Acre tem aumento nos casos de estupro e integra cenĂĄrio de avanço da violĂȘncia sexual na AmazĂŽnia

O levantamento aponta que, em 2024, foram contabilizados 13.312 registros de violĂȘncia sexual nos nove estados da AmazĂŽnia Legal

Por Suene Almeida, ContilNet 20/11/2025 Ă s 18:07 Atualizado: hĂĄ 5 meses

O Acre registrou um salto de 736 para 860 casos de estupro entre 2023 e 2024, um aumento de 16%, e compĂ”e o quadro de crescimento da violĂȘncia sexual em toda a AmazĂŽnia Legal. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (19) pelo FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica (FBSP) e mostram que a regiĂŁo enfrenta Ă­ndices bem acima da mĂ©dia nacional.

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A maior parte das vítimas é composta por crianças e adolescentes | Foto: Ilustrativa

O levantamento aponta que, em 2024, foram contabilizados 13.312 registros de violĂȘncia sexual nos nove estados da AmazĂŽnia Legal. A taxa chegou a 90,4 ocorrĂȘncias por 100 mil habitantes, 38% superior Ă  mĂ©dia do paĂ­s. Em comparação ao ano anterior, a regiĂŁo teve alta de 4%, enquanto o Brasil como um todo apresentou leve redução de 0,3%.

A maior parte das vítimas é composta por crianças e adolescentes: 77% tinham 14 anos ou menos. O Amazonas foi o estado que apresentou a maior elevação proporcional, com alta de 41% nos registros. Jå o Tocantins teve a maior queda, de 9%. Além do Acre, outras unidades também registraram aumento, como Roraima (13%), Amapå (14%) e Maranhão (14%).

De acordo com Isabella Matosinhos, pesquisadora do FBSP, o aumento das violaçÔes sexuais na AmazĂŽnia nĂŁo pode ser explicado por um Ășnico fator. A especialista destaca que ĂĄreas de fronteira tornam mulheres e crianças mais vulnerĂĄveis, especialmente onde hĂĄ menor presença do Estado. AlĂ©m disso, a expansĂŁo das facçÔes criminosas na regiĂŁo tem ampliado dinĂąmicas de controle social e atĂ© interferido em relacionamentos afetivos.

Isabella explica que a lĂłgica interna desses grupos reforça padrĂ”es machistas e hierĂĄrquicos, o que tende a impulsionar prĂĄticas de violĂȘncia contra mulheres. “As masculinidades que operam dentro das facçÔes sĂŁo, muitas vezes, orientadas por estruturas machistas. Isso se reflete diretamente nos Ă­ndices de violĂȘncia sexual. O crescimento das facçÔes acompanha o aumento das taxas de estupro”, afirma.

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