Empresas de autoescolas de São Paulo estacionaram cerca de 200 veículos na Ponte Estaiada, no Morumbi, Zona Sul da capital, em protesto contra a proposta do Ministério dos Transportes de tornar opcionais as aulas nas autoescolas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A manifestação começou na noite de quarta-feira (22) e segue na manhã desta quinta-feira (23), quando os carros sairão em carreata até a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os veículos estão enfileirados ocupando toda a extensão da ponte, no sentido Jabaquara, e a corporação acompanha o protesto para orientar o tráfego e garantir segurança. A ação é organizada por donos de autoescolas ligados à Federação Nacional das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores (Feneauto) e pelo Sindautoescola.SP.

Setor teme perda de empregos e queda nas matrículas com nova regra/Foto: Reprodução
Os manifestantes argumentam que a proposta do governo federal ameaça a segurança no trânsito e o emprego de mais de 300 mil instrutores em todo o Brasil. Segundo o presidente da Feneauto, Ygor Valença, o setor pretende pressionar políticos estaduais e federais, coletar assinaturas para um projeto de lei que interrompa a consulta pública e, se necessário, judicializar o caso para que as mudanças não sejam implementadas sem diálogo com o setor.
Em nota, o Sindautoescola.SP afirmou que a manifestação é um movimento legítimo dos trabalhadores e empresários do setor e que o sindicato não é contra aprimoramentos, mas defende que alterações no processo de habilitação ocorram com participação das entidades representativas, garantindo a qualidade, segurança e responsabilidade social do ensino de condutores.
O governo informou que já foram registradas mais de 32 mil sugestões na consulta pública, superando o recorde de 2022, quando cerca de 24 mil cidadãos opinaram sobre a inclusão de crianças na campanha de vacinação contra a Covid-19. Caso a proposta seja aprovada, as aulas em autoescolas poderão se tornar opcionais, o que, segundo a Feneauto, já provocou uma queda significativa nas novas matrículas em autoescolas de todo o país.
