A Receita Federal deflagrou, nesta quinta-feira (16), a Operação Alquimia, com ações simultâneas em 13 cidades do estado de São Paulo e em outros quatro estados brasileiros. A força-tarefa tem como objetivo rastrear a procedência do metanol e comparar o material apreendido com amostras encontradas em bebidas adulteradas que provocaram mortes e intoxicações no país.
A operação é um desdobramento das investigações Boyle e Carbono Oculto, que já haviam revelado esquemas de adulteração de combustíveis com o uso da substância — altamente tóxica e potencialmente letal.

Redação
🧯 Cidades e empresas investigadas
Em São Paulo, as ações ocorrem em Guarulhos, Cotia, Arujá, Suzano, Jandira, Araçariguama, Avaré, Cerqueira César, Laranjal Paulista, Limeira, Morro Agudo, Palmital e Sumaré.
Outros estados com diligências são Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Participam da operação equipes da Polícia Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Ao todo, 24 empresas são alvo de coleta de amostras e documentos — incluindo importadores, terminais marítimos, indústrias químicas, destilarias e usinas.
⚗️ Cadeia do metanol: da importação ao desvio
Segundo a Receita Federal, há fortes indícios de desvio de metanol da cadeia industrial regular.
As investigações apontam que parte do produto pode ter sido retirada ilegalmente de distribuidoras e destinada à produção clandestina de bebidas alcoólicas.
Importadores são responsáveis pela entrada do metanol no país e o repassam a empresas químicas.
Nos terminais marítimos, grandes volumes ficam armazenados até serem enviados às indústrias.
Já algumas empresas químicas e destilarias teriam adquirido o produto com notas fiscais fraudulentas, usando caminhões e motoristas inexistentes — o que indica fraude documental e comercial.
As usinas, por sua vez, estão sendo investigadas por atuarem em pontos-chave da cadeia de produção, o que pode ajudar a rastrear lotes adulterados ou desviados.
☠️ Mortes e casos de intoxicação
O número de vítimas de intoxicação por metanol em São Paulo subiu para seis, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES).
O caso mais recente é o de um homem de 37 anos, morador de Jundiaí, que morreu na terça-feira (14) após 11 dias de internação no Hospital de Caridade São Vicente de Paulo.
O estado registra ainda 28 casos confirmados de intoxicação, 100 em investigação e 15 estabelecimentos interditados de forma cautelar.
Em âmbito nacional, o Ministério da Saúde confirmou oito mortes — sendo seis em São Paulo e duas em Pernambuco —, além de dez óbitos sob investigação nos estados de SP, PE, MS, PB e PR.
O uso de metanol em bebidas é proibido por lei, pois o consumo acidental causa cegueira, insuficiência respiratória e morte, mesmo em pequenas doses.
Fonte: Receita Federal, ANP, Ministério da Saúde e ContilNet Notícias
✍️ Redigido por ContilNet
