Uma pessoa morreu e outras oito foram internadas em São Paulo após intoxicação por metanol presente em bebidas alcoólicas adulteradas. Os casos ocorreram nos 18 primeiros dias de setembro e foram considerados inéditos pelo alto volume de registros em curto período, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), de Campinas.
As ocorrências foram registradas nas cidades de São Paulo, Limeira e Bragança Paulista e comunicadas ao governo federal via Sistema de Alerta Rápido (SAR). A secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, alerta que a situação é grave, pode estar subnotificada e “pode evoluir para um surto”.

Um homem morreu e outras oito pessoas foram internadas após consumir bebidas adulteradas/Foto: Reprodução
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, os casos se diferenciam dos registros anteriores por ocorrerem em curto espaço de tempo e envolverem contextos sociais, como bares e festas, e não apenas populações em situação de rua, tradicionalmente associadas a bebidas adulteradas em postos de gasolina. Entre os tipos de bebida envolvidos estão gin, whisky e vodka.
Os órgãos competentes, incluindo Ministério da Saúde, Anvisa, Vigilância Sanitária e órgãos de defesa do consumidor, foram notificados. Uma reunião do Comitê Técnico do SAR está prevista para segunda-feira (29) para definir novas medidas. O comitê reúne representantes da Polícia Federal, Polícia Civil, Receita Federal, órgãos periciais, entre outros.

Tratamento rápido com antídoto ou hemodiálise é essencial para a recuperação/Foto: Reprodução
Entre os casos específicos, destaca-se um homem de 30 anos, internado em Limeira no dia 18 de setembro após consumir whisky em um churrasco, que permanece em estado grave. Em São Paulo, sete casos foram registrados:
-
Um homem de 27 anos consumiu bebida em festa universitária e segue internado em estado gravíssimo.
-
Dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 23 anos tiveram sintomas leves e receberam alta. A mulher ingeriu gin e precisou de antídoto e hemodiálise.
-
Um homem de 50 anos morreu no dia 17 de setembro após intoxicação por metanol.
-
Um homem de 62 anos recebeu antídoto e passou por hemodiálise.
-
Outro homem de 35 anos foi internado horas depois de consumir vodka em um bar.
O metanol, presente em bebidas adulteradas, pode causar náusea, tontura, cegueira e até a morte, mesmo em pequenas quantidades. Por isso, procura imediata pelo sistema de saúde é essencial, já que o tratamento depende do tempo de detecção e pode incluir antídotos e hemodiálise.
