Ubisoft pede para jogadores “destruírem” jogos descontinuados

Cláusula em contrato de licença levanta críticas e reacende debate sobre a posse de jogos digitais

A Ubisoft se tornou alvo de críticas após internautas identificarem um detalhe controverso no Contrato de Licença de Usuário Final (EULA) da empresa, incluído após uma atualização recente. Segundo o documento, se um jogo for descontinuado ou tiver seu suporte encerrado, os usuários finais não apenas perdem o acesso ao título, como também devem destruir todas as cópias que possuírem, tanto em mídia física quanto digital.

No X (antigo Twitter), a Ubisoft divulgou uma nota explicando o caso. A empresa afirmou que o trecho faz parte do regulamento há mais de 10 anos e que será revisado para que as políticas “reflitam as expectativas dos jogadores e a evolução natural da nossa indústria”. A seguir, entenda a polêmica sobre a cláusula, que também envolve outras editoras de games.

Entenda polêmica e por que Ubisoft quer que jogadores destruam seus jogos velhos — Foto: Divulgação/Ubisoft

O que diz a cláusula e o contexto da polêmica

O EULA concede à Ubisoft total liberdade para interromper o suporte a um jogo sem precisar de justificativa. O documento, no item oito, afirma que, caso isso ocorra, “você deve desinstalar imediatamente o Produto e destruir todas as cópias deste em sua posse”. Este trecho está disponível na íntegra no site oficial da Ubisoft.

O episódio ganhou destaque em meio à crescente visibilidade do movimento gamer Stop Killing Games, que busca preservar videogames após sua desativação e ganhou força especialmente após a descontinuação de títulos como The Crew, XDefiant e Concord, que se tornaram inutilizáveis por serem exclusivamente online.

É importante destacar, porém, que esse tipo de cláusula não é novidade e tampouco exclusiva da Ubisoft. Ela também está presente em títulos de outras editoras. Por exemplo, pode ser encontrada nos EULAs de diversos jogos disponíveis na Steam, como The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered e Metaphor: ReFantazio, publicados por Bethesda Softworks e SEGA, respectivamente.

Posição da Ubisoft

Segundo a Ubisoft, o trecho não é nada novo e foi incluído no regulamento para deixar claro aos usuários que, ao fim de uma licença, “o usuário não tem mais direito de acessar ou utilizar o produto”. A empresa afirma que a linguagem utilizada pode parecer “pesada” e garantiu que vai revisar a cláusula. Veja o comunicado na íntegra, traduzido do inglês:

“Nós vimos notícias recentes sobre o Acordo de Licença para Usuário Final (EULA), focando em uma cláusula relacionada ao que acontece quando uma licença acaba. Obrigado por levantar essa questão!

Como notamos em alguns artigos, essa cláusula não é nova – é parte do nosso EULA há mais de 10 anos. Foi pensada originalmente como uma provisão legal formal para esclarecer que, quando uma licença acaba, o usuário não tem mais direitos de acessar ou utilizar o produto.

Entendemos que a linguagem na cláusula pode soar estranhamente pesada ou fora de compasso em relação a como os jogadores experienciam e valorizam seus jogos, e estamos revisando essa cláusula como parte dos nossos esforços contínuos para garantir que nossas políticas reflitam as expectativas dos jogadores e a evolução natural da nossa indústria.”


Fonte: Tech Tudo

Redigido por ContilNet.

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