O servidor Tiênio Rodrigues da Costa completaria dois anos e quatro meses ocupando funções de liderança no Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), período iniciado logo após a rebelião orquestrada por integrantes da facção Comando Vermelho no presídio Antônio Amaro, em 2023. Foi naquele cenário de crise que o Palácio Rio Branco decidiu substituir Glauber Feitoza Maia e Marcelo Lopes da Silva, escalando Alexandre Nascimento de Souza para presidir o órgão e colocando Tiênio em posição estratégica dentro da diretoria.

O servidor Tiênio Rodrigues da Costa completaria dois anos e quatro meses ocupando funções de liderança /Foto: Ascom
A partir de 2025, Tiênio passou a assumir interinamente a gestão geral do Iapen, substituindo Marcos Frank Costa e Silva em algumas ocasiões. Antes dele, o próprio Alexandre Nascimento também havia enfrentado forte desgaste público após denúncias de assédio moral e assédio institucional que repercutiram dentro e fora do sistema penitenciário.
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Reuniões tensas, pressão e denúncias internas
Entre as acusações mais graves envolvendo a gestão interina de Tiênio está um episódio relatado por um servidor no fim de 2024. Ele afirmou ter sido convocado para uma reunião na sala da Diretoria Executiva Operacional, onde estavam presentes Tiênio Costa, uma segunda servidora e o diretor de inteligência. Segundo o depoimento, o encontro durou quase duas horas, e nesse período o servidor teria sido pressionado a alterar um voto dissidente em processos administrativos disciplinares.
Mesmo informando que o voto já havia sido protocolado no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), a cobrança para modificar o documento continuou. O servidor pediu para deixar a sala pedido aceito, mas a pressão, segundo ele, não parou ali.
No dia 28 de fevereiro de 2025, uma nova reunião foi realizada com as mesmas lideranças. De acordo com o relato, a insistência para que o servidor mudasse o conteúdo do relatório foi retomada. E, após mais uma recusa, ele teria sido informado que seria transferido para o presídio feminino, o que interpretou como uma retaliação direta.
Apesar das polêmicas, Tiênio também esteve presente em ações operacionais e momentos de mobilização institucional ao longo de 2025. Participou de operações integradas no sistema prisional e chegou a receber mulheres de detentos para ouvir queixas durante uma greve de fome registrada nos presídios de Sena Madureira, Cruzeiro do Sul e Rio Branco.
Em setembro, o então dirigente interino marcou presença na celebração do Dia do Policial Penal no Acre, onde parabenizou colegas de profissão e reforçou o discurso de valorização da categoria.
