O Acre começa a ganhar protagonismo no mapa da produção florestal da Amazônia Legal. É o que mostra o Anuário Timberflow 2024, elaborado pelo Imaflora, que identificou um crescimento nas vendas de madeira nativa em tora nos Estados do Acre e do Amapá, promovendo uma reconfiguração dos negócios na região.
Com base em dados públicos organizados pela Plataforma Timberflow, o estudo comparou as transações de 2024 com as de 2023 e aponta um novo equilíbrio no mercado madeireiro amazônico, antes concentrado em poucos estados. O Pará continua liderando o ranking nacional, seguido do Mato Grosso, mas as tendências de movimentação já indicam um reordenamento logístico e comercial na região Norte.

Estudo revela crescimento das vendas de madeira nativa e aponta mudanças logísticas na Amazônia/Foto: Reprodução
No Acre, a produção continuou fortemente concentrada nos municípios de Feijó e Rio Branco, responsáveis por mais de 60% das transações de 2024. Entre as espécies mais exploradas está a Dipteryx odorata (cumaru), que sozinha respondeu por quase um quarto do volume total negociado.
O relatório indica que o padrão de concentração em poucas espécies abre espaço para diversificação do portfólio florestal e planejamento sustentável de oferta e manejo. Essa estratégia, segundo o Imaflora, pode reduzir a pressão sobre espécies de alto valor e fortalecer a base produtiva local, estimulando ganhos industriais e novas oportunidades econômicas.

Entre as espécies mais exploradas está a Dipteryx odorata (cumaru), que sozinha respondeu por quase um quarto do volume total negociado/Foto: Reprodução
O Anuário Timberflow também destacou o avanço nas exportações para mercados exigentes. Os Estados Unidos lideraram o destino da madeira amazônica, com 27,41% das vendas, seguidos de Holanda (11,89%) e França (11,65%).
O coordenador de Pesquisas em Florestas e Restauração do Imaflora, Felipe Pires, ressaltou que as informações do anuário são essenciais para orientar políticas públicas e privadas. “Por meio do entendimento das dinâmicas de aumento ou diminuição das transações de madeira, há oportunidades para melhor planejamento setorial, diminuição da pressão sobre a floresta e expansão do manejo sustentável”, explicou.
