Acre registra quase 20 casos de febre do Mayaro em 7 meses; vírus já está em 6 cidades

As cidades onde os casos foram confirmados são: Cruzeiro do Sul (7), Rio Branco (5), Bujari (1), Porto Acre (1), Mâncio Lima (1) e Rodrigues Alves (1)

O boletim das arboviroses divulgado nesta terça-feira (22) pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) aponta que 16 casos de febre do Mayaro foram registrados no Acre entre os dias 1º de janeiro e 15 de julho deste ano.

A febre do Mayaro é uma doença infecciosa febril aguda, cujo quadro clínico geralmente é de curso benigno, semelhante ao da dengue e da chikungunya. A doença é causada pelo vírus Mayaro (MAYV), um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes) da família Togaviridae, gênero Alphavirus, assim como o vírus chikungunya (CHIKV), ao qual é relacionado genética e antigenicamente.

Nesse período de sete meses, foram testadas 8.876 amostras para Mayaro no estado. Os municípios com maior volume de testagens foram Rio Branco (5.067), Cruzeiro do Sul (2.259) e Tarauacá (367).

Acre registra quase 20 casos de febre do Mayaro em 7 meses; vírus já está em 6 cidades/Foto: Reprodução

As cidades onde os casos foram confirmados são: Cruzeiro do Sul (7), Rio Branco (5), Bujari (1), Porto Acre (1), Mâncio Lima (1) e Rodrigues Alves (1).

As maiores taxas de positividade foram observadas nos municípios de Cruzeiro do Sul (43,7%) e Rio Branco (31,2%).

“No geral, a análise laboratorial das amostras para Mayaro revela baixa positividade, qual seja, 0,2%. Apesar disso, a detecção de casos em municípios distintos e distantes geograficamente acena para a necessidade de melhorar a vigilância epidemiológica e entomológica desse agravo, ainda pouco conhecido no Acre, de forma que se consiga adotar as medidas oportunas frente a possíveis surtos”, informa o órgão.

O boletim aponta ainda que, nos primeiros seis meses deste ano, já se observou um acréscimo em relação à somatória dos anos de 2023 e 2024. “Em que pese a confirmação de casos de Mayaro no estado do Acre ter ocorrido somente a partir de abril de 2023, quando se realizaram os primeiros testes para essa arbovirose, apenas a partir de junho de 2024 o Ministério da Saúde passou a distribuir uma pequena quantidade de kits para utilização nos estados. Essa limitação de testes disponíveis no mercado impossibilitou a avaliação do real cenário epidemiológico de Mayaro nos anos anteriores”, acrescenta o documento.

Atualmente, o Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN/AC) testa para Mayaro todas as amostras negativas para Zika, dengue e chikungunya, processadas por meio do exame de diagnóstico diferencial ZDC, em biologia molecular. Por essa razão, a data dos primeiros sintomas dos pacientes é, muitas vezes, muito anterior à data de processamento das amostras para Mayaro.

Entenda a doença

O ciclo epidemiológico do vírus Mayaro (MAYV) é semelhante ao da febre amarela silvestre e ocorre com a participação de mosquitos silvestres, principalmente do gênero Haemagogus, com hábitos estritamente diurnos e que vivem nas copas das árvores, o que favorece o contato com os hospedeiros animais. Nesse ciclo, os primatas são os principais hospedeiros do vírus, e o ser humano é considerado um hospedeiro acidental. Possivelmente, outros gêneros de mosquitos participam do ciclo de manutenção do vírus na natureza, como Culex, Sabethes, Psorophora, Coquillettidia e Aedes, além de outros hospedeiros vertebrados como pássaros, marsupiais, xenartros (preguiças, tamanduás e tatus) e roedores, que podem atuar na amplificação e manutenção do vírus em seu ambiente natural.

Dada a comprovação em laboratório da possibilidade de infecção do Aedes aegypti pelo MAYV (competência vetorial) e os achados de infecção natural, considera-se haver risco potencial de transmissão urbana, que poderia eventualmente ser sustentada em um ciclo homem-mosquito-homem.

Não existe transmissão direta de uma pessoa para outra. O sangue dos doentes é infectante para os mosquitos durante o período de viremia, que dura entre 3 e 6 dias. A transmissão ocorre a partir da picada de mosquitos fêmeas infectadas ao se alimentarem do sangue de primatas (macacos) ou humanos. Depois de infectados, e após um período de incubação extrínseca (em torno de 12 dias), os mosquitos podem transmitir o vírus por toda a vida. Assim como a febre amarela, a doença pelo vírus Mayaro é considerada uma zoonose silvestre e, portanto, de eliminação impossível. O homem é considerado um hospedeiro acidental, quando frequenta o habitat natural de hospedeiros, reservatórios e vetores silvestres infectados.

Sintomas

As manifestações clínicas em pacientes com Mayaro são semelhantes às provocadas pelo vírus chikungunya e outros arbovírus. O quadro clínico tem início súbito, com febre entre 39 e 40 °C, acompanhada de dor de cabeça, artralgia, mialgia, edemas articulares, calafrios, dor retro-orbital, mal-estar, erupção cutânea (exantema), vômitos e diarreia. Em alguns casos, podem ocorrer náusea, tosse, dor de garganta, dor abdominal, congestão nasal, prurido, anorexia, linfonodos inchados e sangramento gengival. Aproximadamente 20% dos casos apresentam edema (inchaço) articular, especialmente nos pulsos, dedos, tornozelos e dedos dos pés. A presença de exantema é mais comum em crianças do que em adultos e normalmente aparece no quinto dia da doença, podendo persistir por vários dias. O quadro clínico agudo pode durar de 1 a 2 semanas.

Ao identificar alguns desses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico na unidade de saúde mais próxima e informar sobre o local de residência, trabalho, passeios ou viagens recentes para áreas rurais, de mata ou silvestres nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas. Também é importante relatar se houve presença de macacos, sadios ou doentes, no local visitado.

Tratamento

Não existe terapia específica ou vacina para a febre do Mayaro. Os pacientes devem permanecer em repouso, com tratamento sintomático, utilizando analgésicos e/ou anti-inflamatórios, que podem proporcionar alívio da dor e da febre.

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