O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) comentou neste sábado (15) o recuo parcial dos Estados Unidos na taxação de produtos brasileiros e classificou o movimento como “positivo, mas longe do ideal”. A decisão norte-americana reduziu em 50% a tarifa recíproca de 10% aplicada em abril, mas manteve o adicional de 40% justamente o que mais pressiona setores como o café, as carnes e as frutas.

Alckmin avalia redução de tarifas/ Foto: Reprodução
A nova medida passou a valer de forma retroativa desde 0h01 de quinta-feira (13), segundo o próprio governo dos EUA. Ainda assim, Alckmin reforçou que a equipe econômica de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai insistir em novas negociações.
“Vamos continuar trabalhando para reduzir mais. No caso do café, principalmente, não faz sentido manter uma tarifa de 40% sendo o Brasil o maior fornecedor para o mercado americano. Temos avanços, mas ainda há uma avenida de trabalho pela frente”, afirmou.
O recuo parcial de Donald Trump ocorreu após análise interna da Casa Branca, que avaliou recomendações técnicas, impacto ao mercado doméstico e o andamento das conversas com parceiros comerciais. A rodada mais recente dessas tratativas ocorreu na quinta-feira, quando o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se encontrou em Washington com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O encontro tratou da criação de um “quadro de reciprocidade” entre os países e deve ter continuidade nas próximas semanas.
Apesar da sinalização, Trump declarou que, por ora, não vê necessidade de novos cortes além do que já foi anunciado.
Alckmin também foi questionado sobre a possibilidade de uma comitiva brasileira viajar aos EUA para tentar avançar nas negociações. Embora não descarte a ideia, o vice-presidente afirmou que ainda não existe nenhuma agenda definida. No entanto, em Brasília, a avaliação é de que a pressão continuará, especialmente dos setores exportadores que seguem arcando com os efeitos do tarifaço imposto em agosto.
