Falta exatamente um ano para as eleições de 2026, e o clima político no Acre já é de campanha — mesmo que ninguém admita oficialmente. Nos bastidores, alianças começam a se desenhar, partidos se movimentam e os principais nomes colocados para a disputa ao governo do Estado já dão sinais claros de qual será o tom da corrida.
O nome mais forte até agora é o do senador Alan Rick, que confirmou sua saída do União Brasil após divergências internas e deve se filiar ao Republicanos para disputar o Palácio Rio Branco. Ele aparece na dianteira das pesquisas de intenção de voto e tem costurado apoios estratégicos entre prefeitos e lideranças religiosas, além de contar com uma base consolidada na capital.

Cenário político acreano começa a se desenhar para 2026, com movimentação de partidos e possíveis candidatos ao governo e Senado/Foto: Reprodução
Do outro lado, quem também entra na disputa é a atual vice-governadora Mailza Assis, que assumirá o comando do Estado no início de 2026, quando Gladson Cameli deixará o cargo para tentar uma cadeira no Senado. Mailza deve disputar a reeleição pelo União Progressista, legenda que nasceu da fusão entre o União Brasil e o Progressistas. Ela reúne um expressivo arco de alianças: o apoio de 14 prefeitos do interior, mais da metade da Bancada Federal e boa parte da Aleac.
Na esquerda, o nome mais cotado é o do médico Thor Dantas, que deve se filiar ao PCdoB e representar o campo progressista na disputa. Thor tem o desafio de unificar um grupo historicamente dividido no Acre, mas sua imagem de técnico e seu discurso sobre saúde pública têm encontrado boa receptividade entre eleitores descontentes.
Correndo por fora, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), também aparece no radar. Ele tem um eleitorado fiel e aposta na força do bolsonarismo no estado para tentar viabilizar seu nome ao governo.
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Disputa pelo Senado: o “campeonato” das cadeiras
Se a corrida pelo governo promete ser intensa, o cenário para o Senado Federal tende a ser ainda mais acirrado. Em 2026, duas vagas estarão em disputa — e isso pode resultar em um número recorde de candidaturas.
Os atuais senadores Márcio Bittar (PL) e Sérgio Petecão (PSD) já anunciaram que tentarão a reeleição. O governador Gladson Cameli, por sua vez, deixará o Executivo determinado a voltar à Casa Alta, cargo que ocupou antes de chegar ao governo.
Mas a fila de pré-candidatos não para por aí. O ex-senador e ex-governador Jorge Viana (PT) deve tentar retornar ao Senado, buscando resgatar o protagonismo petista no Acre. Também surgem como possíveis nomes Mara Rocha (Republicanos), Jéssica Sales (MDB) e o deputado federal Eduardo Velloso.
E, como em toda eleição acreana, há sempre espaço para surpresas. O ex-governador Binho Marques (PT) voltou a ser citado nas conversas políticas recentes — e, se decidir entrar no jogo, pode embaralhar de vez as cartas dessa disputa.
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Bancada federal e Aleac: renovação à vista
As oito cadeiras do Acre na Câmara dos Deputados também prometem ser alvo de uma das disputas mais intensas dos últimos anos. Deputados que buscam a reeleição terão que enfrentar ex-parlamentares com bases políticas consolidadas e atuais deputados estaduais que enxergam em 2026 a chance de subir mais um degrau na carreira política. O resultado disso deve ser uma campanha marcada por alianças regionais e forte investimento nos redutos eleitorais do interior.
Na Assembleia Legislativa, o clima é de apreensão. As eleições municipais de 2024 acenderam o alerta: mais de 60% das câmaras municipais do Acre foram renovadas, um recado claro do eleitorado por mudanças. Com 24 cadeiras em jogo, mais da metade dos atuais deputados estaduais correm o risco real de não voltar.
O recado do eleitor, aliás, parece claro: o Acre está disposto a ouvir novas vozes. A um ano das urnas, o desafio de quem já tem mandato é mostrar resultado — e o de quem quer entrar é convencer de que pode fazer diferente.
No fim das contas, 2026 promete ser uma eleição de ruptura — ou de reafirmação. E, como sempre, o Acre guarda espaço para surpresas.
