Chamado de maconheiro pela ex, Bove quer teste toxicolĂłgico em alunos

Por MetrĂłpoles 24/10/2025

O deputado estadual Lucas Bove (PL), apontado pela ex-esposa, CĂ­ntia Chagas, como usuĂĄrio de maconha em denĂșncias sobre agressĂŁo fĂ­sica, ameaça e violĂȘncia psicolĂłgica, propĂŽs um projeto de lei na Assembleia Legislativa de SĂŁo Paulo (Alesp) que obriga a realização de exame toxicolĂłgico para o ingresso e a renovação de matrĂ­cula em universidades estaduais paulistas.

WhatsApp Image 2023 01 18 at 10.05.227 imagensCĂ­ntia Chagas prestou queixa contra o deputadoCĂ­ntia Chagas Ă© influencer e professora de portuguĂȘsCĂ­ntia Chagas teria proposto a multa de R$ 1 milhĂŁo para quebra da confidencialidadeA defesa de CĂ­ntia Chagas pediu a prisĂŁo de Lucas Bove na sexta-feira (18/10)Antes de casar com o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), esteve em um relacionamento com o psicĂłlogo e empresĂĄrio Luiz Fernando GarciaFechar modal.logo metropoles branca1 de 7

Cintia Chagas

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CĂ­ntia Chagas prestou queixa contra o deputado

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CĂ­ntia Chagas Ă© influencer e professora de portuguĂȘs

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CĂ­ntia Chagas teria proposto a multa de R$ 1 milhĂŁo para quebra da confidencialidade

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A defesa de CĂ­ntia Chagas pediu a prisĂŁo de Lucas Bove na sexta-feira (18/10)

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Antes de casar com o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), esteve em um relacionamento com o psicĂłlogo e empresĂĄrio Luiz Fernando Garcia

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A influencer e o deputado estadual de SP anunciaram a separação poucos meses depois do casamento

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PL propÔe toxicológico para estudantes de universidades de SP

Formado em administração e comĂ©rcio exterior pela instituição privada Universidade Presbiteriana Mackenzie, em SĂŁo Paulo, Bove propĂŽs no PL 349/2023 que a permanĂȘncia de estudantes no ensino superior pĂșblico do estado deve depender da realização do exame toxicolĂłgico realizado anualmente.

O PL, que tem autoria conjunta com o deputado estadual Altair Moraes (Republicanos), foi proposto em março de 2023. Em maio do ano passado, o projeto foi recebido pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação, com voto favoråvel do relator, o deputado Carlos Cezar (PL). Desde então, seis deputados deram vista ao projeto, que estå parado na Casa legislativa desde maio deste ano.

Apontado como maconheiro pela ex

Nessa quinta-feira (23/10), Bove foi denunciado pelo MinistĂ©rio PĂșblico de SĂŁo Paulo (MPSP) por violĂȘncia psicolĂłgica, perseguição, ameaça e lesĂŁo corporal – crimes que teriam sido cometidos contra a ex-esposa, a influenciadora CĂ­ntia Chagas. O ĂłrgĂŁo ministerial tambĂ©m pediu a prisĂŁo preventiva do parlamentar, o que depende da anĂĄlise da Justiça antes de se tornar um decreto.

Na denĂșncia, obtida pelo MetrĂłpoles, a promotora Fernanda Raspantini Pellegrino detalha as denĂșncias feitas por CĂ­ntia durante o casamento e apĂłs a separação, ocorrida em setembro do ano passado.

De acordo com as acusaçÔes da influenciadora, Bove tinha o hĂĄbito de fumar maconha e, enquanto isso, empunhar a arma de fogo em direção Ă  entĂŁo esposa em tom de “brincadeira”. A promotoria considerou o ato como uma intimidação “ostensiva”.

Em uma ocasião específica, em julho de 2024, o deputado teria fumado maconha e apertado o mamilo de Cíntia enquanto eles estavam na presença de uma amiga dela – o que ele fazia frequentemente.

Ele chegou a passar a mão debaixo da roupa da então esposa, naquele episódio, dizendo para a outra mulher presente: “Olha o que eu faço com sua amiga”. A situação teria deixado as duas constrangidas.

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Histórico de agressÔes

  • De acordo com a denĂșncia obtida pelo MetrĂłpoles, Bove Ă© acusado de agressĂ”es fĂ­sicas, violĂȘncia psicolĂłgica, perseguição e ameaças, alĂ©m de um padrĂŁo reiterado de descumprimento de medidas protetivas apĂłs a separação.
  • Ele teria cometido violĂȘncia fĂ­sica ao menos trĂȘs vezes, entre agosto de 2022 e julho de 2024, geralmente com apertĂ”es, causando hematomas, lesĂ”es e humilhaçÔes pĂșblicas.
  • Dentre os apertĂ”es, o parlamentar tinha o hĂĄbito de apertar os mamilos da entĂŁo esposa em pĂșblico, deixando-a constrangida.
  • No mesmo perĂ­odo, Bove tinha o hĂĄbito de apontar sua arma de fogo para CĂ­ntia, como “brincadeira”, enquanto fumava maconha, diz a denĂșncia.
  • Em um momento, ele chegou a jogar uma faca na perna da mulher, e a ameaçou de morte, dizendo que o segurança dele esconderia o corpo.
  • Em outro, a ameaçou de agressĂŁo, com punho cerrado, e disse: “VocĂȘ sĂł nĂŁo vai apanhar agora porque tem 6 milhĂ”es de seguidores”.
  • Ele tambĂ©m teria cometido violĂȘncia psicolĂłgica contra a vĂ­tima, entre agosto de 2022 e julho de 2024, por meio de constrangimento, humilhação, isolamento e ridicularização.
  • Segundo os relatos de CĂ­ntia, Bove tinha ciĂșmes excessivo e desconfiança, e chegou a fazer com que ela apagasse campanhas publicitĂĄrias por achar as imagens inadequadas.
  • Ele tambĂ©m pedia prints e comprovantes para ter certeza de onde ela estava e se estava acompanhada.
  • As insinuaçÔes de que ela estaria tendo um caso fizeram com que CĂ­ntia cortasse relaçÔes com uma empresĂĄria e dispensasse seu cabeleireiro.
  • ApĂłs a separação, em agosto do ano passado, Bove passou a ameaçå-la de morte, inclusive para amigas dela, e a perseguir a influenciadora.
  • Ele teria utilizado advogados e a prĂłpria equipe para entrar em contato com CĂ­ntia e usado nĂșmeros de telefone da Alesp para ligar para ela apĂłs ter sido bloqueado.
  • As agressĂ”es e violĂȘncia psicolĂłgica causaram dano psicolĂłgico Ă  mulher, que passou a usar antidepressivos, sofreu queda de cabelo e desenvolveu Transtorno de Estresse PĂłs-TraumĂĄtico (TEPT). Ela tambĂ©m passou a utilizar veĂ­culo blindado por medo.

Processos e medidas protetivas

Logo apĂłs a separação, em setembro do ano passado, CĂ­ntia registrou um boletim de ocorrĂȘncia contra Bove e entrou com um pedido de medida protetiva, que foi acatado pela Justiça. Ele ficou proibido de manter contato, se aproximar e frequentar lugares em que ela esteja. As cautelares permanecem vigentes e o divĂłrcio foi oficializado em 14 de setembro.

Em setembro deste ano, ele foi indiciado por ameaça e violĂȘncia psicolĂłgica. E, nesta quinta, o MPSP o denunciou por violĂȘncia psicolĂłgica, perseguição, ameaça e lesĂŁo corporal. AlĂ©m disso, hĂĄ uma ação penal instaurada por descumprimento de medidas protetivas. O ĂłrgĂŁo ministerial pede Ă  Justiça a prisĂŁo preventiva do parlamentar.

O que dizem as partes

Em nota, a defesa de CĂ­ntia afirmou que a denĂșncia oferecida pelo MPSP “representa um marco importante para as mulheres na busca pela verdade, pela responsabilização e pela dignidade da vĂ­tima”.

Segundo a advogada Gabriela Manssur, a denĂșncia formal reafirma o que “sempre sustentaram”: “Que nĂŁo hĂĄ espaço para o abuso, para a impunidade e para o uso do poder como instrumento de opressĂŁo”.

Em publicação nas redes sociais apĂłs a repercussĂŁo do pedido de prisĂŁo preventiva, Bove afirmou que o requerimento ocorreu apĂłs ele “responder a uma pergunta sobre fatos que jĂĄ eram pĂșblicos e que foram vazados”. Ele acrescentou que a Delegacia da Mulher “afastou totalmente as acusaçÔes de violĂȘncia fĂ­sica”, o indiciando por violĂȘncia psicolĂłgica.

O parlamentar afirmou que um laudo atestando a ausĂȘncia de dano psicolĂłgico na vĂ­tima foi ignorado pela delegacia. Ele lembrou ainda que CĂ­ntia falou publicamente Ă  imprensa nessa quarta (22/10) sobre o episĂłdio no qual ele atirou uma faca nela. “Segredo de Justiça com uma cautelar que me proĂ­be tambĂ©m de falar! E nada acontece
”, afirmou Bove.

Em nota ao MetrĂłpoles enviada nesta sexta-feira (24/10), a defesa de Lucas Bove afirmou que o parlamentar recebeu o oferecimento da denĂșncia do MPSP “com enorme surpresa”, especialmente pelo “descabido pedido de prisĂŁo”. Para os advogados, “inexistem razĂ”es, pressupostos e/ou requisitos para a cogitação ou adoção dessa medida”.

A defesa acrescentou que nĂŁo se conforma com “o vazamento contĂ­nuo de informaçÔes a respeito do processo, que possui segredo e sigilo judicial e Ă© alvo de comentĂĄrios da citada CĂ­ntia Maria Chagas”.

AlĂ©m disso, a defesa diz que jĂĄ se manifestou nos autos, formalmente, contra o pedido do MPSP e que confia na Justiça. “Nosso cliente continuarĂĄ empenhado a comprovar que nĂŁo praticou crime algum.”

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