Em Brasília, Gladson articula com os cabeças do MDB para sacramentar apoio a Mailza

A movimentação do governador foi lida dentro do próprio MDB como um gesto claro de que a executiva nacional está inclinada a entregar o apoio formal para Mailza

Em Brasília, Gladson Cameli passou o dia cumprindo uma agenda que não deixa margem para muitas interpretações. Reuniu-se com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e com o senador Eduardo Braga, dois nomes de peso na engrenagem partidária. No Acre, o MDB ainda tenta manter o discurso de que não há decisão tomada sobre apoiar Mailza Assis ou Alan Rick na disputa pelo governo em 2026. Mas, na prática, Gladson buscou diretamente quem de fato define o rumo da sigla.

Gladson e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi/Foto: Reprodução

A movimentação do governador foi lida dentro do próprio MDB como um gesto claro de que a executiva nacional está inclinada a entregar o apoio formal para Mailza, atual vice-governadora e nome escolhido por Gladson para a própria sucessão. O encontro em Brasília, com lideranças que pesam na balança partidária, deixa o cenário praticamente sacramentado.

Gladson, que vem atuando para alinhar a base ao projeto de continuidade, decidiu não perder tempo. Se no Acre o partido segue dividido, em Brasília a mensagem que ele ouviu foi de segurança.

Interlocutores próximos ao governador afirmam que ele saiu das reuniões convencido de que terá a chancela nacional para consolidar Mailza como candidata do MDB, o que deve empurrar a sigla estadual a formalizar o apoio.

Alan Rick segue no páreo, tem articulação própria e força interna, mas a leitura entre emedebistas é que o movimento do governador pode acelerar o desfecho. Com a executiva nacional praticamente fechando posição, o embate local perde espaço, e a tendência é que o MDB do Acre acompanhe a decisão do comando do partido.

O gesto de Gladson, portanto, não foi apenas de cortesia institucional. Foi cálculo político. Ele levou a pauta diretamente a quem tem a palavra final para evitar ruído, evitar prolongar uma disputa que trava os planos para 2026 e, principalmente, para garantir que a sucessão siga o roteiro que ele vem desenhando desde o ano passado.

A pergunta agora é simples, embora incômoda para alguns atores locais: depois dessa movimentação, quem dentro do MDB estadual terá força para remar contra a escolha da executiva nacional? A resposta deve aparecer nas próximas semanas, mas o sinal vindo de Brasília é claro.

PSD entra no radar de Gladson em busca de apoio para Mailza

Além das conversas no MDB, Gladson Cameli também abriu diálogo com o PSD. O governador esteve em Brasília com o senador Omar Aziz, uma das principais lideranças nacionais do partido. A movimentação coloca o PSD no centro das articulações para 2026.

No Acre, a sigla é comandada pelo senador Sérgio Petecão, que ainda não definiu quem irá apoiar na disputa pelo governo. Mesmo após a derrocada recente no estado, o PSD continua sendo um dos maiores partidos do país. Atrair a sigla para a coligação daria à candidatura de Mailza Assis tempo de televisão e recursos federais, peças estratégicas para a disputa.

Se seguir a linha nacional, PSD deveria caminhar com o PT no Acre

A movimentação de Gladson para atrair o PSD para o palanque de Mailza esbarra em um ponto sensível: se a sigla realmente seguisse a orientação da executiva nacional, o caminho natural seria outro. O PSD integra a base do presidente Lula na Câmara e no Senado e ocupa cargos importantes no governo federal, incluindo ministérios estratégicos.

Sob essa lógica, o partido deveria estar inclinado a apoiar o nome que o PT colocar para a disputa pelo governo do Acre em 2026. No entanto, no estado, o cenário é bem diferente. O senador Sérgio Petecão, que comanda o PSD acreano, ainda não sinalizou apoio a nenhum dos dois blocos e mantém a legenda em posição de independência.

Até quando o Congresso vai se colocar acima das instituições e da vontade popular?

A pergunta precisa ser feita, porque o padrão se repete. Recentemente, o país assistiu à tentativa de aprovar a chamada PEC da Blindagem mesmo com a maior parte da população rejeitando a proposta. O recuo só veio depois que brasileiros foram às ruas e deixaram claro que não aceitariam a mudança.

Nesta semana, o roteiro voltou a se desenrolar. Em votação durante a madrugada, praticamente escondida do debate público, deputados e senadores aprovaram o PL da dosimetria. O texto reduz consideravelmente as penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e, na prática, diminui a punição prevista para o ex-presidente Jair Bolsonaro para apenas dois anos. Tudo isso enquanto pesquisas mostram que a maioria dos brasileiros defende condenações firmes para os responsáveis.

O recado implícito é preocupante. Quando decisões dessa magnitude são tomadas à revelia da sociedade, sem transparência e sem respeito ao sentimento nacional, o sinal enviado é de que acordos políticos valem mais que a confiança da população.

O desejo do povo brasileiro precisa estar acima de qualquer articulação de ocasião. Instituições democráticas se sustentam pela legitimidade. E essa legitimidade simplesmente não existe quando o Congresso insiste em atuar como se estivesse acima de todos.

Duas deputadas do Acre viram ponto de equilíbrio na votação do PL

A votação do PL da dosimetria expôs um contraste na bancada federal do Acre e, ao mesmo tempo, revelou um raro ponto de esperança. Entre todos os parlamentares do estado, apenas duas vozes defenderam a posição que a maioria da população dizia esperar: Socorro Neri e Meire Serafim.

As duas deputadas foram as únicas a votar contra o projeto e a se posicionar de forma alinhada ao sentimento nacional, que rejeita qualquer flexibilização das penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e cobra responsabilização plena das lideranças políticas envolvidas.

Em meio a uma votação conduzida às pressas, sem debate público e marcada por articulações silenciosas, o gesto delas se destaca. Num momento em que o Congresso sofre críticas justamente por ignorar a vontade popular, Socorro Neri e Meire Serafim atuaram como contraponto, sinalizando que ainda há espaço para coerência e compromisso com o que o eleitor espera.

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