Há 10 anos, a comunidade fundada por Sister Kate cultiva cânhamo, produz fitoterápicos com CBD e realiza rituais alinhados aos ciclos lunares — sem vínculo com a Igreja Católica. Em fase de reinvenção, o grupo mira parcerias com dispensários e produtos com maior teor de THC.

As Sisters of the Valley, conhecidas como “freiras da cannabis”, misturam fé, ativismo e medicina natural na Califórnia, desafiando o mercado e os dogmas religiosos.
As Sisters of the Valley surgiram no Vale de San Joaquin (Califórnia, EUA) com um propósito claro: unir espiritualidade, autocuidado e medicina de plantas. Lideradas por Christine Meeusen, a Sister Kate — criada em família católica, inspirada nas beguinas medievais e convertida ao ativismo verde —, as “freiras da cannabis” cultivam cânhamo rico em CBD e transformam a colheita em óleos, pomadas e extratos. Os rituais do cultivo seguem ciclos da lua, em silêncio e com gestos cerimoniais, como forma de “carregar” simbolicamente as preparações.
Sisters of the Valley: Not Reverend sisters btw! #Wakeandbake pic.twitter.com/nOuGUHrB1a
— Igbolabi Sir Teeva (@psyktcha) April 24, 2025
Apesar do hábito e do nome, não há vínculo com a Igreja Católica. A ordem é espiritual, não confessional, e prega vida simples, respeito à natureza e cuidado comunitário.
Crise e reinvenção
O boom inicial levou o grupo a faturar algo próximo de US$ 1,2 milhão/ano no pré-pandemia. Com a pressão regulatória e a desvalorização do mercado legal de cannabis na Califórnia, a receita caiu para cerca de US$ 350 mil em 2024. Para enfrentar a maré, as Sisters ampliaram o leque: parcerias com dispensários e uma linha piloto com maior teor de THC, mantendo a produção artesanal e o discurso de cura — agora com foco também em pontos de venda fora do e-commerce.
Sisters of the valley pic.twitter.com/WWsFMEtHYA
— Account for sale🌴 (@Nianiaro67) December 12, 2024
Da fazenda para o cinema
A notoriedade cresceu com uma participação em One Battle After Another (2025), novo filme de Paul Thomas Anderson com Leonardo DiCaprio e Sean Penn. A aparição funciona como um aceno pop à cultura canábica feminina e colaborou para recolocar o grupo no radar em 2025.
“O que fazemos é sobre cura, fé e propósito. Vamos seguir firmes, porque acreditamos que espiritualidade e medicina natural podem caminhar juntas”, resume Sister Kate.
Fontes: The Times (perfil e números recentes); LiveMint (queda de receita e novas parcerias); Department of Cannabis Control – California Cannabis Market Outlook 2024 (contexto de mercado); ABC News (perfil histórico); Deadline/The Guardian/People (filme One Battle After Another e elenco).
✍️ Redigido por ContilNet Notícias
