Com ares de espetáculo e timing digno de reality show, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (24) um cessar-fogo entre Israel e Irã, poucos dias após o envolvimento direto dos EUA em ataques contra instalações nucleares iranianas.
A declaração foi feita na plataforma Truth Social, onde Trump celebrou o fim de uma guerra que ele mesmo apelidou de “Guerra dos 12 dias”. A movimentação revela não só a tentativa de conter o avanço do conflito, mas também o desejo de se desvincular rapidamente de uma guerra que o presidente alega não ter iniciado por vontade própria, mas sim por pressão do aliado israelense.

Netanyahu, Trump, Khamenei — Foto: g1
“Eles avisaram antes”: a trégua coreografada
No último sábado (21), os Estados Unidos entraram oficialmente no confronto com um bombardeio a três instalações nucleares do Irã. Em resposta, o regime iraniano lançou mísseis contra a base americana de Al Udeid, no Catar. Segundo Trump, os iranianos teriam até “avisado com antecedência” sobre o ataque, o que permitiu que não houvesse vítimas nem danos significativos. “Foi uma resposta muito fraca”, disse o presidente.
Apesar do tom de alívio nas postagens, o cenário permanece delicado. Houve novas denúncias de violações do cessar-fogo com trocas de mísseis que indicam que o conflito ainda está longe de uma resolução definitiva.
Três líderes, três públicos internos
Trump, Benjamin Netanyahu (primeiro-ministro de Israel) e o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, têm algo em comum: todos estão focados em como suas ações serão recebidas dentro de seus próprios países.
Nos EUA, a opinião pública demonstra resistência a mais uma guerra no Oriente Médio. Ao prometer um fim rápido ao conflito com o Irã, Trump reforça sua imagem de líder que busca soluções pacíficas — pelo menos no discurso.
Netanyahu, por outro lado, tenta sustentar a narrativa de que Israel conseguiu enfraquecer significativamente o programa nuclear iraniano, com a ajuda dos EUA. Já Khamenei, mesmo escondido com a família em um bunker após os ataques, tentou demonstrar firmeza ao publicar uma imagem da bandeira americana em chamas com a mensagem: “Não nos renderemos à agressão de ninguém”.
Cessar-fogo frágil e futuro incerto
Embora os três líderes sinalizem disposição para encerrar o conflito, o cessar-fogo parece instável. O Irã organizou manifestações celebrando sua resposta aos EUA, e ainda não está claro o quanto foi destruído das instalações nucleares iranianas. O que se sabe, até agora, é que a ofensiva matou dezenas de cientistas e comandantes militares do país persa.
No tabuleiro geopolítico, a busca agora é por saídas honrosas — seja para justificar ações passadas ou evitar novos confrontos — enquanto o risco de escalada continua rondando cada movimento.
🔗 Fonte original: g1.globo.com
Matéria reescrita por ContilNet.
