ConferĂȘncia: delegadas pedem sistema Ășnico de polĂ­ticas para mulheres

Por AgĂȘncia Brasil 01/10/2025


Logo AgĂȘncia Brasil

As participantes da 5ÂȘ ConferĂȘncia Nacional de PolĂ­ticas para as Mulheres (5ÂȘ CNPM), em BrasĂ­lia, propuseram, nesta terça-feira (30), a criação do Sistema Nacional Federativo para as Mulheres com o objetivo de fortalecer a formulação e execução de polĂ­ticas pĂșblicas de direitos das mulheres em todo o paĂ­s, de forma articulada entre a UniĂŁo, estados, Distrito Federal e municĂ­pios.ebcebc

Para o financiamento continuo e estĂĄvel das açÔes de promoção dos direitos, de eliminação da discriminação da mulher e de enfrentamento Ă  violĂȘncia em todo o paĂ­s, vĂĄrias delegadas da 5ÂȘ CNPM pleiteiam a instituição de um fundo nacional para as mulheres.

NotĂ­cias relacionadas:

A ministra das Mulheres, MĂĄrcia Lopes, considera importante o pleito da criação de uma espĂ©cie de sistema Ășnico de polĂ­ticas para as mulheres.

“Um sistema [assim] independe do mandato. Ele Ă© constitucional, permanente, contĂ­nuo, assim como o Sistema Único de SaĂșde [SUS], o Sistema Único de AssistĂȘncia Social [SUAS], o Sistema Único de Segurança PĂșblica [SUSP], o Sistema Nacional de Cultura  [SNC]”, ressaltou.

No entanto, a ministra destaca que Ă© preciso aguardar as deliberaçÔes da 5ÂȘ conferĂȘncia e se aprovado pela maioria das delegadas, o MinistĂ©rio das Mulheres darĂĄ continuidade ao debate. “A partir da deliberação destas propostas, esse Ă© um debate que nĂłs vamos dar continuidade. O importante Ă© que as mulheres estĂŁo convencidas.”

Fundo nacional 

A deputada federal Maria do RosĂĄrio (PT-RS) reforça a demanda. “Se nĂłs articularmos o sistema nacional federativo, nĂłs vamos ter polĂ­tica pĂșblica no plano local e a articulação de polĂ­tica no plano federativo com estados, municĂ­pios e a prĂłpria UniĂŁo.”

Sobre a criação de um fundo nacional para as mulheres como parte de uma polĂ­tica nacional,  Maria do RosĂĄrio entende que o financiamento federativo das polĂ­ticas pĂșblicas de direitos das mulheres serĂĄ responsabilidade de todos. “Tem que estar na lei: todas as prefeituras, todos os governos estaduais, assim como o governo federal, independentemente de quem governe, tĂȘm a responsabilidade de ter um ĂłrgĂŁo especĂ­fico e a secretaria de apoio Ă s mulheres. E aĂ­, nĂłs vamos ter uma polĂ­tica que nĂŁo Ă© setorial, porque Ă© preciso dar poder igual, como a ministra MĂĄrcia tem, para estar ao lado dos demais ministros, definindo as polĂ­ticas de governo”, explicou a parlamentar gaĂșcha.   

A ministra Marcia Lopes disse que a criação do fundo Ă© mais complexa do que uma polĂ­tica setorial. “Os [atuais] fundos vĂŁo continuar funcionando nas suas polĂ­ticas e nĂłs teremos que pensar se o fundo para as mulheres serĂĄ para garantir a gestĂŁo, a organização dos setores de gestĂŁo da polĂ­tica, como Ă© no MinistĂ©rio das Mulheres, nos estados e nos municĂ­pios”.

Relação interfederativa

As lideranças polĂ­ticas participaram do painel da 5ÂȘ CNPM com o tema O desafio de implementação de polĂ­ticas pĂșblicas para as mulheres na relação interfederativa para debater a coordenação entre os diferentes nĂ­veis de governo na execução de açÔes voltadas ao pĂșblico feminino.

A ministra Marcia Lopes explicou que em um pacto federativo a estrutura do governo do Brasil, seja no nível federal, estadual e municipal, deve estar entrosadas, integradas e articuladas.

“NĂŁo adianta nĂłs termos leis maravilhosas, se nĂŁo tivermos essa capacidade de entender a lĂłgica do que Ă© uma polĂ­tica intersetorial, de como nĂłs vamos dialogar com os estados e municĂ­pios e como nĂłs vamos qualificar as nossas atribuiçÔes.”

A ministra defende que deve haver um diĂĄlogo em todas as esferas. o Executivo, o Legislativo, o controle social. “Os movimentos sociais sĂŁo fundamentais.”

O debate também contou com a participação da governadora do Rio Grande do Norte, Fåtima Bezerra, que relembrou o pioneirismo do estado que governa na luta pelos direitos das mulheres.


BrasĂ­lia (DF) 30/09/2025 A governadora do Rio Grande do Norte, FĂĄtima Bezerra, participa de plenĂĄria da 5ÂȘ ConferĂȘncia Nacional de PolĂ­ticas para as Mulheres (CNPM) de Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ AgĂȘncia Brasil

FĂĄtima Bezerra relembrou do pioneirismo do Rio Grande do Norte no feminismo – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ AgĂȘncia Brasil

FĂĄtima apontou diĂĄlogo federativo entre UniĂŁo, estados e municĂ­pios para garantir a efetividade das açÔes voltadas Ă s mulheres. “É estreitando este diĂĄlogo que poderemos avançar na implantação de polĂ­ticas concretas e transformadoras.”

Perante as delegadas da conferĂȘncia, a ex-prefeita de Conde (PB), MĂĄrcia Lucena, estimulou a participação social dos debates sobre as polĂ­ticas voltadas Ă s mulheres “Nossa participação como mulheres é a agulha e a linha que vĂŁo costurar esse tecido do processo interfederativo.”

Representando o nĂ­vel municipal, a prefeita de Juiz de Fora (MG), Margarida SalomĂŁo, defendeu que pensar em polĂ­ticas pĂșblicas que assegurem os direitos das mulheres e ampliem suas possibilidades Ă© algo fundamental e inadiĂĄvel. A prefeita convidou as mulheres a se candidatem a cargos eletivos em 2026 para que ocupem espaços de poder e de decisĂŁo. “NĂłs havemos de marchar atĂ© que todas sejamos livres.”

Conselhos e secretarias

Mårcia Lopes relatou que, em julho, esteve no Rio Grande do Sul para articular, juntamente com representantes de movimentos sociais, a criação da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres e adiantou que percorrerå outros estados e municípios para sensibilizar gestores locais sobre a necessidade de implantação destes órgãos específicos.

A ministra ainda sugeriu estratĂ©gias da sociedade para elevar a quantidade de conselhos municipais de polĂ­ticas para as mulheres. O baixo nĂșmero impede o alcance e o controle social amplos dos direitos das mulheres.

“É a mobilização das mulheres, Ă© a nossa organização, Ă© o convencimento diĂĄrio pela atuação dos conselhos, usando as mĂ­dias, as rĂĄdios comunitĂĄrias, pedindo audiĂȘncia pĂșblica nas cĂąmaras municipais, nas assembleias legislativas, Ă© votando, no ano que vem, em mulheres e homens que defendem as polĂ­ticas para as mulheres e votando em leis de cotas. Tem governadoras, prefeitas, que jĂĄ fazem isso, que dizem que 50% do secretariado local Ă© das mulheres. SĂł assim, as mulheres terĂŁo espaço polĂ­tico.”

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.