Banco Central volta a justificar estouro da meta de inflação em nova carta a Haddad

carta aberta ao ministro da Fazenda explicar os motivos que levaram ao novo descumprimento da meta de inflação

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, divulgará nesta quinta-feira (10), às 18h, uma nova carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para explicar os motivos que levaram ao novo descumprimento da meta de inflação. Esta será a segunda vez, em apenas seis meses, que o chefe da autoridade monetária precisa apresentar justificativas formais por ultrapassar o limite estabelecido pelo sistema de metas.

Galípolo já havia enviado uma carta anterior em janeiro, ao assumir o comando do BC, justificando o estouro da meta de 2024 ainda sob a gestão de seu antecessor/Foto: Reprodução

O alerta foi acionado após o IBGE divulgar, nesta semana, que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, acumulou alta de 5,35% nos 12 meses encerrados em junho. O número supera o teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5% considerando uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual acima e abaixo do centro da meta, que é de 3%.

Desde janeiro deste ano, o país adota um modelo de metas contínuas, em que a avaliação da inflação não está mais atrelada ao ano-calendário (janeiro a dezembro), mas sim ao desempenho acumulado em 12 meses. Se os preços se mantiverem fora do intervalo permitido por seis meses consecutivos, o Banco Central é obrigado a enviar uma explicação formal ao Ministério da Fazenda que também preside o CMN.

Galípolo já havia enviado uma carta anterior em janeiro, ao assumir o comando do BC, justificando o estouro da meta de 2024 ainda sob a gestão de seu antecessor, Roberto Campos Neto. Na ocasião, ele apontou fatores como a valorização do dólar, o aquecimento econômico, condições climáticas adversas e deterioração nas expectativas do mercado como causas principais da inflação elevada.

Durante uma audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados nesta semana, Galípolo demonstrou desconforto ao mencionar que já precisará enviar uma nova carta. “É algo que me incomoda profundamente. Em apenas seis meses, terei que escrever novamente uma justificativa por descumprimento da meta de inflação”, declarou.

A sistemática das cartas explicativas faz parte do modelo de metas inflacionárias adotado no Brasil desde 1999. Ao longo desse período, oito cartas já foram emitidas por presidentes do Banco Central. Roberto Campos Neto, que esteve à frente da autarquia de 2019 a 2024, escreveu três dessas cartas referentes aos anos de 2021, 2022 e 2023.

Casos anteriores incluem o estouro do teto da meta em 2001, 2002, 2003 e 2015, além de uma carta escrita por Ilan Goldfajn, que chefiou o BC entre 2016 e 2019, por ter deixado a inflação abaixo do piso em 2017. Henrique Meirelles, o mais longevo presidente da instituição (2003 a 2010), também precisou justificar o não cumprimento da meta em duas ocasiões.

A carta que será publicada nesta quinta deverá detalhar os fatores que, na avaliação da autoridade monetária, dificultaram o controle da inflação, além de traçar as medidas planejadas para tentar reconduzir os índices ao patamar estipulado pelo CMN. Caso a inflação não retorne ao intervalo de tolerância nos próximos meses, o BC poderá ser obrigado a enviar novos comunicados justificando a persistência do desvio.                                                                                                                                                                                                          Por: NoticiasAoMinuto                                                                                                                                                                                    Participe do nosso canal no WhatsApp e fique por dentro das notícias:

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