Marina Silva é homenageada em pelo menos oito capitais após ataques no Senado; confira

Bittar diz que não atacaria a ministra como fizeram seus colegas senadores; “combato as ideias dela e não o ser humano Marina Silva”, diz o parlamentar

Após homenagem da Seleção Brasileira Feminina antes de jogo amistoso contra a seleção do Japão, na Neo Química Arena, em São Paulo, na sexta-feira (30), a ministra do Meio Ambiente Marina Silva voltou a ser homenageada no Brasil em função dos ataques sofridos, no início da semana passada, durante uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado. No domingo (1), as homenagens à ministra acreana foram registradas em pelo menos oito capitais brasileiras.

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Marina Silva/Foto: Reprodução

Na última semana, a ministra foi alvo de ataques no Senado. Marina se retirou de uma sessão da Comissão de Infraestrutura na última terça (27), em meio a bate-boca com senadores, e após ouvir do líder do PSDB, senador Plínio Valério (AM), que ela não merecia respeito.

Valério já havia dito, em outra sessão, que tinha desejado enforcá-la. O embate entre Valério e Marina aconteceu pouco tempo após o Senado aprovar o projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental, o que ocorreu no dia 21, com impulso do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e com apoio de parte do governo.

O projeto foi apelidado por ambientalistas de “mãe de todas as boiadas” e “PL da Devastação”.

A proposta enxuga instrumentos de consulta, pode impulsionar atividades de risco – como a exploração de Foz do Amazonas, a mineração, empreendimentos de infraestrutura, e a BR-319 – e deixar sem proteção contra desmatamento quase 20 milhões de hectares possivelmente impactados pelo Novo PAC.

Nas manifestações espalhadas pelo Brasil, os manifestantes também foram às ruas para protestar contra o projeto de lei 2159/2021, que flexibiliza e simplifica o licenciamento ambiental, além de apoiarem a ministra. Na Avenida Paulista, em São Paulo, a passeata começou por volta das 14h e abraçou também a defesa de Marina.

“É inacreditável que uma autoridade seja tratada com tanto desrespeito”, disse a socióloga Claudia Paes, 55, que participava do ato na Paulista. “Mas a gente sabe o que é ser mulher neste país”, declarou à Folha de S. Paulo.

Marina Silva, nascida no Acre, onde iniciou sua carreira política como militante petista e foi eleita vereadora em Rio Branco em 1988, deputada estadual em 1990 e senadora da República em 1994, aos 34 anos de idade, é deputada federal licenciada por São Paulo, agora filiada à Rede Sustentabilidade.

Nos movimentos de rua deste domingo, os manifestantes também criticam a reação do governo Lula (PT) à situação de Marina. “Cadê o presidente defendendo em rede nacional o trabalho da própria ministra?”, questionou o motorista Vicente de Paula, 37 anos.

“Não era o governo Bolsonaro que defendia a destruição do meio ambiente? Parece que este é igual”, afirmou a estudante de engenharia ambiental Grazielle Gomes, 25. “Precisamos nos mobilizar contra os ataques à nossa riqueza natural. Em pleno ano de COP, qual a imagem que queremos passar ao mundo?”.

Em Manaus, manifestantes reunidos na Praça da Matriz defenderam que o projeto de lei fragiliza a proteção da Amazônia.

No Rio de Janeiro, manifestantes se concentraram na Praia Vermelha, na zona sul. Além de cartazes e faixas em apoio a Marina Silva, o ato lembrou o plano de instalação de uma tirolesa no Pão de Açúcar. O projeto da concessionária que administra o ponto turístico, autorizado pelo Iphan, foi alvo de ação civil pública da Procuradoria e está em discussão no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Em Brasília, o encontro foi no Eixão, via que fica fechada para carros aos domingos. No ato, havia pedidos para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), arquivar a proposta. Também havia cartazes de protesto aos planos de exploração da Petrobras na Foz do Amazonas.

Um cartaz na capital federal dizia “somos todas Marina”.

Em Belo Horizonte, alguns manifestantes usavam máscaras com o rosto de Marina, que foi aplaudida durante o ato.

Na capital mineira, o ato teve início na Praça Liberdade e os participantes percorreram ruas da região, com bandeiras, cartazes e faixas – uma delas dizia “licenciamento ambiental não é burocracia”.

Logo após a homenagem que recebeu da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, a ministra Marina Silva utilizou suas redes sociais para falar sobre o assunto. Ela destacou que sua reação no Senado foi uma reação em defesa da mulher brasileira e disse que o comportamento dos senadores referenda a discriminação e à violência contra a mulher no país.

Membro da bancada da região amazônica e também adversário de Marina Silva e suas ideias, o senador acreano Márcio Bittar (UB-AC) não apareceu fazendo ataques à ministra. Ele não participou da sessão porque estava hospitalizado após fazer uma cirurgia de correção do septo no nariz. “Mas se lá estivesse, eu não faria aqueles ataques”, disse o senador, embora sem criticar os colegas Omar Azize (PSD-AM), Plínio Valério (PSDB-AM) e Marcos Rogério (PL-RO).

“Eu não o faria por ela ser acreana, ser mulher e por respeitá-la como ser humano e figura pública. Na verdade, eu combato as ideias que ela defende e não o ser humano Marina Silva. Cada qual luta por seus ideais. Respeito as ideias dela, mas as combato, porque creio que o desenvolvimento de todo um país não pode ficar adstrito aos ideais de uma pessoa. É isso que combato”, disse Márcio Bittar.

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