Ex-morador de rua que viveu 5 anos na rodoviária se forma em Direito

“Os estudos eram a única forma de sair daquele lugar”, diz Walisson, 32; meta agora é passar no Exame da OAB e atuar na Defensoria Pública

O brasiliense Walisson Pereira da Silva, 32, concluiu recentemente a graduação em Direito após uma trajetória marcada por anos de vulnerabilidade social. Por cerca de cinco anos, ele dormiu na Rodoviária do Plano Piloto, conciliando a rotina nas ruas com horas de estudo em bibliotecas públicas para conquistar a vaga em uma faculdade particular do DF com financiamento integral da mensalidade.

“Os estudos eram a única forma de sair daquele lugar”, diz Walisson, 32; meta agora é passar no Exame da OAB e atuar na Defensoria Pública

Segundo Walisson, a virada começou quando um morador da cidade o ajudou com comprovante de residência, permitindo que ele retornasse à escola e concluísse o ensino básico. Depois, vieram a aprovação no Enem, o ingresso no curso e o primeiro estágio — que possibilitou alugar um quarto em Samambaia, mesmo comprometendo quase todo o valor da bolsa.

“Eu sabia que os estudos eram a minha única chance. Passei noites pedindo dinheiro, chegava sujo à sala, mas não desisti”, relembra.

Walisson Dias em estágio feito durante o curso de direito, no DF — Foto: Arquivo pessoal

Walisson Dias em estágio feito durante o curso de direito, no DF — Foto: Arquivo pessoal

Linha do tempo

  • 2003–2005: violência doméstica e fuga de casa; início da vida nas ruas.

  • 2010: conclusão do ensino básico no Centro de Ensino 123 (Samambaia).

  • 2014–2015: preparação para o Enem em bibliotecas públicas de Brasília.

  • 2016: ingresso em Direito com 100% de financiamento; primeiro estágio e aluguel próprio.

  • 2023 (dez.): colação de grau; busca por emprego e preparação para a OAB.

  • 2025: campanha para tratamento odontológico e manutenção de despesas enquanto estuda.

Walisson da Silva em sala de aula da faculdade — Foto: Arquivo pessoal

Walisson da Silva em sala de aula da faculdade — Foto: Arquivo pessoal

Hoje, já bacharel, ele diz querer transformar a própria história em serviço aos outros:

“Escolhi o Direito porque vi muitas injustiças no coração do país. Quero trabalhar para que pessoas com direitos negados tenham voz.”

Sem emprego fixo no momento, Walisson conta com a ajuda de amigos para arcar com despesas como aluguel, alimentação e transporte, estimadas em cerca de R$ 750 por mês, e organiza uma vaquinha para tratamento dentário e manutenção dos estudos até a prova da OAB.

Walisson da Silva, de 32 anos, em frente ao STF — Foto: Arquivo pessoal

Walisson da Silva, de 32 anos, em frente ao STF — Foto: Arquivo pessoal

Fonte: Relato do entrevistado e arquivos pessoais (imagens cedidas).
✍️ Redigido por ContilNet

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