Death stranding 2: on the beach é, sem dúvida, um dos lançamentos mais aguardados de 2025, e as mais de 30 horas de gameplay antecipadas justificam essa expectativa. O jogo da kojima productions, idealizado por hideo kojima, combina elementos de RPG, estratégia, exploração em mundo aberto e terror, tudo imerso em uma atmosfera cinematográfica única. sam (interpretado por norman reedus) e lou estão de volta, assim como fragile, que agora comanda uma nova empresa de entregas e conta com a ajuda do porter para expandir as conexões quirais globalmente.
Assim como na jornada anterior pelos antigos estados unidos, reconectando a UCA (cidades unidas da américa), sam agora precisa replicar esse feito no méxico e na austrália. A narrativa se desenvolve de forma menos entediante que no primeiro jogo, com gameplay relevante desde o início. O techtudo testou death stranding 2 antecipadamente e traz suas impressões completas sobre o título, que se posiciona como um forte candidato a game of the year (goty) em 2025 no the game awards. Vale lembrar que ds2 é exclusivo do playstation 5 (ps5) e está disponível por R$ 349,90.

Death Stranding 2
A história retoma de onde parou
death stranding 2 inicia-se quase um ano após os eventos do primeiro jogo. Uma cinematic inicial explica o desdobramento da UCA após a reconexão à rede quiral e o fim das empresas bridges e fragile express. fragile criou a nova drawnbridge, enquanto a apac substituiu a bridges, gerenciando as tecnologias e terminais do jogo.
A conexão entre o mundo dos mortos e dos vivos permanece, com maior instabilidade de tempestades e explosões de tar, o líquido preto que “engole” construções e seres, de onde surgem muitos dos BTs. Esse fenômeno intensificou-se após a conexão completa da UCA à rede quiral, levantando o questionamento se essa ação foi realmente benéfica. Em meio a isso, sam isolou-se com lou, oferecendo um lar seguro para o BB, que agora tem um ano de idade em ds2.
A trama se desenrola quando fragile visita sam e lou, solicitando a ajuda do porter para reconectar o méxico. Apesar da relutância inicial, sam aceita, em um capítulo introdutório que equilibra bem gameplay e cinematics, explicando a anomalia que dominou o mundo. O jogo permite relembrar, gradualmente, a dinâmica de exploração, que envolve o transporte de carga com uma mecânica única de equilíbrio.
Após a conexão do méxico, sam recebe uma longa mensagem de deadman (guillermo del toro), que conduziu pesquisas sobre o death stranding e o mundo dos mortos. O personagem oferece respostas concretas sobre o passado de sam e indica os próximos passos, marcando um ponto de virada na história para os capítulos seguintes na austrália.
Novo continente e personagens
Após eventos cruciais, sam e fragile embarcam em uma nova aventura na franquia a bordo da DHV magellan, rumo à austrália. Um portal no ponto mais ao sul do méxico permite uma espécie de teletransporte através do tar, o oceano do mundo dos mortos. Essa novidade permite encurtar distâncias e facilitar o acesso a novas áreas.
Na nave (ou submarino), sam conhece dollman, seu novo companheiro que o acompanha, oferecendo comentários, dicas e auxílio na exploração, em uma dinâmica semelhante à de mimir em god of war.
Outro membro da equipe é tarman, um capitão australiano que perdeu a mão para o oceano de tar e agora consegue guiar a embarcação por esse líquido preto, facilitando viagens rápidas. O financiamento dessa empreitada vem de charlie, que aparece apenas através de um dummy que pode assumir a voz de alguém de confiança para sam (die-hardman, deadman ou lockne).
Ao percorrer o território australiano, sam encontra rainy, uma stillmom (responsável por gestar os BBs) com o poder de atrair a chuva, um fenômeno perigoso em death stranding que causa apodrecimento. No entanto, as águas próximas a rainy e as superfícies que ela toca retornam ao estado original, revertendo o efeito da chuva. Essa habilidade explica como fragile recupera seu aspecto jovem.
Outra personagem importante é tomorrow, encontrada por sam após uma viagem indesejada ao mundo dos mortos. Ela possui a mesma “habilidade” da chuva em death stranding, acelerando a passagem do tempo nos objetos que toca – o oposto de rainy. tomorrow também se mostra forte em combate, usando o tar para surpreender inimigos.
No mundo dos mortos, sam também conhece neil, que ele enfrenta como um “homem misterioso”, lembrando snake de metal gear. Ambos surgem em outro momento de virada na história, trazendo novidades à narrativa da cruzada de sam pela austrália.
Gameplay mantém a essência, mas com desafios desde o início
A gameplay de death stranding 2 segue a linha do primeiro jogo: você controla sam em um mundo aberto, coletando e entregando pedidos em diversos pontos. Esse trabalho é crucial para transportar equipamentos médicos, armas, materiais e impressoras quirais entre cidades, vilas e centros de pesquisa. Os preppers, indivíduos isolados em vilas, avaliam as entregas de sam, liberando novos equipamentos para facilitar seu trabalho.
Diferente do ds1, a sequência já apresenta desafios maiores desde o começo. O early game no méxico já coloca sam para enfrentar BTs (que no primeiro jogo eram mais focados em fuga), MULEs (milícias armadas) e explorar terrenos instáveis para suas encomendas. A mecânica de equilíbrio, usando os gatilhos L2 e R2, está de volta, assim como o scanner odradek para encontrar itens e inimigos.
Novas formas de exploração
Uma adição interessante em ds2 é a parceria com dollman. O personagem, uma marionete falante, auxilia sam a explorar territórios hostis e traçar estratégias. Ao arremessar dollman para o alto, ele se fixa no céu, destacando ameaças no caminho do porter. Embora não seja muito eficiente, ele também pode ser lançado contra inimigos para distraí-los.
Outro recurso que facilita a exploração é a possibilidade de usar a DHV magellan para viajar entre postos. Esse teletransporte é um grande facilitador para acelerar as entregas e pode ser usado livremente (exceto em momentos específicos da história), transportando todo o conteúdo da nave instantaneamente para o ponto escolhido. São locais específicos e pré-determinados, mas suficientes para entregas rápidas e eficientes.
Mais para o final do jogo, um novo meio de transporte surge: o transponder. Essa tecnologia, disponível em safehouses ou centros de distribuição maiores, agiliza as entregas em um mapa significativamente maior que o do primeiro jogo.
O jogo também introduz rapidamente veículos terrestres para acelerar as viagens. Embora a exploração a pé seja interessante, o tédio pode surgir após as primeiras missões. No ds1, a chegada dos veículos foi um divisor de águas, permitindo acelerar a campanha e imergir no jogo.
Assim, ds2 oferece uma nova dinâmica, apesar das mais de 30 horas de gameplay prometidas. É importante notar que esse tempo é uma previsão; é praticamente impossível concluir tudo nesse período, já que o jogador desejará tirar fotos, fazer entregas extras e explorar o universo de death stranding.
Novo sistema de progressão e menus repaginados
Ao chegar na austrália, sam ganha acesso a uma nova árvore de habilidades com os aprimoramentos APAS. Essas modificações se somam ao desenvolvimento físico de sam (fôlego, resistência, força, sensibilidade a BTs, etc.) e à reputação conquistada nas entregas, que também abrem novos caminhos para o porter. Com isso, é possível melhorar o scanner odradek, o dano de armas de fogo, e liberar tecnologias de identificação de inundação e BTs, entre outras. São basicamente modificações atualizadas por firmware, mantendo a verossimilhança do jogo.
Os menus seguem a lógica do ds1, mas com uma organização mais intuitiva. Eles são acessados pelo botão start, que ativa um anel no polegar de sam (ao invés da pulseira do primeiro jogo). É possível acessar a social strand para interagir com fotos, receber pedidos de ajuda como quests secundárias e acompanhar as tarefas. O planejamento de rotas ainda pode ser um pouco complexo no início, mas é possível se adaptar com o tempo.
E o combate?
A experiência de combate em death stranding 2 remete à fase final do primeiro jogo. A monotonia do early game é superada; não é mais necessário fugir de BTs nem depender do stealth contra MULEs. Esses inimigos humanos são relativamente fáceis de enfrentar, e a maioria das armas é neutralizante, não letal. Isso elimina a preocupação de matar inimigos e ter que lidar com BTs ou transportar corpos para o crematório.
Uma novidade interessante é o bumerangue, desbloqueado por sam ao longo da jornada. Ele pode ser sujo com o sangue do protagonista (que sofre de DOOMs e retorna do mundo dos mortos após falhas) e usado para destruir BTs. Contra inimigos humanos, o efeito não é o mesmo, mas pode ser uma boa tática de distração.
Novas armas e bombas estão disponíveis em ds2, incluindo granadas de sangue que não exigem o sangue de sam para funcionar contra BTs. Isso se deve à evolução da tecnologia de células sintéticas produzidas a partir de pacientes com DOOMs após a ligação da UCA. Essa pequena diferença facilita bastante os combates, eliminando a necessidade constante de buscar bolsas de sangue para recuperar a saúde.
Embora não seja mais tão exigida, a abordagem stealth em campos de MULEs – que na austrália aparecem como brigands ou armed survivalists (sobreviventes armados, independentes do governo e contra a APAC) – ainda é vantajosa. Novas bombas, além das frags e smokes, permitem criar um avatar de sam para atrair a atenção dos inimigos.
Isso ajuda tanto a aproximá-los para neutralizá-los em combate corpo a corpo quanto a fugir, permitindo que sam cumpra seus objetivos sem chamar atenção. De qualquer forma, os confrontos contra humanos são mais confortáveis; se algo der errado, basta se esconder e esperar para abatê-los com as mãos (ou com a corda).
Para evitar que o jogo se torne fácil demais, enfrentar BTs na austrália deixa de ser trivial. Novos tipos dessas almas penadas conseguem enxergar, dificultando a vida de sam. Um dos locais do mapa, acessado nas primeiras missões no país, é bastante desafiador. Chegar lá pode ser complicado, exigindo que o jogador se esconda e até corra desses novos BTs vigilantes – logo após reaprender a atacar BTs “normais” com bombas de sangue e derrotá-los facilmente. O novo tipo também é bem resistente, tornando o ataque menos prático.
Além dos BTs e MULEs, uma nova ameaça surge em ds2: os mechas-fantasma. Embora pareçam robôs, eles não dependem de rede nem possuem sistema próprio, agindo como se tivessem almas. Em termos de gameplay, são praticamente imunes às armas de sam, exceto em pontos específicos, dificultando o combate. Os mechas não aparecem com tanta frequência, mas também surgem do tar e têm relação com outro antagonista da drawnbridge, o velho conhecido higgins (que está de volta).
Alguns problemas resolvidos… outros nem tanto
Como mencionado, o jogo está bem menos monótono, especialmente na primeira parte. death stranding demorou a quebrar o ritmo das cutscenes, levando muitos jogadores a desistir inicialmente. Havia muitas cenas e explicações, com pouca objetividade em termos de gameplay, ou seja, muito tempo de tela para pouca ação. Agora, kojima ajustou esse ritmo, misturando bem os dois elementos. O jogador aprende sobre a situação do mundo e já entra em ação sem muita conversa, com uma progressão bem ajustada.
Os menus também foram melhor organizados, o que merece destaque. Da mesma forma, os aprimoramentos APAS oferecem uma nova dinâmica para montar a “build” do personagem. A fluidez do jogo é muito boa, e o jogador não precisa mais se esforçar tanto para entender a gameplay.
Por outro lado, o jogo continua bastante complexo. Se você tem curiosidade pelo universo de kojima e não jogou ds1, a experiência pode ser confusa, pois muitas informações do jogo original são apenas citadas. No entanto, é possível consultar o corpus, uma enciclopédia disponível no menu do jogo.
Além disso, a história parece um pouco travada em alguns momentos, e são muitas horas de gameplay para desenvolver a narrativa. Quem gosta de jogos longos vai adorar, mas, ao mesmo tempo, é uma proposta diferente de jogos de aventura com um arco principal mais “solto”, que oferece mais liberdade para explorar. Aqui, a sensação é de desenvolver a história a cada pequeno detalhe da gameplay, mesmo ao desviar da rota para encontrar novos preppers ou construir rodovias e plataformas de monotrilho.
Dependendo do tipo de jogador, death stranding 2 pode ser como assistir a uma série como dark, que exige reflexão, mas faz muito sentido no final. Na minha opinião, vale a pena, mas isso é uma questão de preferência pessoal.
Afinal, death stranding 2 vale a pena?
Para mim, vale muito a pena. Se você jogou death stranding 1 e ficou com muitas dúvidas, death stranding 2 responderá muitas delas, mas também trará novas perguntas. É uma sequência visualmente deslumbrante, com gráficos cinematográficos e uma história envolvente, além de manter a gameplay criativa apresentada por kojima no primeiro ds. Essas qualidades posicionam o título entre os favoritos para o “oscar dos games”, o the game awards, em dezembro. Não é exagero afirmar que death stranding 2 é um forte candidato para competir com clair obscur: expedition 33, que, na minha opinião, é o mais cotado até agora em 2025.
Ainda assim, devido à quantidade massiva de conteúdo, a sequência pode ser vista como um jogo de nicho, o que poderia afastá-lo do prêmio de goty. Minha principal sugestão para quem se interessar por ds2 e não jogou o primeiro, é jogar ds1 antes de partir para a sequência – o que não torna o jogo pior, muito pelo contrário.
fonte: techtudo redigido por contilnet.
