VĂ­tima de violĂȘncia recupera filho colocado para adoção na Dinamarca

Por MetrĂłpoles 29/05/2025

Natural de SĂŁo Paulo, Raquel Bezerra do Vale, de 35 anos, conseguiu recuperar a guarda do seu filho Athos, de 4 anos. A mulher, que foi vĂ­tima de violĂȘncia domĂ©stica, havia perdido a guarda do menino para as autoridades da Dinamarca apĂłs ter se divorciado do pai da criança, um dinamarquĂȘs que atualmente estĂĄ preso.

HĂĄ trĂȘs meses, a Justiça dinamarquesa colocou a criança sob a tutela de uma famĂ­lia da Dinamarca para adoção, alegando que Raquel nĂŁo possuĂ­a um endereço fixo no paĂ­s e, portanto, nĂŁo seria apta para cuidar do filho. Desde entĂŁo, a brasileira tinha o direito de ver o filho em visitas mensais de trĂȘs horas.

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Imagens concedidas ao MetrĂłpoles2 de 2

Imagens concedidas ao MetrĂłpoles

Em fevereiro deste ano, o Instituto Pró-Vítima acionou formalmente o governo federal brasileiro para intervir no caso por meio dos ministérios da Mulher, das RelaçÔes Exteriores e da Igualdade Racial. O movimento levou à abertura de inquérito policial e à revisão da decisão da Vara da Família dinamarquesa.

Raquel ainda precisa aguardar o agendamento de uma nova audiĂȘncia judicial para voltar a conviver diariamente com o filho, o que deve acontecer nos prĂłximos meses.

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Entenda a histĂłria

  • HĂĄ cinco anos, Raquel, que trabalhava como representante comercial em SĂŁo Paulo, se casou com o dinamarquĂȘs Rasmus Grarup Nielsen e passou a viver em Copenhague.
  • O casal teve o filho Athos, e passou a viver em HĂžje-Taastrup, municĂ­pio do Condado de Copenhague.
  • ApĂłs passar por agressĂ”es e ameaças, a brasileira se divorciou.
  • Uma das acusaçÔes contra Rasmus engloba possĂ­vel estupro do pai contra a criança.
  • Ele estĂĄ preso por ameaçar servidores pĂșblicos.
  • Raquel precisou se mudar vĂĄrias vezes de endereço por conta de perseguição do ex-marido.
  • Ela voltou ao Brasil em meio ao trĂąmites burocrĂĄticos, em audiĂȘncias pela guarda do filho
  • Como o pai da criança estĂĄ detido, a Prefeitura de HĂžje-Taastrup entregou o menino a uma famĂ­lia substituta e havia entendido que Raquel nĂŁo tinha condiçÔes de criar Athos.
  • ApĂłs intervenção do governo federal brasileiro, a Justiça do paĂ­s escandinavo reverteu a decisĂŁo da Vara da FamĂ­lia e concedeu a custĂłdia unilateral da criança para a mĂŁe.

Xenofobia

Para a presidente do PrĂł-VĂ­tima, Celeste Leite dos Santos, promotora do MinistĂ©rio PĂșblico de SĂŁo Paulo (MPSP), a medida adotada pela Prefeitura de HĂžje-Taastrup Ă© condenĂĄvel. Segundo ela, o caso pode estar atrelado Ă  xenofobia.

“Preferiram tirar a criança da mĂŁe, passar a guarda para uma pessoa manifestamente inapta para a função (o pai, preso), para, por fim, entregarem o menino Ă  adoção. Em vez de fornecer proteção e apoio Ă  vĂ­tima do prĂłprio marido, o governo, possivelmente por ausĂȘncia de legislação adequada, permeia a vida desta mulher com ainda mais sofrimento. Mais triste ainda Ă© termos acionado as autoridades brasileiras para intervirem no caso, sem que se tenha notĂ­cia da adoção de nenhuma medida concreta nem mesmo uma nota de censura”, avaliou, em nota.

 

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