Motta defende PEC da Blindagem e diz que debate foi distorcido

Por AgĂȘncia Brasil 22/09/2025 Ă s 12:05


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O presidente da Cùmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou a defender a chamada PEC da Blindagem, ou PEC das Prerrogativas, nesta segunda-feira (22), dia seguinte aos protestos que levaram milhares de pessoas às ruas de todas as capitais do Brasil. Motta defende PEC da Blindagem e diz que debate foi distorcidoMotta defende PEC da Blindagem e diz que debate foi distorcido

Para Motta, o debate foi distorcido e a PEC não teria sido articulada para blindar parlamentares de processos por “crimes comuns”, como afirmam os críticos, mas sim para conter supostos excessos do Judiciário contra deputados. 

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“NĂłs temos deputados sendo processados por crimes de opiniĂŁo, temos deputados sendo processados por discursos na Tribuna, temos deputados sendo processados por uso das redes sociais. Essa Ă© a realidade do paĂ­s hoje”, disse Motta durante evento promovido pelo banco BTG Pactual.

Os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, tĂȘm sustentado que eles estĂŁo sendo “perseguidos” por apenas “emitir opiniĂŁo” no contexto do julgamento do STF da trama golpista. 

O argumento é rejeitado por ministros da Corte, que qualificam o movimento golpista como tentativa de anular uma eleição legítima e manter Bolsonaro no poder contra a vontade popular, crimes previstos na legislação.  

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Ainda segundo Motta, a discussão da PEC da Blindagem foi “distorcida” e atualmente, com a força das redes sociais, o Parlamento não seria blindado contra crimes comuns.

“Quando Ă© que vamos ter um crime comum cometido por quem quer que seja, sair impune, ainda mais por um parlamentar? É claro que a CĂąmara nĂŁo vai aliviar para um parlamentar que cometa um crime comum, seja ele qual for”, completou.

O advogado e jurista Marco AurĂ©lio de Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas, ponderou Ă  AgĂȘncia Brasil que a imunidade parlamentar nĂŁo pode ser usada para proteger pronunciamentos que envolvam calĂșnia, injĂșria, ataques Ă  democracia ou tentativa de obstrução de ação penal, como Ă© o caso de alguns deputados.

“NĂŁo podemos, evidentemente, criminalizar a opiniĂŁo que Ă© fruto do debate polĂ­tico honesto, franco, transparente e direto. Mas opiniĂ”es que, na verdade, de alguma forma, carregam Ăłdio, intolerĂąncia, crimes contra a honra, como calĂșnia, difamação, injĂșria e outras tantas coisas, tĂȘm que ser examinadas Ă  luz da legislação. E o mandato nĂŁo pode ser, digamos, uma salvaguarda para cometimento de crimes”, comentou.

Os protestos desse domingo tiveram, entre os principais alvos, o atual presidente da Cùmara por seu papel na aprovação da PEC da Blindagem. Os críticos argumentam que a proposta foi costurada para proteger os parlamentares contra processos criminais.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pautou a PEC para próxima quarta-feira (24), com expectativa de rejeitar o projeto após a repercussão negativa. 

Anistia e dosimetria

Motta tambĂ©m defendeu a redução de penas para os condenados pelos eventos que culminaram no 8 de janeiro de 2023. Para ele, se esse debate nĂŁo for superado, “muito dificilmente a CĂąmara vai produzir normalmente”.

“O que a CĂąmara quer construir Ă© dentro das regras legais do paĂ­s, reconhecendo o papel que o Supremo cumpriu naquele episĂłdio triste que foi o 8 de janeiro, procurando sim imputar Ă quelas pessoas que foram lĂĄ quebrar, depredar, aquelas pessoas que armaram, por exemplo, planos para matar pessoas”, ponderou.

Para Motta, é possível uma mudança na lei penal para rever penas que o Congresso entende que foram exageradas.

“[Caso essa solução seja aprovada] que o próprio Poder Judiciário [possa] fazer uma reinterpretação dessas penalidades e, quem sabe, mandar essas pouco mais de 180 pessoas que estão presas hoje para casa”, disse.

O presidente da CĂąmara concluiu que essa Ă© uma boa solução para “distensionar um pouco esse ambiente polĂ­tico e poder, a partir daĂ­, ter outra pauta” que, segundo ele, nĂŁo seja “tĂłxica” para o paĂ­s.

O relator do projeto de lei sobre o tema, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), tem dado declaraçÔes de que o texto não deve discutir a anistia, que seria um perdão dos crimes, mas sim uma redução das penas por meio de nova dosimetria dos crimes cometidos. 

Blindagem ou Prerrogativas

A PEC da Blindagem ganhou força na CĂąmara, apĂłs açÔes do Supremo Tribunal Federal (STF) contra parlamentares envolvidos na tentativa de golpe de Estado que culminou no 8 de janeiro de 2023 e tambĂ©m com o crescimento de inquĂ©ritos para investigar a execução de emendas parlamentares, recursos pĂșblicos da ordem de RS 50 bilhĂ”es anuais sob controle do Legislativo. 

Com a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, a oposição ocupou os plenårios da Cùmara e do Senado, impedindo os trabalhos da Casa e exigindo, entre outras pautas, o aumento das prerrogativas dos parlamentares contra açÔes do STF. 

Por outro lado, especialistas e organizaçÔes que atuam no tema do combate à corrupção alertam que a proposta pode barrar açÔes contra corrupção no uso das emendas parlamentares.

O fim da exigĂȘncia de autorização prĂ©via do Parlamento para processos criminais contra deputados e senadores foi aprovada por Emenda Constitucional em dezembro de 2001, apĂłs centenas de casos de impunidade chocarem a opiniĂŁo pĂșblica ao longo de toda a dĂ©cada de 1990.

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