Natural de SĂŁo Paulo, Raquel Bezerra do Vale, de 35 anos, conseguiu recuperar a guarda do seu filho Athos, de 4 anos. A mulher, que foi vĂtima de violĂȘncia domĂ©stica, havia perdido a guarda do menino para as autoridades da Dinamarca apĂłs ter se divorciado do pai da criança, um dinamarquĂȘs que atualmente estĂĄ preso.
HĂĄ trĂȘs meses, a Justiça dinamarquesa colocou a criança sob a tutela de uma famĂlia da Dinamarca para adoção, alegando que Raquel nĂŁo possuĂa um endereço fixo no paĂs e, portanto, nĂŁo seria apta para cuidar do filho. Desde entĂŁo, a brasileira tinha o direito de ver o filho em visitas mensais de trĂȘs horas.
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Imagens concedidas ao MetrĂłpoles
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Em fevereiro deste ano, o Instituto PrĂł-VĂtima acionou formalmente o governo federal brasileiro para intervir no caso por meio dos ministĂ©rios da Mulher, das RelaçÔes Exteriores e da Igualdade Racial. O movimento levou Ă abertura de inquĂ©rito policial e Ă revisĂŁo da decisĂŁo da Vara da FamĂlia dinamarquesa.
Raquel ainda precisa aguardar o agendamento de uma nova audiĂȘncia judicial para voltar a conviver diariamente com o filho, o que deve acontecer nos prĂłximos meses.
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Entenda a histĂłria
- HĂĄ cinco anos, Raquel, que trabalhava como representante comercial em SĂŁo Paulo, se casou com o dinamarquĂȘs Rasmus Grarup Nielsen e passou a viver em Copenhague.
- O casal teve o filho Athos, e passou a viver em HĂžje-Taastrup, municĂpio do Condado de Copenhague.
- Após passar por agressÔes e ameaças, a brasileira se divorciou.
- Uma das acusaçÔes contra Rasmus engloba possĂvel estupro do pai contra a criança.
- Ele estĂĄ preso por ameaçar servidores pĂșblicos.
- Raquel precisou se mudar vårias vezes de endereço por conta de perseguição do ex-marido.
- Ela voltou ao Brasil em meio ao trĂąmites burocrĂĄticos, em audiĂȘncias pela guarda do filho
- Como o pai da criança estĂĄ detido, a Prefeitura de HĂžje-Taastrup entregou o menino a uma famĂlia substituta e havia entendido que Raquel nĂŁo tinha condiçÔes de criar Athos.
- ApĂłs intervenção do governo federal brasileiro, a Justiça do paĂs escandinavo reverteu a decisĂŁo da Vara da FamĂlia e concedeu a custĂłdia unilateral da criança para a mĂŁe.
Xenofobia
Para a presidente do PrĂł-VĂtima, Celeste Leite dos Santos, promotora do MinistĂ©rio PĂșblico de SĂŁo Paulo (MPSP), a medida adotada pela Prefeitura de HĂžje-Taastrup Ă© condenĂĄvel. Segundo ela, o caso pode estar atrelado Ă xenofobia.
âPreferiram tirar a criança da mĂŁe, passar a guarda para uma pessoa manifestamente inapta para a função (o pai, preso), para, por fim, entregarem o menino Ă adoção. Em vez de fornecer proteçaÌo e apoio Ă vĂtima do prĂłprio marido, o governo, possivelmente por ausĂȘncia de legislaçaÌo adequada, permeia a vida desta mulher com ainda mais sofrimento. Mais triste ainda Ă© termos acionado as autoridades brasileiras para intervirem no caso, sem que se tenha notĂcia da adoção de nenhuma medida concreta nem mesmo uma nota de censuraâ, avaliou, em nota.
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