O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um apelo pĂșblico nesta sexta-feira (14) para que a CĂąmara dos Deputados vote o projeto de lei que cria um regime especĂfico para punir o devedor contumaz, contribuinte que sonega impostos de forma deliberada e recorrente. 

Segundo o ministro, a proposta, que tramita hĂĄ oito anos no Congresso, Ă© uma ferramenta decisiva para asfixiar financeiramente o crime organizado, ao atingir mecanismos de lavagem de dinheiro operados por meio de empresas de fachada.
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O projeto foi aprovado por unanimidade no Senado em setembro e aguarda a anĂĄlise final dos deputados. Haddad afirmou que tem conversado com o presidente da CĂąmara, Hugo Motta, para tentar acelerar a votação. âJĂĄ estĂĄ na hora, jĂĄ passou da horaâ, declarou.
As afirmaçÔes foram feitas durante evento do MinistĂ©rio da Educação realizado no Centro Internacional de ConvençÔes do Brasil (CICB), em BrasĂlia. Na ocasiĂŁo, o ministro recebeu a Ordem Nacional do MĂ©rito Educativo em cerimĂŽnia com a presença do presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva.
Segurança pĂșblica
Haddad enfatizou que a proposta do devedor contumaz nĂŁo se limita a questĂ”es fiscais. Para ele, a medida tem impacto direto na segurança pĂșblica, porque enfraquece a estrutura financeira que sustenta atividades criminosas.
âTodo criminoso precisa lavar o dinheiro do crime e usa expedientes formais, abre empresa, fecha empresa. A lei do devedor contumaz inibe essa prĂĄtica e evita que o criminoso lave o dinheiro e irrigue o crime organizado novamenteâ, disse.Â
Segundo o ministro, a proposta âasfixia o crime e dificulta a vida do criminoso para que ele nĂŁo faça o dinheiro rodar na atividade criminosaâ.
Operação Carbono Oculto
No inĂcio de setembro, o Senado aprovou a proposta sobre o devedor contumaz. A aprovação na Casa foi impulsionada pela Operação Carbono Oculto, deflagrada pela PolĂcia Federal no fim de agosto e que desarticulou esquemas de lavagem de dinheiro do crime organizado que utilizavam fintechs e distribuidoras de combustĂveis.
Haddad disse esperar que a CĂąmara nĂŁo dependa de um novo episĂłdio dessa gravidade para votar o texto. âO Senado, depois da Operação Carbono Oculto, votou por unanimidade. Espero que nĂŁo seja preciso outro evento desse tamanho para a CĂąmara se sensibilizarâ, afirmou.
Outras propostas
Haddad tambĂ©m citou outras pautas do Executivo na ĂĄrea de segurança que estĂŁo no Congresso, como a Proposta de Emenda Ă Constituição (PEC) da Segurança PĂșblica e o Projeto de Lei (PL) Antifacção, cuja relatoria estĂĄ com o deputado Guilherme Derrite (PL-SP). Segundo o ministro, versĂ”es preliminares do relatĂłrio tĂȘm gerado preocupação no governo.
A aprovação do projeto do devedor contumaz tambĂ©m Ă© tratada como prioridade pela ministra de RelaçÔes Institucionais, Gleisi Hoffmann, responsĂĄvel pela articulação polĂtica do governo.
Ao ser questionado por jornalistas sobre assuntos como a situação dos Correios e a sanção do projeto de isenção do Imposto de Renda, o ministro evitou responder. O foco de sua fala, afirmou, era a necessidade de votar o projeto que endurece as regras contra o devedor contumaz.

