A ComissĂŁo de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CDHC) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) registrou atĂ© 7 de novembro deste ano 203 atendimentos, que resultaram em 383 denĂșncias de violaçÔes de direitos humanos. A comissĂŁo Ă© responsĂĄvel por receber denĂșncias, orientar encaminhamentos e acompanhar cada caso.

Segundo o relatĂłrio, o volume representa uma mĂ©dia de 1,5 atendimento por dia. O nĂșmero de denĂșncias se manteve estĂĄvel em relação ao mesmo perĂodo de 2024, com 385 denĂșncias.
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Neste ano, a comissĂŁo aprimorou a coleta e a classificação dos dados, criando novas categorias e qualificando melhor os contextos de violação. Pela primeira vez, demandas sociais ou jurĂdicas deixaram de ser as categorias mais frequentes entre as denĂșncias.
Em seu lugar, destacam-se violaçÔes de acesso Ă saĂșde, que somaram 23 registros, abrangendo desde dificuldades de acesso Ă rede pĂșblica atĂ© problemas com administração de medicamentos.
âA categoria de saĂșde mental tambĂ©m se destacou, registrando 21 casos, refletindo consequĂȘncias psicolĂłgicas acumuladas por violaçÔes reiteradasâ, diz o levantamento.
População negra
O levantamento aponta que os dados raciais reforçam o padrĂŁo histĂłrico de concentração de violaçÔes contra a população negra. Foram registradas 93 violaçÔes contra pessoas pretas, distribuĂdas em 44 atendimentos, representando 50,5% e 48,4% do total, respectivamente. Agregando pretos e pardos, totalizam-se 128 violaçÔes em 61 atendimentos, o equivalente a 69,5% e 67,1% dos registros.
Nos acompanhamentos, a tendĂȘncia se repetiu: foram 75 violaçÔes contra pessoas pretas em 19 casos, chegando a 116 quando incluĂdas pessoas pardas. No comparativo entre 2024 e 2025, houve aumento da proporção de violaçÔes envolvendo pessoas pretas e pardas, passando de 67,2% para 69,5%.
Sistema prisional
O relatĂłrio mais uma vez indicou predominĂąncia de violaçÔes ocorridas no sistema prisional, tanto nos atendimentos quanto nos acompanhamentos. A maioria das vĂtimas atendidas Ă© composta por homens entre 25 e 29 anos. Quanto ao tipo de violador, prevaleceram denĂșncias cometidas por pessoas fĂsicas, seguidas por agentes do governo estadual.
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A CDHC da Alerj tambĂ©m reforça, no relatĂłrio, o desafio constante de atuação frente Ă s operaçÔes policiais no estado. Segundo a presidente da comissĂŁo, deputada estadual Dani Monteiro (Psol), um significativo nĂșmero de ofĂcios foi enviado a ĂłrgĂŁos pĂșblicos para monitoramento de açÔes de segurança, mas apenas uma pequena parcela recebeu retorno, e mesmo assim nem sempre essa resposta Ă© qualificada.
“Uma das faces mais vergonhosas e deplorĂĄveis do silĂȘncio institucional Ă© a falta de respostas aos nossos ofĂcios. No entanto, nĂłs nĂŁo vamos silenciar. Seguiremos registrando, acompanhando, fiscalizando e insistindo, pois fiscalizar Ă© inerente Ă proteção da vida. Lutar pelos direitos humanos Ă© lutar pela proteção de todas as vidasâ, disse a parlamentar.
Para a deputada, essa limitação compromete a transparĂȘncia e o controle pĂșblico sobre prĂĄticas que impactam diretamente a vida de moradores de favelas e periferias
Dani ressalta ainda que os dados do relatĂłrio nĂŁo sĂŁo nĂșmeros frios ou estatĂsticas abstratas, pois representam as histĂłrias reais de quem enfrenta, todos os dias, a negligĂȘncia do Estado e a violĂȘncia institucional.
âO relatĂłrio de 2025 Ă© categĂłrico: ele reafirma a presença cotidiana da violĂȘncia de Estado, a sobrecarga dos serviços essenciais, a fragilidade das polĂticas sociais e o impacto desproporcional dessas violaçÔes sobre pessoas negras, jovens e moradores de territĂłrios vulnerabilizados”, concluiu.

