O torcedor do Flamengo que assistiu à vitória do Chelsea por 2 a 0 contra o Los Angeles FC, na abertura do Grupo D da Copa do Mundo de Clubes, nesta segunda-feira, pode ter a impressão de que o clube inglês não é um bicho-papão e que os americanos não são tão fracos assim. Faz sentido, mas fato é que o Chelsea não fez muita força para bater o LA FC na estreia, o que deixou o jogo aberto no segundo tempo.
Não que os jogadores do Chelsea não tenham levado o jogo a sério. A questão é que o primeiro tempo não teve sustos para os ingleses, que depois que abriram o placar, diminuíram a concentração na etapa final. O Los Angeles se lançou ao ataque e impôs dificuldades ao time de Londres, sobretudo com o bom atacante Bouanga. No jogo contra o Flamengo, é natural que o Chelsea seja mais exigido e entre em outra rotação desde o início, ainda mais depois dos sustos desta segunda. E o Los Angeles também ameaçará o Rubro-Negro, como ameaçou os ingleses.
Primeiro tempo de domínio em todos aspectos
A começar pela escalação, Enzo Maresca poupou um de seus principais jogadores no time titular: Enzo Fernández. Destaque da seleção argentina campeã do mundo, o volante iniciou a partida no banco de reservas dando lugar a Lavia.
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Enzo Fernandez comemora gol do Chelsea — Foto: Reuters
Isso mexeu no esquema do Chelsea. Quando tinha a bola, o time atacava em 3-2-5, com o lateral Cucurella sendo um meia por dentro ao lado de Palmer, enquanto Pedro Neto e Madueke ficavam nas pontas. Reece James, lateral-direito, formava uma linha de três na defesa. Os ingleses pressionavam bastante a saída de bola do Los Angeles, que se defendia em um 4-5-1.
As melhores chances do Chelsea foram justamente quando o Los Angeles FC tentou sair para o jogo. Assim nasceu o gol de Pedro Neto, que abriu o placar. Jackson, que sai bastante da área para ajudar na criação, puxou belo contra-ataque com passe para português marcar um golaço. Os ingleses haviam chegado antes com Madueke, que é muito veloz, mas peca com frequência nas decisões.
Segundo tempo de sustos e novo castigo aos americanos
No intervalo da partida, Maresca tirou Lavia e Reece James e colocou Enzo Fernández e Malo Gusto. O Chelsea ganhou qualidade no meio de campo, mas perdeu força na defesa. Se James havia sido intransponível na defesa durante o primeiro tempo, Gusto teve muitas dificuldades com Boaunga na etapa final. O lateral inglês é muito mais seguro que o francês defensivamente.
Além disso, as substituições também impactam no setor de meio de campo. Cucurella deixou de ser um meia avançado ao lado de Palmer e virou um volante ao lado de Caicedo. Enzo ganhou o papel mais avançado, e os velozes Madueke e Neto seguiram inabaláveis nas pontas.
No segundo tempo, o Los Angeles entendeu aquele que parece ser o caminho para o Flamengo contra o Chelsea: os lados da defesa londrina. Cucurella trabalha como volante ou meia avançado, quando o time tem a bola, e dá espaços na marcação em contra-ataques. Gusto, se titular, é inconsistente na defesa.
Aos 11, Igor Jesus lançou Bouanga nas costas de Gusto, e o atacante do LA FC quase empatou a partida, parando no goleiro Robert Sánchez. Aos 32, nas costas de Cucurella, Igor lançou Tillman, que cruzou na área para Giroud, mas a defesa londrina afastou. Na sobra, Bouanga cruzou na área, mas ninguém converteu a chance. Os americanos tiveram quatro chances de empatar no mesmo lance.
O Chelsea sentiu a pressão, foi ao ataque e… matou o jogo dois minutos depois. Novamente pela direita, assim como no gol do 1º tempo, os ingleses chegaram com Palmer, que encontrou Delap nas costas da defesa em profundidade — atacante reforço para o Mundial. O jogador cruzou para Enzo marcar o segundo e fechar o placar.
O que ficar de olho no Chelsea?
O comportamento do time sem a bola no primeiro tempo foi de muita intensidade na marcação. A equipe de Maresca joga no campo do adversário, pressionando alto, com os zagueiros quase na linha do meio de campo. Na defesa e no ataque, tudo passa por Moisés Caicedo, volante da seleção do Equador. O Chelsea usa muito os lados do ataque, mas pode ser mais letal por dentro, com Palmer e Enzo. O meia inglês tem boa finalização de fora da área e muita visão de jogo, e o argentino é completo.
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Palmer comemora gol de Pedro Neto em Chelsea x Los Angeles FC — Foto: Reuters/Dale Zanine
A defesa, no entanto, dá espaços, sim. Principalmente pelos lados do campo. Se o Flamengo roubar a bola do Chelsea e atacar as costas de Gusto ou Cucurella rapidamente, levará perigo, como Bouanga e David Martínez levaram no segundo tempo. Quando o Los Angeles se lançou ao ataque, teve boas oportunidades, mas parou em Sánchez ou na limitação dos próprios jogadores.
O que ficar de olho no Los Angeles?
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Bouanga, atacante do Los Angeles, contra o Chelsea — Foto: Peter Zay/Anadolu via Getty Images
A maior ameaça, sem dúvidas, é Bouanga. O atacante gabonês é veloz, driblador e finaliza bem. São 129 jogos, 81 gols e 37 assistências com a camisa do LA FC desde 2022. David Martínez é uma promessa venezuelana, que tem habilidade pela ponta direita. Mas um destaque da partida contra o Chelsea foi um velho conhecido do Flamengo: o volante Igor Jesus, cria da base do clube. Ele se destacou bem na marcação no meio de campo e em lançamentos para as pontas. Giroud, nome mais conhecido do time, entrou no segundo tempo e praticamente não tocou na bola, mas é uma ameaça constante pelo alto.
No entanto, o time tem muitas limitações e está bem abaixo do Chelsea e do Flamengo em níveis táticos e técnicos. A equipe tem problemas para manter a posse de bola por muito tempo e foi dominada enquanto a concentração dos ingleses estava alta na partida. O maior problema, no entanto, são os espaços na defesa que eles cedem aos adversários. O time não tem medo de jogar, mas se defende mal. Flamengo terá espaço para jogar.
