Farsa no Rodoanel: motorista queria ‘chamar atenção para a causa dos caminhoneiros’, diz delegado

Dener Santos criou artefato falso, quebrou o próprio para-brisa e atravessou o caminhão na pista. Investigação define crimes a que ele responderá.

O motorista de caminhão que atravessou o veículo no Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, e afirmou ter sido sequestrado, confessou que tudo não passou de uma armação. Dener Laurito dos Santos admitiu à polícia que inventou toda a história para chamar atenção para o que chamou de “causa dos caminhoneiros”, fazendo referência a condições de segurança.

Motorista Dener Laurito dos Santos admitiu que suposto assalto e sequestro no Rodoanel foram forjados/Foto: Reprodução/TV Globo

A confissão veio depois que a polícia confrontou o motorista com imagens das câmeras de segurança do Rodoanel e do sistema de monitoramento do próprio caminhão, como detalhou o delegado Márcio Fruet em entrevista à CBN.

“Não ocorreu crime algum, não havia carros, não houve arrebatamento. Inclusive, no local onde ele para, desembarca, ele para para urinar. Nós apreendemos a pedra que ele encontrou naquele local e ele tirou contra o próprio para-brisa. Hoje, na delegacia, durante a sua confissão, ele confirmou, disse que o simulacro de artefato explosivo foi ele que elaborou durante a noite, ele mesmo amarrou as suas próprias mãos para simular que havia sido amarrado pelos criminosos”

De acordo com a investigação, não houve abordagem nem luta física. Segundo a confissão, ele próprio teria atravessado o caminhão na pista.

No primeiro depoimento, Dener alegou que três criminosos teriam o abordado durante a madrugada, travado a carreta e o obrigado a deixar o veículo parado no meio da estrada.

Suposto assalto e sequestro de motorista no Rodoanel não passou de armação — Foto: Reprodução/TV Globo

Suposto assalto e sequestro de motorista no Rodoanel não passou de armação — Foto: Reprodução/TV Globo

O Rodoanel foi bloqueado por quase cinco horas e registrou 44 quilômetros de congestionamento. A estrada só foi liberado após a operação do esquadrão antibombas.

O delegado responsável pelo caso, afirmou que o motorista agiu sozinho. Agora, com a confissão formalizada, a investigação segue para definir quais crimes Dener vai responder — entre eles, possível comunicação falsa de crime, interdição de via pública e geração de pânico com artefato simulado.

PUBLICIDADE