CĂșpula do Clima: Lula defende taxar super-ricos e corporaçÔes

Por MetrĂłpoles 07/11/2025 Ă s 17:03

BelĂ©m – O presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT) defendeu nesta sexta-feira (7/11), durante a Ășltima plenĂĄria da CĂșpula do Clima, a taxação dos super-ricos e corporaçÔes, e defendeu que os paĂ­ses mais ricos financiem açÔes de preservação da natureza. O Brasil faz um esforço para que as naçÔes mais ricas custeiem a maior parte das açÔes de mitigação das mudanças climĂĄticas.

“Sem incluir o capital privado, a conta nĂŁo fecharĂĄ. A maior parte da riqueza mundial gerada nas Ășltimas 4 dĂ©cadas foi apropriada por indivĂ­duos ou empresas, enquanto os orçamentos nacionais encolheram. Uma pessoa dos 1% mais ricos produz mais carbono que os 50% mais pobre da população mundial durante o ano inteiro”, iniciou Lula no seu discurso.

Em seguida, ele repetiu o discurso que vem dado certo no Brasil em termos de popularidade. “É legĂ­timo exigir dessas pessoas mais contribuição. O imposto mĂ­nimo sobre corporaçÔes multinacionais e a tributação do patrimĂŽnio de super-ricos podem gerar recursos valiosos para a ação climĂĄtica”, afirmou o presidente.

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Em seu discurso, Lula reforçou sua polĂ­tica externa voltada ao chamado Sul Global, grupo de paĂ­ses em desenvolvimento do qual tenta se firmar como lĂ­der. “É viĂĄvel trabalhar por uma transição justa, em que o Sul Global tenha as oportunidades que lhe foram negadas no passado. Podemos avançar sem abrir mĂŁo de reivindicar daqueles que mais se beneficiaram historicamente das emissĂ”es que façam jus a suas responsabilidades”, disse.

Lula ressaltou que concentram-se na AmĂ©rica Latina, na Ásia e na África as regiĂ”es com mais risco de se tornarem inabitĂĄveis. “Omitir-se Ă© sentenciar novamente aqueles que jĂĄ sĂŁo os condenados da Terra. As ContribuiçÔes Nacionalmente Determinadas sĂŁo o caminho para concretizar o ideal do desenvolvimento sustentĂĄvel”, pontuou.

Leia o discurso na Ă­ntegra

Na primeira ConferĂȘncia do Meio Ambiente em Estocolmo, em 1972, o geĂłgrafo brasileiro JosuĂ© de Castro enfatizou a diferença entre crescer e se desenvolver.

Ele disse que crescer é fåcil, mas se desenvolver equilibradamente é um objetivo tão difícil que nenhum país do mundo teria sido capaz de atingi-lo.    

As ContribuiçÔes Nacionalmente Determinadas são o caminho para concretizar o ideal do desenvolvimento sustentåvel.

Segundo a AgĂȘncia Internacional de Energia, no ano passado, o crescimento das emissĂ”es foi inferior ao do PIB global.

Isso mostra que é possível pensar em um novo modelo de economia sem sacrificar a geração de riqueza.

É viável trabalhar por uma transição justa, em que o Sul Global tenha as oportunidades que lhe foram negadas no passado.

Podemos avançar rumo ao futuro sem abrir mão de reivindicar daqueles que mais se beneficiaram historicamente das emissÔes que façam jus a suas responsabilidades.     

Estão na América Latina, na Ásia e na África as regiÔes que correm o risco de se tornarem inabitåveis.

Estão no Caribe e no Pacífico as ilhas que podem desaparecer.    

Omitir-se é sentenciar novamente aqueles que jå são os condenados da Terra.    

O Brasil propÔe que estå COP na AmazÎnia reconheça o papel dos territórios indígenas e comunidades tradicionais e as políticas de proteção como instrumento de mitigação climåtica. 

Fazer da COP30 a COP da verdade implica reconhecer a ciĂȘncia e os inegĂĄveis progressos.

Significa, entretanto, admitir uma verdade desagradĂĄvel: o mundo ainda estĂĄ distante de atingir o objetivo do Acordo de Paris.

O Acordo se baseia no entendimento de que cada paĂ­s farĂĄ o melhor que estiver a seu alcance para evitar um aquecimento de mais de um grau e meio.

O que nos cabe perguntar hoje Ă©: estamos realmente fazendo o melhor possĂ­vel?

A resposta Ă©: ainda nĂŁo.

Cem países, representando quase 73% das emissÔes globais, apresentaram suas ContribuiçÔes Nacionalmente Determinadas.

Em sua maioria, as novas NDCs avançaram ao abranger todos os setores econÎmicos e todos os gases do efeito estufa.

Mas o planeta ainda caminha para um aquecimento de cerca de dois graus e meio.    

No que depender do Brasil, Belém serå o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris.

Isso significa não apenas implementar o que jå foi acordado, mas também adotar medidas adicionais capazes de preencher a lacuna entre a retórica e a realidade. 

Por isso, é fundamental que saiamos da COP30 com o compromisso de acelerar o alinhamento de nossas NDCs à Missão 1.5 com a qual nos comprometemos em Dubai. 

Sem meios de implementação adequados, exigir ambição dos países em desenvolvimento é injusto e irrealista.

O Mapa do Caminho Baku-Belém mostra que, com vontade política, temos alternativas para chegar à meta de um trilhão e trezentos bilhÔes de dólares por ano.

Hoje sĂł uma pequena parcela do financiamento climĂĄtico chega ao mundo em desenvolvimento.

A maioria dos recursos ainda é oferecida sob a forma de empréstimos.

Não faz sentido, ético ou pråtico, demandar a países em desenvolvimento que paguem juros para combater o aquecimento global e fazer frente a seus efeitos. 

Isso representa um financiamento reverso, fluindo do Sul para o Norte Global.

Instrumentos de troca de dívida por ação climåtica jå se provaram viåveis.  

O enfrentamento da mudança do clima deve ser visto como um investimento, não como um gasto.

As exigĂȘncias crescentes de adaptação vĂŁo requerer esforço ainda maior de financiamento. 

Sem incluir o capital privado, a conta nĂŁo fecharĂĄ.

A maior parte da riqueza mundial gerada nas Ășltimas quatro dĂ©cadas foi apropriada por indivĂ­duos ou empresas.

Ao mesmo tempo, os orçamentos nacionais encolheram.

Segundo a Oxfam, um indivĂ­duo pertencente ao 0,1% mais rico do planeta emite, em um Ășnico dia, mais carbono do que os 50% mais pobres da população mundial durante um ano inteiro.

É legítimo exigir dessas pessoas uma maior contribuição.

O imposto mínimo sobre corporaçÔes multinacionais e a tributação do patrimÎnio de super-ricos podem gerar recursos valiosos para a ação climåtica.

Os mercados de carbono tambĂ©m podem se tornar importantes fontes de receita pĂșblica, mas sĂł ganharĂŁo escala se os paĂ­ses caminharem na direção de parĂąmetros comuns.

É esse o objetivo da Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono lançado pelo Brasil, pela China e pela União Europeia.     

Ainda hå tarefas pendentes a serem concluídas pela ação multilateral.

É crucial definir metodologias melhores para contabilizar o financiamento climático.

O comércio internacional requer regras ambientais que sejam equitativas e decididas coletivamente.

Os bancos multilaterais precisam ser maiores, melhores e mais eficazes. 

A proposta de criação de um Conselho do Clima, que jå tive a oportunidade de apresentar ao G20 e à Assembleia Geral da ONU, é uma forma de dar ao desafio da implementação a estatura política que ele merece.

Faço um chamado a todos vocĂȘs.

Não existe solução para o planeta fora do multilateralismo.

A Terra Ă© Ășnica. A humanidade Ă© uma sĂł. A resposta tem de vir de todos, para todos.

Em vez de abandonar as esperanças, podemos construir juntos uma nova era de prosperidade e igualdade.

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