BelĂ©m â O presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT) defendeu nesta sexta-feira (7/11), durante a Ășltima plenĂĄria da CĂșpula do Clima, a taxação dos super-ricos e corporaçÔes, e defendeu que os paĂses mais ricos financiem açÔes de preservação da natureza. O Brasil faz um esforço para que as naçÔes mais ricas custeiem a maior parte das açÔes de mitigação das mudanças climĂĄticas.
âSem incluir o capital privado, a conta nĂŁo fecharĂĄ. A maior parte da riqueza mundial gerada nas Ășltimas 4 dĂ©cadas foi apropriada por indivĂduos ou empresas, enquanto os orçamentos nacionais encolheram. Uma pessoa dos 1% mais ricos produz mais carbono que os 50% mais pobre da população mundial durante o ano inteiroâ, iniciou Lula no seu discurso.
Em seguida, ele repetiu o discurso que vem dado certo no Brasil em termos de popularidade. âĂ legĂtimo exigir dessas pessoas mais contribuição. O imposto mĂnimo sobre corporaçÔes multinacionais e a tributação do patrimĂŽnio de super-ricos podem gerar recursos valiosos para a ação climĂĄticaâ, afirmou o presidente.
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Em seu discurso, Lula reforçou sua polĂtica externa voltada ao chamado Sul Global, grupo de paĂses em desenvolvimento do qual tenta se firmar como lĂder. âĂ viĂĄvel trabalhar por uma transição justa, em que o Sul Global tenha as oportunidades que lhe foram negadas no passado. Podemos avançar sem abrir mĂŁo de reivindicar daqueles que mais se beneficiaram historicamente das emissĂ”es que façam jus a suas responsabilidadesâ, disse.
Lula ressaltou que concentram-se na AmĂ©rica Latina, na Ăsia e na Ăfrica as regiĂ”es com mais risco de se tornarem inabitĂĄveis. âOmitir-se Ă© sentenciar novamente aqueles que jĂĄ sĂŁo os condenados da Terra. As ContribuiçÔes Nacionalmente Determinadas sĂŁo o caminho para concretizar o ideal do desenvolvimento sustentĂĄvelâ, pontuou.
Leia o discurso na Ăntegra
Na primeira ConferĂȘncia do Meio Ambiente em Estocolmo, em 1972, o geĂłgrafo brasileiro JosuĂ© de Castro enfatizou a diferença entre crescer e se desenvolver.
Ele disse que crescer Ă© fĂĄcil, mas se desenvolver equilibradamente Ă© um objetivo tĂŁo difĂcil que nenhum paĂs do mundo teria sido capaz de atingi-lo.  Â
As ContribuiçÔes Nacionalmente Determinadas são o caminho para concretizar o ideal do desenvolvimento sustentåvel.
Segundo a AgĂȘncia Internacional de Energia, no ano passado, o crescimento das emissĂ”es foi inferior ao do PIB global.
Isso mostra que Ă© possĂvel pensar em um novo modelo de economia sem sacrificar a geração de riqueza.
à viåvel trabalhar por uma transição justa, em que o Sul Global tenha as oportunidades que lhe foram negadas no passado.
Podemos avançar rumo ao futuro sem abrir mĂŁo de reivindicar daqueles que mais se beneficiaram historicamente das emissĂ”es que façam jus a suas responsabilidades.   Â
EstĂŁo na AmĂ©rica Latina, na Ăsia e na Ăfrica as regiĂ”es que correm o risco de se tornarem inabitĂĄveis.
EstĂŁo no Caribe e no PacĂfico as ilhas que podem desaparecer. Â Â Â
Omitir-se Ă© sentenciar novamente aqueles que jĂĄ sĂŁo os condenados da Terra.  Â
O Brasil propĂ”e que estĂĄ COP na AmazĂŽnia reconheça o papel dos territĂłrios indĂgenas e comunidades tradicionais e as polĂticas de proteção como instrumento de mitigação climĂĄtica.Â
Fazer da COP30 a COP da verdade implica reconhecer a ciĂȘncia e os inegĂĄveis progressos.
Significa, entretanto, admitir uma verdade desagradĂĄvel: o mundo ainda estĂĄ distante de atingir o objetivo do Acordo de Paris.
O Acordo se baseia no entendimento de que cada paĂs farĂĄ o melhor que estiver a seu alcance para evitar um aquecimento de mais de um grau e meio.
O que nos cabe perguntar hoje Ă©: estamos realmente fazendo o melhor possĂvel?
A resposta Ă©: ainda nĂŁo.
Cem paĂses, representando quase 73% das emissĂ”es globais, apresentaram suas ContribuiçÔes Nacionalmente Determinadas.
Em sua maioria, as novas NDCs avançaram ao abranger todos os setores econÎmicos e todos os gases do efeito estufa.
Mas o planeta ainda caminha para um aquecimento de cerca de dois graus e meio. Â Â Â
No que depender do Brasil, Belém serå o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris.
Isso significa nĂŁo apenas implementar o que jĂĄ foi acordado, mas tambĂ©m adotar medidas adicionais capazes de preencher a lacuna entre a retĂłrica e a realidade.Â
Por isso, Ă© fundamental que saiamos da COP30 com o compromisso de acelerar o alinhamento de nossas NDCs Ă MissĂŁo 1.5 com a qual nos comprometemos em Dubai.Â
Sem meios de implementação adequados, exigir ambição dos paĂses em desenvolvimento Ă© injusto e irrealista.
O Mapa do Caminho Baku-BelĂ©m mostra que, com vontade polĂtica, temos alternativas para chegar Ă meta de um trilhĂŁo e trezentos bilhĂ”es de dĂłlares por ano.
Hoje sĂł uma pequena parcela do financiamento climĂĄtico chega ao mundo em desenvolvimento.
A maioria dos recursos ainda é oferecida sob a forma de empréstimos.
NĂŁo faz sentido, Ă©tico ou prĂĄtico, demandar a paĂses em desenvolvimento que paguem juros para combater o aquecimento global e fazer frente a seus efeitos.Â
Isso representa um financiamento reverso, fluindo do Sul para o Norte Global.
Instrumentos de troca de dĂvida por ação climĂĄtica jĂĄ se provaram viĂĄveis. Â
O enfrentamento da mudança do clima deve ser visto como um investimento, não como um gasto.
As exigĂȘncias crescentes de adaptação vĂŁo requerer esforço ainda maior de financiamento.Â
Sem incluir o capital privado, a conta nĂŁo fecharĂĄ.
A maior parte da riqueza mundial gerada nas Ășltimas quatro dĂ©cadas foi apropriada por indivĂduos ou empresas.
Ao mesmo tempo, os orçamentos nacionais encolheram.
Segundo a Oxfam, um indivĂduo pertencente ao 0,1% mais rico do planeta emite, em um Ășnico dia, mais carbono do que os 50% mais pobres da população mundial durante um ano inteiro.
Ă legĂtimo exigir dessas pessoas uma maior contribuição.
O imposto mĂnimo sobre corporaçÔes multinacionais e a tributação do patrimĂŽnio de super-ricos podem gerar recursos valiosos para a ação climĂĄtica.
Os mercados de carbono tambĂ©m podem se tornar importantes fontes de receita pĂșblica, mas sĂł ganharĂŁo escala se os paĂses caminharem na direção de parĂąmetros comuns.
Ă esse o objetivo da CoalizĂŁo Aberta de Mercados Regulados de Carbono lançado pelo Brasil, pela China e pela UniĂŁo Europeia.    Â
Ainda hĂĄ tarefas pendentes a serem concluĂdas pela ação multilateral.
Ă crucial definir metodologias melhores para contabilizar o financiamento climĂĄtico.
O comércio internacional requer regras ambientais que sejam equitativas e decididas coletivamente.
Os bancos multilaterais precisam ser maiores, melhores e mais eficazes.Â
A proposta de criação de um Conselho do Clima, que jĂĄ tive a oportunidade de apresentar ao G20 e Ă Assembleia Geral da ONU, Ă© uma forma de dar ao desafio da implementação a estatura polĂtica que ele merece.
Faço um chamado a todos vocĂȘs.
Não existe solução para o planeta fora do multilateralismo.
A Terra Ă© Ășnica. A humanidade Ă© uma sĂł. A resposta tem de vir de todos, para todos.
Em vez de abandonar as esperanças, podemos construir juntos uma nova era de prosperidade e igualdade.

