Estudo aponta idade exata em que corpo perde capacidade de recuperação total

Pesquisas recentes identificaram picos de envelhecimento molecular aos 44 e 60 anos. Outro levantamento apontou aceleração no desgaste de órgãos a partir dos 50 anos

Pesquisadores da Universidade Dalhousie, no Canadá, identificaram que o corpo humano atinge um ponto crítico de fragilidade entre 73 e 76 anos. A partir dessa faixa etária, a capacidade de recuperação após doenças ou lesões diminui significativamente. O trabalho utilizou modelo matemático baseado em dados de mais de 12 mil pessoas acompanhadas por anos.

A análise considerou o Índice de Fragilidade, ferramenta clínica que mede déficits de saúde acumulados. Os resultados mostram que, até cerca de 75 anos, o organismo ainda consegue compensar danos. Depois desse limite, os déficits se acumulam mais rápido que a recuperação.

O risco de morte também cresce de forma mais acentuada/Foto: Reprodução

Modelo matemático revela dinâmica do envelhecimento

O estudo analisou informações do Health and Retirement Study, dos Estados Unidos, e do English Longitudinal Study of Ageing, do Reino Unido. Foram incluídos 12.920 participantes com mais de 65 mil consultas médicas registradas.

Os cientistas criaram equações que simulam a relação entre danos à saúde e tempo de recuperação. O modelo demonstrou que ambos os fatores pioram com a idade, mas mantêm equilíbrio até determinado momento.

A partir dos 75 anos, o ritmo de novos problemas supera a capacidade de reparo. Esse desequilíbrio provoca aumento acelerado do Índice de Fragilidade.

Ponto de virada ocorre na mesma faixa para homens e mulheres

A pesquisa encontrou o intervalo de 73 a 76 anos como o momento crítico para os dois sexos. Antes dessa fase, o organismo apresenta robustez suficiente para lidar com estresses como infecções ou quedas.

Após o ponto de virada, qualquer evento adverso tende a deixar sequelas permanentes. O risco de morte também cresce de forma mais acentuada.

Os autores destacam que o processo não é linear desde o nascimento. Estudos anteriores já indicaram acelerações do envelhecimento molecular aos 44 e 60 anos.

Dados utilizados abrangem mais de 30 indicadores de saúde

Cada participante teve a saúde avaliada por meio de mais de 30 parâmetros. Entre eles estão doenças crônicas, dificuldade para atividades diárias e problemas cardiovasculares.

O acompanhamento longitudinal permitiu observar a evolução real ao longo dos anos. A mediana de idade dos participantes era 67 anos no início da coleta.

Intervenções precoces podem adiar efeitos do ponto crítico

Os pesquisadores afirmam que reduzir estressores antes dos 75 anos traz mais benefícios. Medidas preventivas incluem controle de quedas e tratamento precoce de doenças.

Estratégias aplicadas após o ponto de virada apresentam resultados limitados. Melhorar a saúde geral na fase anterior ao limite mostra maior eficácia.

Aplicação prática muda planejamento de cuidados médicos

Clínicos podem usar o conceito para priorizar ações preventivas em pacientes entre 60 e 70 anos. O conhecimento do ponto crítico ajuda a direcionar recursos de forma mais eficiente.

O trabalho demonstra como equações matemáticas conseguem prever trajetórias de saúde populacional. Os resultados estão disponíveis em preprint no repositório arXiv.

Outros estudos confirmam acelerações específicas no envelhecimento

Pesquisas recentes identificaram picos de envelhecimento molecular aos 44 e 60 anos. Outro levantamento apontou aceleração no desgaste de órgãos a partir dos 50 anos.

Esses achados reforçam que o envelhecimento humano segue padrão não linear. Existem janelas específicas de maior vulnerabilidade ao longo da vida.

O modelo canadense complementa essas descobertas ao focar na perda de resiliência geral. A combinação de evidências fortalece o entendimento científico sobre o processo.

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