Acreano é o grande homenageado da Bienal das Amazônias durante a COP30

Evangelista construiu sua trajetória explorando elementos simbólicos e materiais da Amazônia, criando diálogos entre memória, espiritualidade e crítica às marcas deixadas pelo colonialismo

Enquanto Belém (PA) recebe milhares de visitantes para a COP30, entre 10 e 21 de novembro, a cidade também vem se transformando em vitrine da produção artística ligada à Amazônia. Um dos eventos de maior visibilidade é a 2ª Bienal das Amazônias, instalada em um centro cultural no bairro da Campina, reunindo obras que dialogam com o meio ambiente, os povos tradicionais e seus diferentes modos de existir.

Obra de Roberto Evangelista é reencenada na 2° Bienal das Amazônias/Foto: Reprodução

A mostra apresenta trabalhos de 74 artistas e coletivos provenientes de oito países da região amazônica e do Caribe. O público encontra, ao longo de quatro andares, obras que transitam por diversas linguagens: instalações, performances, filmes, desenhos e composições sonoras. A proposta é provocar reflexões sobre cultura, território e resistência diante das pressões ambientais e sociais que marcam a história da floresta.

Nesta edição, o grande homenageado é o acreano Roberto Evangelista, considerado um dos nomes fundamentais da arte contemporânea produzida no Norte do Brasil. Evangelista construiu sua trajetória explorando elementos simbólicos e materiais da Amazônia, criando diálogos entre memória, espiritualidade e crítica às marcas deixadas pelo colonialismo.

Entre as obras expostas está a instalação “Ritos de Passagem”, uma de suas criações mais reconhecidas. A peça reúne mil caixas de sapato, dois mil sapatos e pedras cariri, formando um ambiente que remete tanto a deslocamentos humanos quanto aos processos de exploração historicamente impostos à região. A obra provoca o visitante a refletir sobre migrações, ausências, pertencimento e sobre como o progresso pode carregar consigo dor e apagamento.

Ao valorizar Evangelista, a Bienal reforça a importância da arte produzida na Amazônia como forma de pensamento e resistência, especialmente em um momento em que os olhos do mundo estão voltados para o futuro da floresta.

A programação é gratuita e segue durante todo o período da COP30, com visitas, oficinas e atividades abertas ao público.

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