Amazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado

Por Metrópoles 31/08/2025

A seca histórica dos anos de 2023 e 2024 fez as facções, principalmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), buscarem em aviões e helicópteros uma alternativa aos barcos para o transporte de droga, armas e ouro extraído de garimpos ilegais. Como resultado, só no estado do Amazonas, as autoridades de segurança pública já identificaram cerca de 200 pistas usadas pelo crime organizado para pousos e decolagens.

A logística das drogas e de outros produtos obtidos ilegalmente por organizações criminosas obedece ao regime de cheias e vazantes dos rios da região amazônica. Quando o volume de água é maior, as embarcações conseguem driblar mais facilmente a precária fiscalização, passando por locais distantes das bases ou usando os “furos” (atalhos) para se deslocar sem serem percebidas. Na seca, os caminhos se “estreitam”.

Amazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado51 imagensPM pilotando barco no Rio Solimões, em Tabatinga (AM)Militares em Benjamin Constant (AM), no Rio JavariPichações em área de atuação do Comando Vermelho, em Letícia, na ColômbiaEmbarcação no Rio Javari, no AmazonasPorto de Benjamin Constant, no AmazonasFechar modal.Amazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizadoAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado1 de 51

Barco cruza o Rio Javari, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado2 de 51

PM pilotando barco no Rio Solimões, em Tabatinga (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado3 de 51

Militares em Benjamin Constant (AM), no Rio Javari

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado4 de 51

Pichações em área de atuação do Comando Vermelho, em Letícia, na Colômbia

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado5 de 51

Embarcação no Rio Javari, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado6 de 51

Porto de Benjamin Constant, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado7 de 51

Embarcação em rio da Amazônia

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado8 de 51

Porto de Benjamin Constant, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado9 de 51

Embarcação no Rio Javari, em Benjamin Constant

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado10 de 51

Porto de Benjamin Constant, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado11 de 51

Embarcação em rio amazônico

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado12 de 51

Imagem mostra embarcação em Tabatinga (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado13 de 51

Embarcação no Rio Javari

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado14 de 51

Serraria na margem peruana do Rio Javari

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado15 de 51

orto de Benjamin Constant, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado16 de 51

Porto de Benjamin Constant, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado17 de 51

Barco no Rio Javari, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado18 de 51

Barco ambulância no Rio Javari, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado19 de 51

Tenente-coronel Castro Alves, em embarcação no Rio Javari

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado20 de 51

Pistola de policial no Rio Javari, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado21 de 51

Arco-íris sobre o Rio Javari, em Atalaia do Norte

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado22 de 51

Embarcação no Rio Javari, em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado23 de 51

Indígena ferido por ferrão de arraia em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado24 de 51

Índigena sendo socorrido em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado25 de 51

Rua do porto em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado26 de 51

Pescador mostra piranha no mercado municipal, em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado27 de 51

Quadro de distâncias e tempo de viagem em barco rápido na Prefeitura de Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado28 de 51

Garrafas com gasolina à venda, em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado29 de 51

Barco da PM no Rio Javari, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado30 de 51

Cemitério em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado31 de 51

Fachada de igreja em Atalaia do Norte, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado32 de 51

Esculturas de peixes em Atalaia do Norte, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado33 de 51

Letreiro em Atalaia do Norte, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado34 de 51

Garrafas com gasolina à venda, em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado35 de 51

Família em moto em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado36 de 51

Casa de apostas em Atalaia do Norte (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado37 de 51

Tuc-tuc em Letícia, na Colômbia

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado38 de 51

Fronteira entre Brasil e Colômbia

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado39 de 51

Fronteira entre Brasil e Colômbia

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado40 de 51

Pichações em área de atuação do Comando Vermelho, em Letícia, na Colômbia

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado41 de 51

Policial colombiano diante de porto em Letícia, na Colômbia, com vista para a ilha de Santa Rosa, no Peru

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado42 de 51

Pichações em área de atuação do Comando Vermelho, em Letícia, na Colômbia

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado43 de 51

Fronteira entre Tabatinga (BRA) e Letícia (COL)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado44 de 51

Policiais militares e cães farejadores em Tabatinga (AM)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado45 de 51

Presídio em Tabatinga, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado46 de 51

Divisa entre Tabatinga (BRA) e Letícia (COL)

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado47 de 51

Humberto Freire, da PF, em Manaus

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado48 de 51

Teatro Amazonas, em Manaus

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado49 de 51

Mario Sarrubo

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado50 de 51

Porto em Manaus, no Amazonas

William Cardoso/MetrópolesAmazonas tem cerca de 200 pistas de pouso usadas pelo crime organizado51 de 51

Pichação do Comando Vermelho em Manaus, no Amazonas

William Cardoso/Metrópoles

Depois do pioneirismo do PCC e passada a grande seca, o Comando Vermelho (CV) também demonstrou interesse em usar com mais frequência as rotas aéreas para fazer o transporte de drogas e armas.

A maior parte das pistas identificadas pelas autoridades é de terra, com algumas delas gramadas e outras de asfalto. Segundo relatório encaminhado às autoridades de segurança em 2024, há algumas tão bem providas que contam “com infraestrutura para pousos noturnos e servem como pontos de apoio para aeronaves pequenas, como monomotores, que transportam cargas ilegais (drogas, armas, equipamentos para garimpo) ou pessoas envolvidas em atividades criminosas”.

O levantamento mostra ainda que não são apenas as pistas clandestinas que servem para pouso e decolagem das facções que atuam no Amazonas.

Há também aeródromos regulares que exercem essa função, como é o caso de um em Novo Aripuanã, no meio do caminho entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO), às margens do Rio Madeira. Em fevereiro, o Greenpeace encontrou 130 balsas usadas no garimpo ilegal, parte delas entre o município e a cidade de Humaitá.

Leia também

Entre tantos indícios e investigações que levam à mesma conclusão, as pistas de pouso são um forte indicativo de que, na Amazônia, as rotas logísticas usadas pelo tráfico de drogas e armas são compartilhadas com o descaminho do ouro obtido em garimpos ilegais. As facções atuam em todas as frentes criminosas, com impacto também no meio ambiente.

“Muitas pistas são usadas para abastecer garimpos ilegais, transportando combustível, maquinários e suprimentos, além de escoar ouro e outros minérios extraídos ilegalmente. Em alguns casos, as pistas são abertas para facilitar o acesso a áreas de desmatamento ilegal ou para a ocupação de terras públicas (grilagem)”, diz relatório ao qual as autoridades tiveram acesso.

Localização

Além da calha do Rio Madeira, também há concentração de pistas clandestinas nas bordas do Amazonas, principalmente nas proximidades das divisas com Rondônia, Acre, Pará e Roraima.

O relatório que traz as cerca de 200 pistas mostra que apenas três delas estão na região do Alto Solimões, na fronteira com Peru e Colômbia, onde existe presença ostensiva de integrantes de facções criminosas, em particular do Comando Vermelho (CV), hegemônico na rota fluvial usada pelo tráfico entre Tabatinga e o Atlântico.

Segundo as autoridades, criminosos acabam cooptando ou obrigando a população de locais distantes, no meio da floresta, a colaborar com suas iniciativas.

Combate

Apesar das dificuldades em lidar com as rotas aéreas usadas pelas facções, com aviões e helicópteros voando muito baixo, próximos às árvores, fora da cobertura dos radares, algumas ações têm sido bem-sucedidas.

Entre fevereiro e março, por exemplo, na cidade de Careiro, por onde passa a BR-319, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Amazonas (FICCO/AM), que reúne membros de diversas entidades, descobriu três pistas e inutilizou dois helicópteros e um avião. Também foram destruídos 4.000 litros de combustíveis.

Em muitos casos, os helicópteros e aviões localizados pelas forças de segurança estão em condições tão precárias que muitos policiais se questionam sobre como são capazes de se manter no ar.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.