Marco Rubio classifica TPI como “uma ameaça à segurança nacional”

Por MetrĂłpoles 20/08/2025

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (20/08) sançÔes contra dois juízes e dois promotores do Tribunal Penal Internacional (TPI), ampliando a pressão sobre a corte em reação a mandados contra líderes israelenses e a uma investigação anterior envolvendo autoridades americanas.

Em comunicado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o tribunal como “uma ameaça à segurança nacional que tem servido de instrumento de guerra jurídica” contra os Estados Unidos e Israel.

Leia também

A medida provocou crĂ­ticas da França e das NaçÔes Unidas. Paris instou Washington a retirar as sançÔes, enquanto o TPI deplorou as designaçÔes, rotulando-as de “um ataque flagrante” contra a independĂȘncia de uma instituição judicial imparcial.

Esta Ă© a segunda rodada de sançÔes contra o TPI e ocorre trĂȘs meses apĂłs a Casa Branca ter imposto restriçÔes a quatro juĂ­zes do tribunal. A escalada pode dificultar o funcionamento do tribunal e da promotoria em grandes casos, incluindo alegaçÔes de crimes de guerra contra a RĂșssia pela invasĂŁo da UcrĂąnia.

Quem sĂŁo os sancionados?

Foram sancionados Nicolas Yann Guillou, da França; Nazhat Shameem Khan, de Fiji; Mame Mandiaye Niang, do Senegal; e Kimberly Prost, do Canadå, segundo os Departamentos do Tesouro e de Estado dos EUA.

As designaçÔes congelam quaisquer ativos que os indivíduos possam ter nos Estados Unidos e, na pråtica, os excluem do sistema financeiro americano, em um modelo de penalidade similar ao imposto ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Todos os funcionĂĄrios estiveram envolvidos em casos relacionados a Israel e aos Estados Unidos.

O juĂ­z Guillou presidiu o painel que emitiu um mandado de prisĂŁo contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant e o lĂ­der do Hamas, Mohammed Deif, morto em um ataque isralense, por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante o conflito em Gaza.

Jå a juíza canadense Kimberly Prost atuou na cùmara de apelaçÔes do TPI que, em março de 2020, autorizou a promotoria a investigar supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos no Afeganistão desde 2003, incluindo a apuração do papel de militares americanos.

Khan e Niang sĂŁo vice-procuradores do tribunal

“Os Estados Unidos tĂȘm sido claros e firmes em nossa oposição Ă  politização do TPI, ao abuso de poder, ao desrespeito Ă  nossa soberania nacional e Ă  extrapolação judicial ilegĂ­tima”, disse Rubio.

“Exorto os paĂ­ses que ainda apoiam o TPI, muitos dos quais tiveram sua liberdade conquistada com grandes sacrifĂ­cios americanos, a resistirem Ă s pretensĂ”es dessa instituição falida.”

ONU critica decisĂŁo

Tanto a França quanto as NaçÔes Unidas destacaram que o trabalho dos juízes é crucial para a justiça internacional.

“O papel deles Ă© essencial na luta contra a impunidade”, afirmou o MinistĂ©rio das RelaçÔes Exteriores francĂȘs em nota.

As sançÔes americanas minam os alicerces da justiça internacional, disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric. “A decisĂŁo dos EUA impĂ”e sĂ©rios obstĂĄculos ao funcionamento do gabinete da promotoria.”

Em resposta ao apelo de Rubio para que outros paĂ­ses se opusessem ao TPI, o tribunal exortou os Estados membros a permanecerem solidĂĄrios.

“O Tribunal conclama os Estados Partes e todos os que compartilham os valores da humanidade e do Estado de Direito a oferecer apoio firme e consistente ao Tribunal e ao trabalho que realiza no Ășnico interesse das vĂ­timas de crimes internacionais”, disse em nota.

Jå o gabinete de Netanyahu divulgou nota celebrando as sançÔes dos EUA.

Autoridade do TPI sob pressĂŁo

A oposição do governo Trump ao tribunal remonta ao seu primeiro mandato. Em 2020, Washington jå havia imposto sançÔes à então procuradora Fatou Bensouda e a um de seus principais assessores pelo trabalho do TPI no Afeganistão.

O TPI, criado em 2002, tem jurisdição internacional para julgar genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Estados membros ou em casos encaminhados pelo Conselho de Segurança da ONU. Contudo, não possui força de segurança própria e depende que os estados cumpram suas determinaçÔes.

A resistĂȘncia contra sua atuação se ampliou a partir de 2022, quando indiciou pela primeira vez um cidadĂŁo nĂŁo-africano.

Embora tenha jurisdição em seus 125 Estados membros, paĂ­ses como EUA, China, RĂșssia e Israel nĂŁo reconhecem sua autoridade.

Atualmente, o tribunal conduz investigaçÔes sobre crimes de guerra nos conflitos Israel-Hamas, Sudão, Mianmar, Filipinas e Venezuela.

Leia mais em DW, parceira do MetrĂłpoles.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.