O The Game Awards é considerado o maior evento do universo dos videogames, frequentemente chamado de “Oscar dos games”. Em 2025, no entanto, a cerimônia deixou uma sensação incômoda: quem assistiu apenas à premiação poderia facilmente concluir que apenas um jogo importou durante todo o ano.
O grande protagonista da noite foi Clair Obscur: Expedition 33, que venceu nove dos dez prêmios para os quais foi indicado, incluindo o cobiçado título de Jogo do Ano. O feito é histórico — e, em muitos aspectos, justificado.

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Lançado em abril como o primeiro projeto de um estúdio pequeno e até então desconhecido, Expedition 33 vendeu mais de 5 milhões de cópias mundialmente e conquistou a crítica com uma narrativa sensível sobre luto e superação, personagens marcantes e uma trilha sonora elogiada. Desenvolvido por uma equipe principal de apenas 33 pessoas, o jogo simboliza um avanço importante em uma indústria que, por décadas, priorizou grandes produtoras e orçamentos milionários.
Um ano diverso, uma premiação concentrada
O problema não está no mérito de Clair Obscur, mas no efeito colateral de sua dominância absoluta. O ano de 2025 foi um dos mais ricos e variados da história recente dos videogames. Entre os indicados ao prêmio principal estavam produções de perfis completamente distintos — de Death Stranding 2, com centenas de desenvolvedores e orçamento estimado em US$ 100 milhões, até Hollow Knight: Silksong, criado por uma equipe de apenas três pessoas.
A lista de indicados refletia exatamente o que tornou 2025 especial: diversidade criativa, diferentes escalas de produção e múltiplas linguagens narrativas. No entanto, essa pluralidade praticamente desapareceu no resultado final.
Além de Jogo do Ano, Expedition 33 levou categorias como Melhor Jogo Independente, Melhor RPG e Melhor Indie de Estreia — todas, essencialmente, variações do conceito de “melhor jogo”. Embora seja raro um título se encaixar tão perfeitamente em tantas categorias ao mesmo tempo, o resultado foi uma premiação excessivamente concentrada em um único produto.
Um problema de regulamento, não de qualidade
O The Game Awards vai além de distribuir troféus. O evento funciona como um ritual simbólico da indústria, celebrando conquistas, homenageando trajetórias, fortalecendo comunidades e apontando caminhos para o futuro dos games. Quando quase todas as categorias centrais recaem sobre um único título, esse papel simbólico se enfraquece.
Por isso, cresce entre fãs e profissionais do setor a defesa de uma mudança clara: o vencedor de Jogo do Ano não deveria concorrer às demais categorias principais de “melhor jogo”. A proposta não tira mérito do campeão, mas amplia o espaço para reconhecimento de outros projetos igualmente relevantes.
A falsa impressão deixada pelo evento
Quem acompanhou apenas a cerimônia, sem olhar o contexto mais amplo da indústria, saiu com a impressão equivocada de que 2025 foi um ano de um único destaque. A realidade é oposta: foi um ano plural, ousado e criativamente vibrante.
O excesso de críticas, boicotes e debates acalorados que se seguiram à premiação acabaram respingando injustamente em Clair Obscur: Expedition 33, um jogo que merece ser celebrado — não responsabilizado — pelas falhas estruturais do evento.
No fim, o que ficou manchado não foi a trajetória do jogo, mas a capacidade do The Game Awards de representar, com equilíbrio, a grandeza do que os videogames realmente foram em 2025.
Fonte: Análise editorial
✍️ Redigido por ContilNet
