“Suruba no ônibus”: polícia vai rastrear quem salvou e compartilhou vídeo de menores

PCPR confirma que identificará usuários que armazenaram ou distribuíram as imagens; ECA prevê reclusão de 3 a 6 anos e multa para quem divulgar conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) confirmou que vai investigar e responsabilizar todos que armazenaram ou compartilharam o vídeo em que seis adolescentes aparecem em um ônibus supostamente abandonado, em Cascavel (PR). Mesmo tratando-se de menores, o conteúdo viralizou em redes como X e TikTok, onde perfis chegaram a oferecer o arquivo “no direct” em troca de seguidores — prática que, além de antiética, configura crime.

Divulgação / PCPR

O que diz a PCPR

A corporação informou que o inquérito tramita em sigilo, por envolver menores de idade, mas será ampliado para rastrear a cadeia de disseminação das imagens. Quatro dos seis adolescentes já foram identificados e devem ser ouvidos com seus responsáveis. A polícia também apura eventual consumo de bebida alcoólica e outras circunstâncias do caso.

Por que compartilhar é crime

Especialistas lembram que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tipifica como crime oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar fotos e vídeos de conteúdo pornográfico envolvendo crianças ou adolescentes. A pena prevista é reclusão de 3 a 6 anos, além de multa. Importa destacar: não é preciso produzir nem vender o conteúdo para cometer o crime; repostar uma única vez já configura o tipo penal.

Se você recebeu o vídeo, o que fazer

  • Não abra, não salve e não repasse.

  • Exclua o arquivo imediatamente de seus dispositivos e lixeiras.

  • Denuncie o perfil/URL na própria plataforma e nos canais oficiais (Delegacia de Crimes Cibernéticos do seu estado e SaferNet).

  • Se o arquivo chegou por grupos, oriente os demais a não compartilhar e a remover o material.

Orientação a pais e escolas

  • Conversem com adolescentes sobre consentimento, privacidade e consequências legais.

  • Reforcem que “brincadeiras” digitais têm impacto real, inclusive criminal.

  • Em caso de exposição, procurem apoio psicológico e orientação jurídica.

Próximos passos

Com a perícia e os relatórios de plataforma, a PCPR deve mapear perfis que publicaram, armazenaram ou redistribuíram o vídeo. Após a identificação, os responsáveis poderão responder criminalmente com base no ECA, sem prejuízo de outras sanções.

Fontes: Metrópoles
Redigido por ContilNet

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