Incêndio e impasse nas negociações devem estender a COP30 em Belém

Atraso nos debates e evacuação da Blue Zone colocam em dúvida o encerramento previsto para sexta-feira

A COP30, realizada em Belém (PA), deve ultrapassar novamente seu prazo oficial. Além dos avanços lentos em temas-chave, um incêndio na Blue Zone, área onde ocorrem as negociações formais, interrompeu os trabalhos e deve obrigar a prorrogação do evento, inicialmente programado para terminar nesta sexta-feira (21/11).

Reprodução/ Redes sociais

O episódio aconteceu na tarde de quinta-feira (20/11), quando um curto-circuito provocou chamas em parte do pavilhão dos países. A fumaça se espalhou rapidamente, levando à evacuação da área. Vídeos publicados nas redes sociais mostram participantes correndo para deixar o local enquanto outros ajudavam a conter o incêndio.

Segundo o Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs), 21 pessoas receberam atendimento médico — 19 por inalação de fumaça e duas por crises de ansiedade. A maior parte já recebeu alta. A UNFCCC informou que o setor diretamente atingido ficará isolado pelos próximos dias.

Embora a Blue Zone tenha sido reaberta na noite de quinta-feira, após vistoria do Corpo de Bombeiros, todas as sessões plenárias foram canceladas, e as negociações só devem ser retomadas nesta sexta-feira, em meio a um cronograma já comprometido.

Negociações emperradas

Mesmo antes do incêndio, a segunda semana da COP30 já avançava lentamente. Houve progresso em temas técnicos, como os 114 indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA), que tratam de sistemas de alerta, infraestrutura e saúde. Porém, questões sobre financiamento e implementação seguem travadas.

Outro ponto que caminhou foi o Programa de Transição Justa, cujo novo rascunho introduz conceitos inéditos, como “combustíveis de transição” e “subsídios ineficientes a fósseis”, além de novas salvaguardas sociais. Contudo, não há acordo sobre metas mais ambiciosas para eliminação de combustíveis fósseis.

No financiamento climático, países discutem ampliar recursos do Fundo de Adaptação, mas ainda divergem quanto à governança e às regras de implementação.

Já os temas mais sensíveis — especialmente o futuro do petróleo, gás e carvão — seguem praticamente parados, aumentando a chance de que as decisões só ocorram no “apito final” da conferência, como já aconteceu em edições anteriores da COP.


Fonte: Metrópoles
✍️ Redigido por ContilNet

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