O uso de cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, tem crescido de forma acelerada no Brasil, especialmente entre os mais jovens. Apesar da aparência moderna e das propagandas que os apresentam como uma opção “menos nociva” que o cigarro tradicional, especialistas alertam que os riscos à saúde são sérios e, em muitos casos, subestimados.

Cigarro eletrônico pode causar impotência, câncer e agravar doenças pulmonares, alerta médica no Acre/Foto: Reprodução
A médica pneumologista Célia Rocha concedeu entrevista ao ContilNet para esclarecer os principais mitos e verdades sobre o uso dos dispositivos e reforçou que eles não devem ser vistos como uma alternativa segura ao tabagismo convencional.
Segundo ela, os efeitos vão muito além da dependência química. O cigarro eletrônico pode causar doenças pulmonares graves, problemas cardiovasculares, impotência sexual e até aumentar a probabilidade de câncer.
Agravamento de doenças pulmonares
Questionada sobre o impacto nos pulmões, Célia Rocha foi categórica:
“Verdade. O cigarro eletrônico pode piorar doenças pulmonares preexistentes como asma, enfisema e bronquite crônica. Além disso, aumenta o risco de desenvolver pneumonias, pneumonite e até insuficiência respiratória”, explicou.
Ela lembrou que, nos últimos anos, hospitais em diferentes regiões do país já registraram casos de internações de jovens que apresentaram quadros graves de comprometimento respiratório associados ao uso contínuo dos dispositivos.

Anvisa mantém proibição de cigarros eletrônicos no país/Foto: Reprodução
Substâncias nocivas e risco de câncer
Um dos argumentos mais usados para defender o cigarro eletrônico é de que ele não conteria substâncias nocivas. Para a médica, essa ideia é um mito perigoso.
“O cigarro eletrônico contém uma quantidade considerável de nicotina e diversas substâncias tóxicas. Ele gera dependência física e psicológica e está associado a doenças como câncer de pulmão, infarto do miocárdio e trombose”, afirmou.
A especialista também ressaltou que, em muitos casos, os líquidos usados nos dispositivos são fabricados sem controle adequado de qualidade, o que aumenta ainda mais os riscos.
Impotência sexual em jovens
Um dos pontos mais preocupantes levantados por Célia Rocha foi o impacto do cigarro eletrônico sobre a saúde sexual masculina.
“Verdade. O cigarro eletrônico se mostrou como causa de impotência sexual em jovens e adolescentes. As substâncias afetam os vasos sanguíneos e podem causar danos em diversos órgãos”, destacou.
Segundo ela, esse é um efeito que ainda não recebe a devida atenção, mas que precisa ser amplamente divulgado, já que a propaganda em torno dos vapes geralmente é direcionada justamente ao público jovem.
Não ajuda a parar de fumar
Outro mito comum é de que o cigarro eletrônico poderia servir como ferramenta para largar o cigarro comum. Para a médica, essa teoria não tem respaldo científico.
“Nenhum estudo comprovou essa efetividade. Pelo contrário, pesquisas mostram que entre jovens que usaram o cigarro eletrônico, o risco de migrar para o cigarro convencional aumentou em até três vezes”, destacou.
Um problema de saúde pública em ascensão
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 2 milhões de brasileiros já experimentaram o cigarro eletrônico. O número de usuários regulares cresce ano a ano, mesmo com a venda proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009.
Para a médica, a questão vai além da escolha individual: trata-se de um problema de saúde pública. “Estamos diante de uma geração que pode desenvolver doenças graves precocemente. O cigarro eletrônico não é inofensivo, é viciante e pode trazer consequências irreversíveis”, alertou.
Alerta à população
Ao final da entrevista, Célia Rocha reforçou que é preciso quebrar o mito de que o cigarro eletrônico seria uma “alternativa saudável”.
“É um produto que expõe os usuários a riscos sérios, precisa ser tratado com a mesma gravidade que o cigarro comum. A diferença é que, por atingir jovens cada vez mais cedo, seus impactos podem ser ainda mais devastadores no futuro”, concluiu.

