Pressão das ruas enterra PEC da Blindagem e lança sombra sobre anistia do 8 de janeiro

Pressão popular venceu: a PEC da Blindagem caiu e isso é um recado claro para direita

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado decidiu, por unanimidade, enterrar a chamada PEC da Blindagem. A proposta, que vinha sendo discutida como uma forma de ampliar proteções a parlamentares, foi rejeitada depois que a pressão das ruas ganhou corpo em todo o país. Não foi articulação de bastidor, não foi lobby de gabinete: foi a força popular que fez a diferença.

Pressão das ruas enterra PEC da Blindagem e lança sombra sobre anistia do 8 de janeiro. Foto: Reprodução/Agência Brasil

Manifestações em várias capitais, panelaços e a intensa mobilização nas redes sociais colocaram os senadores contra a parede. O recado foi direto: a sociedade não aceitaria retrocessos em transparência e responsabilização de políticos. O povo acordou e mostrou que, quando resolve se mexer, muda o rumo da história.

Derrota da direita no Congresso

O desfecho também representa um duro golpe para a direita no Congresso. Na Câmara dos Deputados, a bancada do PL e os parlamentares alinhados ao bolsonarismo apostavam na aprovação da PEC como uma das prioridades da legislatura. A expectativa era de que o Senado desse sinal verde, abrindo caminho para avançar na Câmara.

Não foi o que aconteceu. A unanimidade no Senado enterrou a narrativa de que havia apoio consolidado. Foi um recado claro: a base popular contrária à PEC mostrou-se muito mais forte do que qualquer cálculo partidário.

Recado das ruas também atinge a esquerda

Embora a derrota da PEC da Blindagem tenha sido lida como um revés para a direita, o episódio deixou claro que a esquerda também não saiu ilesa. Dezenas de parlamentares de partidos progressistas — incluindo nomes do PT — votaram a favor da proposta na Câmara dos Deputados. Os deputados chegaram a pedir desculpas publicamente pelo voto.

A decisão da CCJ do Senado de enterrar a PEC, respaldada pela pressão popular, funciona como um alerta: não importa o espectro ideológico, quem votar contra o sentimento das ruas corre o risco de perder capital político. O recado, portanto, é direto: blindagem não tem cor partidária — e a sociedade está de olho em todos.

Direita dividida: Alan Rick incisivo, Bittar recua

No Acre, o episódio escancarou fissuras até mesmo entre senadores da direita. Alan Rick (União Brasil) foi categórico em sua posição contra a proposta, destacando que a PEC não encontrava respaldo social e seria um equívoco aprová-la. Márcio Bittar (União Brasil), que em um primeiro momento demonstrava simpatia pela ideia, acabou recuando. Acompanhou o relatório do relator e se somou ao coro que derrubou a proposta.

Esse alinhamento improvável de nomes de diferentes espectros políticos mostra que o Congresso entendeu o sinal das ruas. Para os parlamentares, a mensagem é cristalina: quando a pressão vem do povo, não há blindagem possível.

Neri sai gigante da derrota da PEC da Blindagem

Se tem uma parlamentar que saiu maior depois do enterro da PEC da Blindagem, foi a deputada federal Socorro Neri (PP-AC). Única voz do Acre a votar contra a proposta ainda na Câmara dos Deputados, ela agora colhe os frutos políticos dessa postura.

Neri surfou uma onda de apoio nas redes sociais após a votação no Senado, sendo destacada como uma das poucas que se posicionaram de forma firme contra a blindagem desde o início. Essa coerência a coloca em evidência no cenário nacional e dá novo fôlego para sua caminhada rumo à reeleição em 2026.

PEC enterrada acende alerta sobre anistia do 8 de janeiro

O recado do Senado ao enterrar a PEC da Blindagem foi claro: não será simples para a direita avançar em pautas polêmicas que não contam com respaldo popular. A derrota unânime abre um precedente preocupante para a base bolsonarista, que sonha em aprovar a anistia dos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

Se senadores de diferentes espectros já se uniram contra a blindagem parlamentar, a tendência é que a proposta de anistia enfrente resistência ainda maior. A leitura nos bastidores é que, depois dessa derrota, a direita terá um caminho difícil pela frente para emplacar projetos sensíveis e de alto custo político.

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