A relação entre o câncer de próstata e as doenças cardiovasculares vai além do fato de ambas afetarem homens a partir dos 50 anos. O câncer e as doenças do coração têm fatores de risco em comum, como envelhecimento, sedentarismo, obesidade e má alimentação. Por isso, é comum que as condições apareçam juntas e que influenciem a evolução uma da outra.
Com avanços no tratamento oncolĂłgico, os pacientes passaram a viver mais, mas tambĂ©m lidam com novas questões. Muitos acabam desenvolvendo ou piorando doenças cardĂacas durante o tratamento, devido a alterações hormonais, inflamações persistentes e do efeito de medicamentos que reduzem a testosterona. Pesquisas mostram que pacientes com câncer de prĂłstata tĂŞm duas vezes mais chances de morrer por doenças cardiovasculares do que pelo prĂłprio tumor.
Leia também
-
Novembro Azul: alimentação pode ajudar a prevenir o câncer de próstata
-
Dormir bem reduz risco de doenças cardiovasculares e metabólicas
-
Novembro Azul: câncer silencioso matou 141 homens no DF em 2024
-
Saiba os sinais precoces de doenças cardiovasculares e como prevenir
Relação entre câncer de próstata e doenças cardiovasculares
A testosterona — hormĂ´nio produzido principalmente nos testĂculos — tem um papel importante na saĂşde masculina e está no centro da relação entre o câncer de prĂłstata e as doenças cardiovasculares. Isso ocorre porque quando os nĂveis hormonais caem demais, o organismo passa por mudanças que afetam o sistema reprodutor e o coração.
Durante o tratamento do câncer de próstata, é comum que os pacientes precisem usar medicamentos que bloqueiam a produção de testosterona para frear o avanço do tumor. Mesmo que eficazes, essas terapias hormonais podem alterar o metabolismo e aumentar as chances de complicações cardiovasculares.
“Quando o câncer Ă© diagnosticado cedo, muitas vezes a cirurgia Ă© suficiente para curar o paciente sem necessidade de medicações que reduzem a testosterona, evitando tambĂ©m o aumento do risco cardiovascular”, explica o urologista SĂ©rgio Andurte, da Oruclinic, em BrasĂlia.
A testosterona baixa pode aumentar a resistĂŞncia Ă insulina, favorecer o acĂşmulo de gordura abdominal e reduzir a massa muscular. Esses fatores elevam o risco de desenvolver diabetes, hipertensĂŁo e colesterol alto, condições que, juntas, favorecem o surgimento de doenças cardĂacas.
Outros fatores de risco cardĂaco
O bloqueio hormonal não é o único fator que afeta o coração. O próprio processo inflamatório do câncer, somado ao envelhecimento e ao uso prolongado das medicações, pode endurecer e estreitar as artérias do coração, o que favorece a formação de placas de gordura. Esse quadro aumenta as chances de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Ricardo Cals, coordenador de cardiologia do Hospital Santa LĂşcia Norte, em BrasĂlia, explica que Ă© muito importante manter um acompanhamento mĂ©dico integrado, principalmente com o cardiologista, para o controle dos parâmetros cardiovasculares.
“O paciente com câncer de próstata deve ser avaliado também pelo cardiologista. É essencial controlar os fatores de risco e seguir as metas de colesterol, glicose e pressão arterial definidas pelas diretrizes”, aconselha Cals.
Prevenção e hábitos saudáveis reduzem os riscos
A prevenção Ă© o ponto em comum entre os cuidados com a prĂłstata e o coração. Consultas periĂłdicas, diagnĂłstico precoce e a manutenção dos nĂveis hormonais sĂŁo indispensáveis para evitar a progressĂŁo das doenças.
Cuidar da alimentação, manter rotina de atividades fĂsicas e evitar o cigarro sĂŁo medidas que reduzem os riscos de câncer e doenças cardĂacas
AlĂ©m disso, a adoção de hábitos saudáveis, como boa alimentação, prática regular de exercĂcios fĂsicos, sono de qualidade e abandono do cigarro, sĂŁo uma forma comprovada de reduzir o risco de ambas as condições.
Cuidado contĂnuo Ă© essencial apĂłs o tratamento
O fim do tratamento do câncer de próstata não significa que os cuidados com a saúde podem ser deixados de lado. As alterações hormonais e metabólicas motivadas pela terapia podem persistir por meses ou anos, aumentando o risco de hipertensão, arritmias e acúmulo de gordura nas artérias.
Por isso, o acompanhamento com o cardiologista deve continuar mesmo após a remissão do tumor. Além dos exames de rotina, o controle do peso, da glicemia e da pressão arterial ajudam a prevenir complicações e a preservar a qualidade de vida.
“A gente não deve apenas focar no tratamento do tumor e esquecer do resto. O coração e o tratamento cardiovascular têm que andar juntos com o tumoral para aumentar a qualidade de vida e a expectativa de vida do paciente”, orienta Cals.
Siga a editoria de SaĂşde e CiĂŞncia no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!

