O cafĂ© conhecido como kopi luwak — feito com grĂŁos ingeridos e excretados pela civeta, um pequeno mamĂfero do sudeste asiático — Ă© quimicamente diferente do cafĂ© comum. A constatação foi feita por cientistas indianos em um estudo publicado na revista Scientific Reports nesta quinta-feira (23/10).
Os pesquisadores analisaram amostras da espécie Robusta colhidas em plantações tradicionais e orgânicas e as compararam com grãos obtidos das fezes frescas da civeta.
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O resultado mostrou que o cafĂ© que passou pelo animal apresenta maior teor de gordura total e concentrações mais elevadas de ácidos graxos, como o metil caprĂlico e o metil cáprico — compostos que contribuem para o sabor e o aroma caracterĂsticos da bebida.
Em contrapartida, nĂŁo foram encontradas diferenças significativas nos nĂveis de cafeĂna ou proteĂna entre as amostras. Segundo os cientistas, o processo digestivo da civeta — que envolve a fermentação natural do fruto no trato gastrointestinal — Ă© o principal responsável por alterar a composição quĂmica do grĂŁo.
Essa fermentação ocorre enquanto o cafĂ© ainda está dentro do corpo do animal, modificando sua estrutura antes de ele ser excretado. As análises quĂmicas foram feitas antes da torrefação, justamente para evitar que o calor interferisse nos compostos originais.
Os autores explicam que o objetivo era entender o impacto biolĂłgico da digestĂŁo animal, e nĂŁo as transformações provocadas pelo preparo do cafĂ©. Mesmo assim, eles ressaltam que ainda sĂŁo necessários testes sensoriais para identificar se as diferenças quĂmicas se traduzem em alterações perceptĂveis de sabor e aroma na bebida pronta.
O kopi luwak Ă© considerado um dos cafĂ©s mais caros e raros do mundo — em alguns paĂses, chega a custar mais de mil dĂłlares o quilo. O produto ficou conhecido como uma iguaria de luxo, principalmente pela forma incomum de processamento: os grĂŁos sĂŁo ingeridos pelas civetas, que escolhem os frutos mais maduros, e depois sĂŁo recolhidos manualmente de suas fezes.
A civeta Ă© o pequeno mamĂfero responsável pelo cafĂ© mais caro do mundo
Os autores do estudo alertam que, embora o interesse cientĂfico em entender as diferenças quĂmicas seja legĂtimo, a coleta Ă©tica e sustentável dos grĂŁos deve ser priorizada, respeitando o bem-estar das civetas e o equilĂbrio ecolĂłgico dos ambientes onde elas vivem.
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