no país. O governo federal articulava para barrar a proposta, considerada um retrocesso por técnicos e ambientalistas, mas o texto acabou aprovado com apoio de senadores do Centrão — inclusive de partidos que integram a base de apoio a Lula.
Petecão, que pertence ao PSD, sigla com ministérios no governo e espaço no segundo escalão, contrariou o desejo do Planalto. O gesto gerou incômodo, especialmente entre integrantes da área ambiental e da articulação política, que veem o episódio como mais um sinal das limitações do governo para controlar sua base no Senado.
Reflexo para 2026?
O voto do senador Sérgio Petecão (PSD-AC) a favor do projeto que afrouxa o licenciamento ambiental — contrariando a orientação do governo Lula — não foi um ato isolado. Nos bastidores de Brasília, o movimento foi lido como mais um sinal de que Petecão não está 100% com o Palácio do Planalto. E mais: que já começou a jogar o xadrez de 2026 com os olhos voltados para fora da base lulista.
Integrantes da articulação política de Lula admitem, reservadamente, que a relação com Petecão é “funcional”, mas longe de ser confiável. O senador tem sido um apoiador intermitente: ajuda quando quer, se afasta quando convém. E o voto no PL ambiental — uma pauta sensível para o governo e símbolo da agenda de Marina Silva — foi considerado um termômetro claro desse distanciamento.
No Acre, a leitura feita por atores políticos locais é que Petecão está flertando com os dois principais nomes da direita para o governo do estado em 2026: Alan Rick (União Brasil) e Mailza Assis (PP). Os dois devem disputar o mesmo eleitorado conservador que se afastou do PT nos últimos anos — e Petecão, embora formalmente aliado do governo federal, já ensaia um discurso mais próximo dessa base.
Contudo …
Mas, curiosamente — e para muitos, estrategicamente —, Petecão esteve reunido na última semana com lideranças da federação PT-PCdoB-PV no Acre, justamente os partidos mais atingidos politicamente pela aprovação da proposta.
O encontro, que não foi amplamente divulgado, aconteceu em meio à repercussão negativa do voto no Senado e foi lido por interlocutores dos três partidos como um “gesto político” do senador para não fechar portas — nem com o governo, nem com a esquerda local. A reunião teve clima cordial, mas não passou despercebida.
Destaque da semana
Em tempos de polarização, onde elogios entre adversários ideológicos viram exceção, o governador do Acre, Gladson Cameli (PP), deu um recado que chamou a atenção — e não só pela ousadia. Durante o Task Force dos Governadores para o Clima, sediado em Rio Branco neste ano, Cameli, abertamente de direita, reconheceu publicamente: “A ministra Marina Silva sempre teve razão sobre as questões climáticas.”
A fala foi recebida com surpresa — e, nos bastidores, como um gesto de grandeza política. Não apenas pelo conteúdo, mas pelo momento. O Acre tem sido palco constante de eventos extremos, enchentes históricas, queimadas fora de época e colapsos climáticos que atingem diretamente a população.
Atenção máxima
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) voltaram a preocupar o Acre nas últimas semanas, com aumento expressivo nas internações, especialmente entre crianças e idosos. A situação acendeu o alerta nas unidades de saúde do estado, que operam no limite em algumas regiões.
À frente da Secretaria de Estado de Saúde, Pedro Pascoal tem tido atuação destacada na condução das medidas emergenciais. O secretário tem coordenado a ampliação de leitos, reforçado equipes médicas e articulado com o Ministério da Saúde o envio de insumos e apoio técnico para mitigar os impactos do surto.

