Oito Ministérios Públicos estaduais têm mais comissionados que servidores efetivos

Entidade recorre ao CNMP para limitar nomeações sem concurso e garantir valorização dos servidores de carreira

Um levantamento divulgado pela Federação Nacional dos Trabalhadores dos Ministérios Públicos Estaduais (Fenamp) revelou um cenário preocupante na estrutura administrativa de parte dos Ministérios Públicos do país. De acordo com o estudo, oito Estados brasileiros possuem mais servidores comissionados do que concursados, uma prática considerada inconstitucional pela entidade.

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O relatório foi encaminhado ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) com um pedido formal de intervenção para limitar o número de cargos de confiança e evitar o que a Fenamp classifica como “desvio dos princípios do serviço público”.

⚖️ Estados com mais comissionados que efetivos

A maior distorção ocorre em Mato Grosso, onde 65,28% dos funcionários do MP ocupam cargos de confiança. Confira o ranking completo:

  1. Mato Grosso (MT) – 65,28%

  2. Santa Catarina (SC) – 65,07%

  3. Paraná (PR) – 64,82%

  4. Piauí (PI) – 64,47%

  5. Rio de Janeiro (RJ) – 53,81%

  6. Goiás (GO) – 51,61%

  7. Rio Grande do Norte (RN) – 50,81%

  8. Paraíba (PB) – 50,07%

Em contrapartida, alguns Estados mantêm estruturas mais alinhadas aos princípios constitucionais. São Paulo, por exemplo, tem o menor percentual de comissionados do país (2,64%), seguido por Amazonas (22,02%), Minas Gerais (22,26%), Rondônia (24,02%) e Espírito Santo (28,22%).

💰 Salários acima do teto e alerta do STF

O levantamento também identificou casos de remunerações que ultrapassam o teto constitucional, como no Ministério Público de Mato Grosso do Sul, onde cargos comissionados chegam a receber R$ 47,5 mil — acima do limite de R$ 46,4 mil, equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Fenamp lembra que o STF já consolidou o entendimento de que cargos de confiança devem ser restritos a funções de direção, chefia e assessoramento, e não podem substituir servidores efetivos em atividades técnicas ou operacionais.

📄 O que a Fenamp pede ao CNMP

No documento encaminhado ao Conselho, a Fenamp e a Associação Nacional dos Servidores do Ministério Público (Ansemp) solicitaram três medidas principais:

  • Limitar o número de cargos de confiança a no máximo 50% do total de cargos efetivos;

  • Reservar metade dessas vagas para servidores de carreira;

  • Proibir o uso de cargos comissionados em funções técnicas ou burocráticas.

🚨 Impacto nos concursos públicos

Segundo a entidade, o excesso de comissionados reduz a oferta de vagas efetivas, prejudica concursandos e cria instabilidade administrativa. Além disso, compromete os princípios de isonomia, impessoalidade e mérito no serviço público.

A Fenamp defende que a atuação do CNMP será essencial para restaurar o equilíbrio entre os cargos efetivos e comissionados, garantindo que o Ministério Público continue sendo referência em moralidade e profissionalismo na administração pública.

Fonte: Fenamp / CNMP / STF
✍️ Redigido por ContilNet

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