Onde o vento faz a curva: por que Rondônia redireciona os “rios voadores”

Estado funciona como “esteira de umidade” da Amazônia para o Centro-Sul do Brasil; posição diante dos Andes muda a rota dos ventos e alimenta chuvas

Rondônia dá sentido literal ao ditado “onde o vento faz a curva”. O estado está no ponto de inflexão dos ventos úmidos que cruzam a América do Sul — os Jatos de Baixos Níveis (JBN), popularmente chamados de “rios voadores”. Ao encontrarem a barreira da Cordilheira dos Andes, esses fluxos giram para o Sul e Sudeste, e Rondônia, junto com Acre e Bolívia, é justamente a “esquina” dessa mudança de rota.

Como nascem os rios voadores — Foto: Infografia/g1

Como nascem os rios voadores — Foto: Infografia/g1

Como isso funciona

  • JBN / Rios voadores: correntes de ar próximas à superfície carregadas de vapor d’água oriundo da floresta e do Atlântico.

  • Barreira dos Andes: a cadeia montanhosa impede o avanço rumo ao Pacífico; o vento “dobra a esquina” sobre RO e segue para o interior do continente.

  • Esteira de umidade: entre os Andes e o Planalto Brasileiro, o vapor é “canalizado”, ganha velocidade e alimenta a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema chave para as chuvas do Centro-Oeste e Sudeste.

  • Monção Sul-Americana: como RO fica logo abaixo da faixa equatorial, o estado sente forte influência do regime de monção, com verões chuvosos e invernos mais secos.

Por que Rondônia é estratégica

  • 🧭 Está a leste dos Andes, bem na rota dos JBN.

  • 🌦️ Sofre a ação direta da monção, que organiza os ciclos de chuva/seca.

  • 🌳 Fica na transição Amazônia–Cerrado, onde relevo, umidade e temperatura interagem para potencializar a convecção (formação de nuvens e chuva).

O risco do desmatamento

A floresta amazônica é uma “fábrica” de vapor: árvores evapotranspiram e mantêm o ar úmido. Desmatamento reduz essa umidade, enfraquece os JBN e pode diminuir a ZCAS, impactando as chuvas em todo o Centro-Sul. Proteger a cobertura florestal em RO é proteger o regime de chuvas do país.

Bandeira de Rondônia balançando com o vento — Foto: Daiane Mendonça

Fonte: g1 RO; entrevista com o prof. João Gobo (climatologia/UNIR)
Redigido por ContilNet

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