Mulheres Negras LĂ©sbicas, Bissexuais, Transexuais e Intersexo (LBTI) reunidas em BrasĂlia aproveitaram o feriado da ConsciĂȘncia Negra para finalizar um diagnĂłstico para apontar as necessidades, problemas e falhas das polĂticas pĂșblicas brasileiras voltadas a estes grupos.

Coordenadora do ComitĂȘ Nacional LBTI, a psicĂłloga Amanda Santos Ă© uma das organizadoras do encontro que culminarĂĄ, dia 25, na Marcha de Mulheres Negras. Segundo ela, a ideia do documento Ă© viabilizar âuma sĂ©rie de açÔes visando o bem estar das mulheres negrasâ.
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Amanda Santos explica que, a exemplo do grupo do Centro-Oeste, reunido nesta quinta-feira (20) em BrasĂlia, hĂĄ vĂĄrias outras rodas de conversas sendo estabelecidas com o mesmo objetivo em outras cidades.
DiagnĂłstico
âTrata-se de um relatĂłrio nacional com eixos bĂĄsicos de sobrevivĂȘncia em ĂĄreas como saĂșde, segurança, comunicação, direito familiar, arte, cultura, moradiaâ, justifica a coordenadora.
Ela explica que conceitos distorcidos que desconsideram a diversidade da sociedade acabaram por estabelecer regras e até mesmo legislaçÔes que dificultam a esse grupo o acesso a direitos historicamente reconhecidos e concedidos a outros grupos.
Esse processo excludente que retira acesso a direitos bĂĄsicos nada mais Ă©, segundo ela, do que LGBTfobia.
Os exemplos sĂŁo muitos, segundo a ativista. âHĂĄ situaçÔes de casais homoafetivos em que uma das parceiras nĂŁo poderĂĄ tomar decisĂ”es sobre procedimentos, caso a outra fique doente e perca a consciĂȘncia. Nesses casos, caberĂĄ Ă famĂlia tomar a decisĂŁoâ, disse ela ao lembrar que, em muitos casos, a conexĂŁo com a famĂlia nĂŁo Ă© tĂŁo prĂłxima quanto a da cĂŽnjuge.
Diversidade
Ela cita também alguns programas de habitação do governo que não consideram os mesmos direitos dos casais héteros para os homoafetivos.
âNa ĂĄrea da saĂșde, muitos ĂłrgĂŁos pĂșblicos e privados colocam dificuldades para reconhecer nome social adotado pela pessoa. Ă preciso criminalizar essa recusaâ, defendeu a coordenadora.
Segundo ela, o governo precisa reparar essas situaçÔes e enxergar a diversidade do prĂłprio paĂs. âE a sociedade precisa enxergar os direitos que nos foram excluĂdosâ, complementou.
Reparação
A reuniĂŁo de hoje contou com a participação de uma referĂȘncia do movimento lĂ©sbico e LGBT: a fundadora da Rede Nacional de LĂ©sbicas e Mulheres Bissexuais Negras, Heliana HemetĂ©rio.
Pesquisadora aposentada pelo Instituto Brasileiro de Geografia EstatĂstica (IBGE), Heliana diz que tornar o 20 de Novembro um feriado nacional foi importante por reconhecer aqueles que representam a maior parte da população brasileira.
â[O feriado nacional] reconhece a existĂȘncia de 54% da população brasileira que se declara negra. Estas sĂŁo pessoas que se declaram como tal, o que nos leva a crer que o percentual real Ă© ainda maiorâ, argumentou.
Heliana explica que a data ajudarĂĄ na reparação de injustiças que sĂŁo histĂłricas. âO que Ă© reparação? Ă reconhecimento do negro como cidadĂŁo, com moradia, educação, estudo, lazer, direitos, saĂșdeâ, disse. Para ela, a data ajuda a “recontar a HistĂłria, mas sob um outro olharâ.Â
Para ela, que é também historiadora, o que levou o Brasil a abolir a escravidão não foi o desejo de melhorar a vida de sua população negra.
âA verdadeira motivação foi econĂŽmicaâ, afirmou ao explicar que, na Ă©poca, havia muita pressĂŁo externa e mudanças das estruturas sociais motivadas pela Revolução Industrial.
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