Azul ficarĆ” mais ā€œleveā€ ao sair da recuperação judicial, diz CEO

Por: Metrópoles Publicado: 15/08/2025

O CEO da Azul, John Rodgerson, disse nessa quinta-feira (14/8), em entrevista coletiva para comentar os resultados da companhia aĆ©rea referentes ao segundo trimestre deste ano, que a empresa tem ā€œdinheiro suficienteā€ para sair da recuperação judicial nos Estados Unidos.

No fim de maio, a Azul entrou com um pedido de recuperação judicial nos EUA, por meio do chamado Chapter 11 – mecanismo jurĆ­dico que permite a reorganização de dĆ­vidas de empresas em dificuldades financeiras.

A empresa optou pelos EUA por considerar a legislação do paĆ­s mais flexĆ­vel e tambĆ©m porque a maioria de seus credores Ć© estrangeira – e grande parte dos contratos com os fornecedores tĆŖm como foro o estado de Nova York.

A recuperação judicial é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionÔrios. Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação. Trata-se, basicamente, de uma tentativa de evitar a falência.

De acordo com o balanço financeiro da Azul, a companhia aérea registrou um lucro líquido de R$ 1,29 bilhão no segundo trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$ 3,56 bilhões reportado no mesmo período do ano passado.

Em termos ajustados, a empresa teve prejuízo líquido de R$ 475,8 milhões no período entre abril e junho deste ano, uma queda de 29% na comparação anual.

ā€œNós ainda estamos crescendo, ainda estamos colocando mais aeronaves no ar, mas nós saĆ­mos de um lugar onde nĆ£o estamos ganhando dinheiro, que nĆ£o faz sentido, simplificando um pouco mais a nossa malhaā€, afirmou Rodgerson.

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Azul mais ā€œleveā€

Segundo o CEO da Azul, a empresa estĆ” ficando mais ā€œleveā€. ā€œRecuperação judicial Ć© para tirar aquele peso do passado dos nossos ombros. Para tirar aquelas aeronaves que nĆ£o estĆ£o operando e para tornar a Azul uma empresa mais eficienteā€, explicou o executivo.

ā€œTirando aquela dĆ­vida que nós pegamos em 2020 e 2021, quando nĆ£o tivemos nenhum aporte governamental, como outras empresas aĆ©reas em outros locais do mundo tiveram. Nós estamos tirando aquela dĆ­vida para andar muito mais levesā€, completou Rodgerson.

A companhia jĆ” devolveu 12 aeronaves, observou o CEO, e o nĆŗmero pode chegar a 30.

ā€œMuitas dessas aeronaves jĆ” estavam paradas, e estĆ”vamos pagando aluguel por aeronaves que nĆ£o voariam mais. O processo do Chapter 11 vai permitir tirar a obrigação de pagar aluguel por uma aeronave que nĆ£o estĆ” gerando mais receita. Isso vai deixar a Azul mais leveā€, disse.

ā€œNĆ£o vamos ficar menores. Vamos ficar onde estamos e crescer um pouco mais modestamente daqui para frente. Todas as obrigaƧƵes vĆ£o sair do nosso balanƧo e deixar a gente mais leve daqui para a frenteā€, concluiu Rodgerson.

A expectativa da Azul é deixar o processo de recuperação judicial nos EUA até o começo de 2026.

Recuperação judicial nos EUA

Segundo a Azul, o processo envolve US$ 1,6 bilhão em financiamento e deve eliminar mais de US$ 2 bilhões em dívidas, além de US$ 950 milhões em possíveis novos aportes de capital no momento de saída da recuperação judicial.

Em julho, a Azul recebeu sinal verde da Justiça norte-americana para todas as demandas apresentadas a um tribunal local relativas ao plano de reestruturação financeira da companhia aérea.

ā€œA aprovação dos pedidos, que jĆ” havia sido concedida interinamente na audiĆŖncia de ā€˜Primeiro Dia’, garante a continuidade do processo, como planejado pela companhia, na trajetória rumo a uma reestruturação bem-sucedidaā€, informou a Azul, na Ć©poca.

Fim das operaƧƵes em 14 cidades do Brasil

Na semana passada, a Azul confirmou que encerrou suas operações em 14 cidades e cortarÔ 53 rotas consideradas de menor rentabilidade. As mudanças fazem parte do processo de reestruturação interna da empresa.

Inicialmente, havia sido divulgado que a companhia aérea encerraria as operações em 13 cidades, mas o número foi atualizado.

Segundo a Azul, o objetivo Ć© concentrar as operaƧƵes nos principais ā€œhubsā€ da empresa – os aeroportos de Viracopos (Campinas), Confins (Belo Horizonte) e de Recife – e depender menos de conexƵes.

No setor de aviação, sĆ£o chamados de ā€œhubsā€ os aeroportos que funcionam como ponto central para uma companhia aĆ©rea, onde os passageiros se conectam entre diferentes voos para chegar a seus destinos finais.

Em meio à reestruturação, a Azul também deve diminuir o número de destinos por cidade e também sua operação sazonal, reduzindo voos para Paris (França) no inverno e suspendendo novos voos em Orlando (EUA).

A estimativa da companhia Ć© a de que as decolagens diĆ”rias passem das atuais 931 para 836 – uma redução de 10,2%.

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