O crescente acesso das crianças às redes sociais tem promovido a exposição precoce a padrões estéticos adultos, influenciando comportamentos e práticas desde tenra idade. Meninas, muitas vezes antes dos 12 anos, estão adotando rotinas de cuidados com a pele e maquiagem, impulsionadas por tutoriais e influenciadoras digitais. Embora o interesse por esses produtos possa parecer inofensivo, especialistas alertam para os potenciais riscos à saúde e ao desenvolvimento infantil.

Criança aplicando maquiagem em casa, ilustrando a crescente tendência de uso de cosméticos por crianças influenciadas pelas redes sociais/Foto: Shutterstock
Estudos indicam que a exposição a substâncias químicas presentes em cosméticos destinados a adultos, como desreguladores endócrinos, pode interferir no sistema hormonal das crianças. Esses compostos têm sido associados à puberdade precoce, caracterizada pelo desenvolvimento antecipado de características sexuais secundárias, como o crescimento das mamas e a menarca (primeira menstruação) em meninas .
A utilização frequente de produtos cosméticos que contêm esses desreguladores pode alterar o equilíbrio hormonal, acelerando o processo de maturação física. Se for feito o uso, é recomendado que sejam maquiagens apropriadas para crianças.
A pele infantil, mais fina e sensível, é suscetível a irritações e alergias causadas pelo uso inadequado de produtos cosméticos. Dermatologistas destacam que a aplicação de cosméticos desenvolvidos para peles maduras pode resultar em reações adversas, como irritações, manchas e obstrução de poros. Além disso, a exposição a substâncias químicas presentes em cosméticos pode afetar o desenvolvimento hormonal e causar efeitos a longo prazo.
O uso precoce de maquiagem está diretamente ligado à adultização da infância, um processo em que crianças assumem comportamentos e responsabilidades típicas de adultos. A influência das redes sociais intensifica esse fenômeno: plataformas como TikTok e Instagram expõem crianças a tutoriais de beleza, desafios e padrões estéticos irreais, criando uma pressão constante para se adequar à aparência idealizada.
Essa combinação pode gerar ansiedade, baixa autoestima e comparação social, fazendo com que meninas e meninos reproduzam hábitos que não correspondem à sua idade, transformando brincadeiras em rotinas de aparência e tornando a aceitação dependente da avaliação online, e não do desenvolvimento natural da infância.
É fundamental que pais e responsáveis estejam atentos ao tipo de produtos utilizados pelas crianças e ao propósito de seu uso. A maquiagem deve ser encarada como uma atividade lúdica, supervisionada e com produtos adequados à faixa etária. Além disso, é essencial promover o diálogo sobre os padrões de beleza e a importância da autoestima, incentivando a valorização da aparência natural e saudável.
