Delegar criatividade Ă  IA Ă© mediocridade, afirmam especialistas

Por MetrĂłpoles 29/08/2025

Belo Horizonte (MG) — A criatividade, em tempos de inteligĂȘncia artificial, ganha novos contornos. Se antes era vista apenas como um atributo humano, hoje convive com algoritmos capazes de gerar imagens, textos, mĂșsicas e atĂ© ideias de negĂłcios.

Esse cenårio não diminui o papel do criador, mas amplia horizontes: cabe ao ser humano direcionar, interpretar e dar significado ao que a måquina produz. Mais do que nunca, a criatividade se torna uma ponte entre tecnologia e emoção, unindo a lógica da IA à sensibilidade humana para gerar inovação com propósito.

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Nesse contexto, Ramon Campos, publicitĂĄrio, digital creator e estrategista criativo; Ramon AraĂșjo, creator mobile e head de creators na promoview; Marina Camelo, especialista em marketing digital; e Igor Wallace, aluno da Hotmart Decola; trouxeram discussĂ”es acaloradas sobre “Criatividade em tempos de IA”.

O assunto foi debatido durante o segundo dia do Hotmart Fire 2025, maior evento de Creator Economy da América Latina, que ocorre até amanhã (30/8), no Expominas, em Belo Horizonte.

No início, Marina Camelo, especialista em marketing digital, lembrou que a IA nunca trarå uma solução criativa.

“Se vocĂȘ delega a parte criativa para a tecnologia, vocĂȘ chega a resultados medĂ­ocres.”

Marina Camelo, especialista em marketing digital

JĂĄ o criador de conteĂșdo Ramon Campos afirma que criatividade sem repertĂłrio Ă© cĂłpia e que ela nĂŁo substitui conversas e histĂłrias de vida, por exemplo. Segundo ele, o repertĂłrio fica pobre e superficial com a IA na produção de conteĂșdo.

Quanto a Igor Wallace, designer e aluno do Hotmart Decola, reforçou a importùncia de não enxergar a IA como substituta da criatividade humana, mas sim como um amplificador de possibilidades, capaz de acelerar processos e abrir espaço para soluçÔes inovadoras.

IA traz produtividade, mas nĂŁo autenticidade

Ainda no painel, Ramon AraĂșjo, creator mobile, explicou que, ao refletir sobre a democratização por meio da tecnologia, a inteligĂȘncia artificial surge como uma ferramenta poderosa para aumentar a produtividade.

Ela permite que mais pessoas tenham acesso a recursos criativos antes restritos a especialistas, acelerando processos e ampliando possibilidades. No entanto, segundo ele, esse avanço não garante autenticidade.

A originalidade, a sensibilidade humana e a capacidade de traduzir emoçÔes em experiĂȘncias sĂŁo atributos que ainda nĂŁo podem ser totalmente replicados pela IA.

Para Ramon, “a tecnologia deve ser vista como aliada, mas jamais como substituta da criatividade genuína, que continua sendo o diferencial de quem deseja se destacar no cenário digital”.

“É justamente por isso que as nossas narrativas tĂȘm muita personalidade, e nessa personalização a IA nĂŁo consegue chegar”, afirmou.

De vĂ­tima de abuso a embaixador de grandes marcas: a trajetĂłria de Jorginho do Condado

A trajetĂłria de Fausto Carvalho, carinhosamente conhecido como Jorginho do Condado, Ă© marcada por quedas, reviravoltas e uma reinvenção que poucos poderiam imaginar. E ele trouxe tudo isso ao pĂșblico reunido para vĂȘ-lo no Hotmart Fire.

O sonho inicial era ser jogador de futebol, mas a carreira foi interrompida de forma traumĂĄtica apĂłs sofrer abuso sexual.

Buscando novos caminhos, encontrou no skate uma forma de liberdade e, mais tarde, na educação física, uma oportunidade de profissão. Foi durante a graduação que conheceu o universo da recreação, årea que se tornaria essencial.

“A virada aconteceu quando comecei a trabalhar em cruzeiros internacionais, onde permaneci por 15 anos. A bordo, aprendi idiomas, tive contato com diferentes culturas e dei trĂȘs voltas ao mundo”, lembrou.

Fausto Carvalho Metropoles 1Jorginho compartilhou a trajetĂłria como criador de conteĂșdo

No entanto, ao deixar os navios, veio a pandemia e, com ela, novos desafios. “No primeiro evento em que trabalhei após o isolamento social, sofri um duro golpe: criminosos invadiram minha conta bancária e roubaram R$ 32 mil, sendo R$ 12 mil de limite”, recordou.

Em meio à adversidade, um detalhe mudaria toda a história dele. O humorista relembrou quando um vídeo viralizou nas redes sociais, chamando a atenção do mercado financeiro, fato que o ajudou a tornar-se parte da carteira da XP Investimentos.

“Pouco depois, recebi uma ligação da marca, que me convidou para integrar a equipe como responsável por parte da carteira de clientes”, ressaltou.

Com autenticidade e carisma, passou a ser reconhecido como o profissional que humanizou a figura do “faria limer”. Hoje, Ă© embaixador da XP, sĂ­mbolo de resiliĂȘncia e da capacidade de transformar dores em novas oportunidades.

Em entrevista ao MetrĂłpoles, o criador de conteĂșdo deu um spoiler: lançarĂĄ um torneio de Beach TĂȘnis em breve.

Marcas rebeldes

Em outro painel, JoĂŁo Branco, profissional de marketing; e Rony Meisler, CEO do Grupo Reserva, trouxeram quatro premissas que a IA nĂŁo sabe.

Nada vende mais do que a verdade

O CEO do Grupo Reserva explicou que, ao focar apenas no que estĂĄ abaixo do benchmark, perde-se de vista os pontos fortes jĂĄ conquistados, que acabam se enfraquecendo.

O desafio é equilibrar a correção de falhas com a manutenção dos diferenciais competitivos.

O que realmente importa Ă© o valor entregue

É preciso se perguntar: como podemos realmente melhorar a vida dos clientes? JoĂŁo Branco afirma ver muitas empresas investindo pesado em marketing apenas para comunicar que estĂŁo hĂĄ dĂ©cadas no mercado, como “32 anos no Brasil”.

“Mas, serĂĄ que essa informação faz alguma diferença real para quem compra ou consome o serviço? O que realmente importa Ă© o valor entregue, a experiĂȘncia proporcionada e como a marca resolve problemas do cliente”, garantiu.

O exemplo arrasta

Rony explicou que nĂŁo se pode apenas dar conselhos se nĂŁo trouxermos exemplos concretos.

“No processo de venda, lidamos diariamente com pessoas — clientes, parceiros e todos os stakeholders envolvidos — e Ă© nesse contato real que aprendemos e ajustamos estratĂ©gias”, avaliou.

Construir marcas Ă© deixar marcas

Construir uma marca vai muito alĂ©m de ter um logo ou um produto reconhecido; trata-se de criar experiĂȘncias, conexĂ”es e histĂłrias que permanecem na memĂłria das pessoas.

“Cada vez que vocĂȘ apresenta algo novo, seja uma campanha, um produto ou uma iniciativa, isso Ă© percebido — nĂŁo apenas pelo mercado, mas por todos que interagem com sua marca”, completou JoĂŁo Branco.

“SĂŁo essas açÔes consistentes que transformam simples empresas em referĂȘncias, e ideias em legados duradouros”, complementou Roney Maisler.

Muito além da programação

Quem acompanha o Hotmart Fire desde o primeiro dia teve a oportunidade de conhecer diversas ativaçÔes de marca em todos os pavilhÔes do Expominas.

Um exemplo Ă© o E-book to Book, recurso da Hotmart exposto no evento que gera automaticamente a capa de um livro a partir de um prompt inserido na prĂłpria plataforma.

Na prĂĄtica, essa tecnologia possibilita transformar um livro digital em uma versĂŁo fĂ­sica, de forma otimizada, intuitiva e simples.

“No E-book to Book hĂĄ um percentual grande dos nossos clientes que tem e-books, e a gente vĂȘ que hĂĄ uma oportunidade de estarem mais perto dos clientes deles. Com base nessas caracterĂ­sticas, pensamos em viabilizar que mais criadores tenham possibilidade de vender produtos fĂ­sicos”, afirmou Paulo Vendramini, diretor de Produtos na Hotmart.

E book to Book Metropoles

Vendramini explica que o objetivo é transformar criadores em verdadeiros empreendedores digitais. A ideia é oferecer soluçÔes que permitam maior reinvenção e expansão dos produtos digitais.

Nesse contexto, surge o agente de IA, um recurso aplicador e versĂĄtil, que pode ser criado para atender a mĂșltiplos propĂłsitos dentro do processo de trabalho do empreendedor digital.

Entre as possibilidades, estå o agente de vendas, que auxilia o infoprodutor a superar objeçÔes e aumentar conversÔes, além de um agente de gestão, capaz de aprender continuamente, identificar padrÔes e otimizar a administração do negócio.

Vendramini ressalta, no entanto, que todas essas ferramentas existem para potencializar o que Ă© Ășnico em cada criador — a criatividade, a voz e a capacidade de gerar conexĂ”es autĂȘnticas.

quatro premissas que a IA nao sabe MetropolesJoĂŁo Branco e Rony Meisler compartilharam quatro premissas que a IA nĂŁo sabe

*A jornalista viajou a convite da Hotmart para cobrir o evento durante os trĂȘs dias.

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