A escolha de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) reorganiza mais uma peça no tabuleiro polĂtico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aos 45 anos, o atual advogado-geral da UniĂŁo, um nome de confiança do governo e figura recorrente nos bastidores jurĂdicos de BrasĂlia, se tornou o terceiro indicado de Lula ao tribunal durante o atual mandato. No entanto, sua nomeação ainda depende do aval do Senado Federal apĂłs sabatina obrigatĂłria na ComissĂŁo de Constituição e Justiça.
Natural do Recife, formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor pela Universidade de BrasĂlia (UnB), Messias consolidou uma reputação de tĂ©cnico disciplinado. Ele chegou Ă Advocacia-Geral da UniĂŁo (AGU) em 2007 como procurador da Fazenda Nacional e, desde entĂŁo, ocupou cargos estratĂ©gicos na Esplanada, como consultor jurĂdico em ministĂ©rios, secretário no MinistĂ©rio da Educação (MEC) e subchefe para assuntos jurĂdicos da Casa Civil no governo Dilma Rousseff.
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Foi nesse perĂodo que seu nome ganhou projeção nacional. Em 2016, uma ligação telefĂ´nica entre Dilma e Lula, grampeada no contexto da Lava Jato, tornou o assessor conhecido como “Bessias”, alcunha que o acompanharia nos anos seguintes. O episĂłdio o transformou em sĂmbolo de lealdade dentro do PT e tambĂ©m em alvo de desgaste polĂtico.
No retorno de Lula ao Planalto, Messias assumiu o comando da AGU em 2023. Ă€ frente do ĂłrgĂŁo, atuou diretamente na defesa institucional do governo, desde ações que buscavam responsabilizar os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro atĂ© iniciativas contra a desinformação. TambĂ©m coordenou litĂgios complexos com impacto bilionário, como disputas sobre precatĂłrios, revisĂŁo da vida toda e correção do FGTS.
Apesar do alinhamento polĂtico, Messias se define pela atuação tĂ©cnica. Sua tese de doutorado, defendida na UnB, critica excessos do Judiciário durante o MensalĂŁo e a Lava Jato, apontando um “conservadorismo” e “partidarização” do tribunal na Ă©poca. Para ele, a judicialização Ă© parte da institucionalidade pĂłs 1988, mas deve servir como instrumento de implementação de polĂticas pĂşblicas e nĂŁo como arena de disputas polĂtico-partidárias.
Outro traço que chama atenção Ă© sua inserção no universo evangĂ©lico. Membro de uma igreja batista desde a infância, Messias frequenta cultos semanalmente. Esse vĂnculo lhe garantiu boa receptividade na bancada evangĂ©lica, embora nomes mais alinhados ao Partido Liberal (PL) considerem a escolha um gesto simbĂłlico, e nĂŁo necessariamente representativo do grupo.
Com a aposentadoria compulsĂłria apenas aos 75 anos, Messias poderá permanecer no Supremo atĂ© 2055. Se aprovado pelo Senado, herdará cerca de 900 processos deixados por LuĂs Roberto Barroso.
Discreto, casado, pai de dois filhos e torcedor do Sport, Messias evita holofotes, mas a indicação ao STF o coloca no centro de tensões polĂticas, institucionais e sociais.






